O vice de Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência da República em 2026 é o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL). Ex-promotor de Justiça, ex-procurador-geral de Justiça de Alagoas e ex-secretário estadual de Segurança Pública, o parlamentar ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS antes de ser anunciado, em 5 de agosto, como candidato a vice na chapa presidencial do PL.
Alfredo Gaspar chegou à disputa presidencial depois de construir a maior parte de sua trajetória profissional fora da política partidária. Antes de conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, passou mais de duas décadas pelo Ministério Público e ocupou funções diretamente relacionadas à segurança pública e ao combate ao crime organizado.
A entrada na chapa de Flávio Bolsonaro ampliou ainda mais a projeção nacional do deputado alagoano. Gaspar já havia ganhado visibilidade no Congresso com a atuação na CPMI do INSS e passou a ocupar um espaço estratégico na campanha presidencial. A escolha também colocou sob maior atenção pública episódios e apurações envolvendo o parlamentar.
Quem é o vice de Flávio Bolsonaro?
Alfredo Gaspar de Mendonça Neto é deputado federal por Alagoas e o candidato a vice de Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026. O anúncio ocorreu em 5 de agosto, depois de um período de indefinição sobre quem ocuparia o posto na chapa presidencial.
A composição mantém os dois candidatos no PL. Antes da definição para a Vice-Presidência, Gaspar chegou a ser apresentado pelo partido como pré-candidato ao Senado por Alagoas.
A escolha ocorreu em um cenário no qual o PL encontrou dificuldades para construir uma aliança nacional com outra legenda para a chapa presidencial. A solução foi uma composição interna, formando uma candidatura “puro-sangue”, com Flávio Bolsonaro na disputa pela Presidência e Alfredo Gaspar como vice.
Quem é Alfredo Gaspar?

Natural de Maceió, Alfredo Gaspar é formado em Direito e construiu grande parte da carreira no Ministério Público de Alagoas. Também atuou como advogado e professor universitário.
Gaspar ingressou no Ministério Público ainda jovem e permaneceu na instituição por mais de duas décadas. Ao longo da carreira, exerceu funções de destaque no combate ao crime organizado e chegou ao comando do Ministério Público estadual como procurador-geral de Justiça de Alagoas.
Outra passagem importante de sua trajetória foi pelo Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas (GECOC). Gaspar também deixou temporariamente o Ministério Público para assumir funções na área de segurança durante o governo de Renan Filho (MDB), incluindo o comando da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas.
Esse histórico fez com que segurança pública, combate ao crime organizado e legislação penal se tornassem alguns dos temas mais associados à trajetória profissional e, posteriormente, política do atual candidato a vice-presidente.
Qual é o partido de Alfredo Gaspar?
Atualmente, Alfredo Gaspar é filiado ao PL, mesma legenda de Flávio Bolsonaro. Antes de chegar ao partido, entretanto, passou por outras siglas durante sua trajetória eleitoral.
Gaspar esteve politicamente ligado ao grupo de Renan Calheiros e foi filiado ao MDB. Posteriormente, rompeu com esse grupo político e ingressou no União Brasil, partido pelo qual foi eleito deputado federal por Alagoas nas eleições de 2022.
Em 2026, migrou para o PL e assumiu o comando do diretório estadual da legenda em Alagoas. A mudança partidária antecedeu sua escolha para a chapa presidencial e representou uma nova etapa de uma trajetória eleitoral iniciada poucos anos antes.
Qual é a trajetória política de Alfredo Gaspar?
Depois de mais de duas décadas no Ministério Público, Alfredo Gaspar entrou definitivamente na disputa eleitoral em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió. Ele chegou ao segundo turno, mas não foi eleito.
Dois anos depois, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados. Filiado ao União Brasil, foi eleito deputado federal por Alagoas nas eleições de 2022 e assumiu o mandato no ano seguinte.
No Congresso Nacional, Gaspar concentrou parte de sua atuação em temas ligados à segurança pública e ao endurecimento da legislação penal. Sua experiência anterior como promotor, chefe do Ministério Público estadual e secretário de Segurança passou a integrar também sua identidade política.
A projeção nacional cresceu com a CPMI do INSS, criada para investigar fraudes e irregularidades relacionadas a benefícios previdenciários. Gaspar assumiu a relatoria da comissão e apresentou um relatório com pedidos de indiciamento de mais de 200 pessoas.
Entre os nomes incluídos pelo parlamentar estava Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer apresentado por Gaspar, entretanto, não foi aprovado pela comissão. Em março de 2026, o relatório foi rejeitado por 19 votos a 12, e a CPMI encerrou os trabalhos sem aprovar um relatório final.
