Os novos viadutos em Fortaleza ainda dependem de etapas anteriores à execução das obras, como estudos técnicos, desapropriação e indenização de imóveis em áreas afetadas pelos projetos. A implantação das estruturas é estudada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura como alternativa para melhorar a circulação de veículos em diferentes pontos da capital.
Uma das intervenções previstas fica no cruzamento da Avenida Antônio Sales com a Rua Monsenhor Catão. Para que o viaduto avance, será necessário realizar um estudo topográfico da região e resolver a situação de imóveis que possam ser atingidos pela obra.
O chefe do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ademar Gondim, explicou que essas etapas fazem parte do processo necessário para a implantação da estrutura.
“Para a construção do viaduto aqui no cruzamento da Avenida Antônio Sales com a Rua Monsenhor Catão, serão necessários um estudo topográfico da região, desapropriação e idenização de alguns imóveis. A obra está em processo de licitação e a empresa vencedora será responsável pelo projeto e execução da obra.”
A intervenção na região da Avenida Antônio Sales tem como objetivo melhorar a fluidez do tráfego nas ruas Henriqueta Galeno, Beni Carvalho e Coronel Jucá. O projeto também deve facilitar o acesso aos bairros Dionísio Torres, Aldeota, Joaquim Távora e São João do Tauape, além de ampliar a acessibilidade à estação do VLT.
Novos viadutos em Fortaleza estão previstos em diferentes regiões
Além da intervenção na Antônio Sales, a Prefeitura de Fortaleza estuda outras estruturas para melhorar o trânsito. Entre os projetos estão dois túneis e quatro viadutos previstos para diferentes pontos da cidade.
Um dos túneis é planejado para o encontro das avenidas Domingos Olímpio e Aguanambi, região que registra congestionamentos nos horários de pico. Outro túnel é estudado para o cruzamento das avenidas Bernardo Manuel e Silas Munguba.
Também estão em análise viadutos nos seguintes locais:
- Complexo Parangaba;
- limite entre os bairros Conjunto Ceará e Jurema;
- entroncamento das avenidas Fernandes Távora e Augusto dos Anjos;
- cruzamento da Avenida Antônio Sales com a Rua Monsenhor Catão.
Os projetos ainda estão em estudo pela Secretaria Municipal de Infraestrutura. A avaliação das intervenções envolve o planejamento necessário para que as obras possam ser executadas e concluídas.
Na Avenida Domingos Olímpio, o trânsito durante o horário de pico é apontado como um dos problemas que motivaram a discussão sobre uma solução para a região. Um motorista ouvido pela equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza, durante a passagem pelo local, relatou o tempo gasto no deslocamento:
“Aqui eu perco em torno de uns 20 minutos, do Centro até a Aldeota.”
Outro motorista descreveu dificuldades semelhantes em diferentes áreas da capital:
“Caótico, é em todo canto da cidade. Centro, periferia, engarrafamento em todo lugar.”
Viaduto na Fernandes Távora também é esperado por motoristas
No entroncamento das avenidas Fernandes Távora e Augusto dos Anjos, a expectativa pela implantação de um viaduto também aparece entre os motoristas que circulam pela região.
A estrutura integra o conjunto de intervenções estudadas para a cidade. Um motorista que passou pelo cruzamento avaliou que a obra poderia ajudar diante das dificuldades enfrentadas no trânsito.
“Seria excelente para todos nós. Porque o trânsito é complicado.”
Além da melhoria na circulação dos automóveis, especialistas defendem que o planejamento das obras considere os efeitos provocados pela construção sobre os espaços urbanos e as atividades econômicas existentes nas áreas atingidas.
Obras podem afetar paisagem e atividades econômicas
O professor do Departamento de Geografia da UFC e integrante do Observatório das Metrópoles, Alexandre Queiroz, avalia que projetos desse porte precisam considerar os impactos ambientais e econômicos nas comunidades próximas às intervenções.
Entre os possíveis efeitos estão alterações na paisagem e mudanças no funcionamento de estabelecimentos comerciais. Também podem surgir áreas que demandem atenção social após a execução das estruturas.
A avaliação dos impactos é parte do debate sobre como as novas estruturas podem modificar a dinâmica dos bairros. Além das questões relacionadas ao trânsito, a implantação de túneis e viadutos pode interferir na circulação de pedestres, no comércio e no uso dos espaços públicos.
Transporte público deve entrar no planejamento
Para Alexandre Queiroz, as intervenções de mobilidade urbana não devem se concentrar apenas na circulação de carros. O transporte coletivo também precisa ser considerado no planejamento das soluções para o trânsito de Fortaleza.
O professor defende investimentos em estruturas que deem prioridade aos ônibus e em veículos que ofereçam melhores condições de operação e acesso à população.
“É necessário investir nas faixas prioritárias, em veículos adequados, novos, que cumpram as suas viagens, que sejam confortáveis e que sejam acessíveis à população, tanto financeiramente quanto operacionalmente.”
O debate ocorre enquanto a capital analisa diferentes alternativas para pontos de congestionamento. A construção das estruturas, no entanto, passa por etapas técnicas e administrativas antes que os equipamentos possam sair do papel.