Apesar da rejeição do parecer, a atuação na comissão ampliou a exposição de Gaspar no cenário político nacional meses antes da definição da chapa presidencial.
Quando Alfredo Gaspar foi escolhido vice de Flávio Bolsonaro?
Alfredo Gaspar foi anunciado como candidato a vice de Flávio Bolsonaro em 5 de agosto de 2026.
Até pouco antes da definição, o planejamento eleitoral para o deputado era diferente. Gaspar havia sido apresentado como pré-candidato do PL ao Senado por Alagoas, mas deixou a disputa estadual para integrar a chapa presidencial.
A definição resultou em uma composição formada exclusivamente pelo PL. Flávio Bolsonaro ocupa a cabeça da candidatura, enquanto Gaspar concorre à Vice-Presidência.
Por que Alfredo Gaspar foi escolhido para a chapa de Flávio Bolsonaro?
A trajetória ligada à segurança pública foi um dos elementos destacados no anúncio de Alfredo Gaspar como candidato a vice. O parlamentar passou pelo Ministério Público, atuou no combate ao crime organizado e comandou a Segurança Pública de Alagoas antes de entrar definitivamente na política eleitoral.
A projeção alcançada durante a CPMI do INSS também esteve entre os aspectos mencionados por Flávio Bolsonaro ao apresentar o companheiro de chapa. O trabalho como relator havia colocado o parlamentar alagoano em maior evidência nacional nos meses anteriores à campanha.
Outro componente destacado foi sua origem nordestina. Alagoano, Gaspar passou a representar o Nordeste na chapa presidencial formada pelo PL, em uma eleição na qual a região tem peso importante na disputa pelo Palácio do Planalto.
Com a escolha, o parlamentar passou de uma candidatura prevista ao Senado para uma disputa pelo segundo cargo mais importante do Poder Executivo federal.
Alfredo Gaspar é investigado? Entenda as acusações
A candidatura à Vice-Presidência também ampliou a atenção sobre questões jurídicas envolvendo Alfredo Gaspar. Uma delas está relacionada a uma acusação de estupro de vulnerável levada ao Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado nega a acusação.
O caso chegou ao Supremo a partir de uma notícia-crime apresentada pelos parlamentares Lindbergh Farias (PT-RJ) e Soraya Thronicke (PSB-MS). A acusação contra Gaspar veio a público durante a fase final dos trabalhos da CPMI do INSS e envolve a alegação de que ele teria mantido relação sexual com uma adolescente de 13 anos, que teria engravidado.
Gaspar nega ter cometido o crime. O parlamentar afirma que a acusação faz parte de uma perseguição política relacionada à atuação dele na CPMI do INSS e apresentou publicamente elementos para contestar a versão divulgada pelos parlamentares.
O caso chegou à análise do STF e permanece sem conclusão. A Procuradoria-Geral da República solicitou diligências à Polícia Federal, enquanto o Supremo também pediu esclarecimentos complementares aos parlamentares responsáveis pela acusação.
A existência do procedimento e das diligências não representa condenação nem significa que a acusação tenha sido considerada verdadeira pelo STF. A apuração busca reunir informações sobre as alegações apresentadas antes de uma eventual responsabilização.
Emendas Pix também são alvo de apuração
Outro caso envolvendo Alfredo Gaspar está relacionado às chamadas emendas Pix, mecanismo utilizado para transferir recursos federais diretamente a estados e municípios.
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União apontou problemas relacionados à rastreabilidade de recursos destinados por diferentes parlamentares. Entre os casos analisados estão aproximadamente R$ 6,2 milhões destinados por Gaspar ao município de São José da Laje, em Alagoas.
Em agosto de 2026, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal investigasse possíveis irregularidades identificadas pelo TCU em um conjunto de emendas Pix. A decisão alcançou recursos indicados por diferentes parlamentares, entre eles Alfredo Gaspar.
A determinação faz parte de uma apuração mais ampla sobre emendas parlamentares e não significa, por si só, que tenha sido comprovada irregularidade praticada pelo candidato a vice. Gaspar sustenta que os recursos indicados por ele seguiram as normas vigentes.
Até o momento, não há indicação de condenação do candidato a vice relacionada ao caso.
As apurações passaram a integrar o cenário político em torno de Alfredo Gaspar justamente no momento em que o deputado ganhou maior exposição nacional. Ao lado da carreira no Ministério Público, da atuação na segurança pública, do mandato na Câmara e da passagem pela CPMI do INSS, esses episódios também fazem parte do contexto que cerca o vice de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial de 2026.




