Uma tendência que ganhou espaço no TikTok está levando alguns homens da geração Z a abandonar o banho, o desodorante e até roupas limpas antes de encontros amorosos. A prática, chamada de “pheromone-maxxing”, parte da ideia de que preservar o cheiro natural do corpo poderia aumentar a atração de possíveis parceiras.
A estratégia, no entanto, não tem respaldo científico que comprove esse efeito. Embora o odor corporal tenha influência na forma como as pessoas percebem umas às outras, especialistas afirmam que não existem evidências suficientes para concluir que deixar de tomar banho ou abandonar produtos de higiene torne alguém mais atraente.
O movimento é apresentado nas redes sociais como uma espécie de técnica de sedução. Seus defensores acreditam que substâncias presentes no odor natural do corpo funcionariam como feromônios e poderiam provocar uma resposta sexual em outras pessoas.
Na prática, alguns adeptos passaram a evitar hábitos comuns de higiene justamente antes de encontros.
O que é o pheromone-maxxing?
O termo “pheromone-maxxing” pode ser traduzido livremente como “maximizar os feromônios”. A expressão surgiu associada ao universo do “looksmaxxing”, comunidade virtual que reúne estratégias destinadas a aumentar a aparência e a atratividade pessoal.
Enquanto algumas práticas do looksmaxxing envolvem cuidados com aparência, cabelo, pele e roupas, vertentes mais extremas passaram a propor mudanças incomuns de comportamento.
No caso do pheromone-maxxing, a lógica é diferente da tradicional rotina de preparação para um encontro. Em vez de banho, perfume, desodorante e roupa recém-lavada, os adeptos defendem justamente a preservação do odor corporal.
Alguns relatos publicados nas redes sociais mencionam até o uso de roupas já utilizadas e impregnadas de suor.
Um dos nomes associados à tendência é o criador americano Demir Basceri, conhecido nas redes como “cookiekinggg”. Segundo o Daily Mail, ele afirmou que passa dias sem tomar banho antes de encontrar uma mulher e, posteriormente, volta a vestir uma camisa que já havia usado.
A ideia seria manter o que ele considera um suposto “efeito” do cheiro corporal.
A prática chamou atenção justamente pelo contraste com os cuidados tradicionalmente associados à preparação para um encontro. Em vez de tentar controlar o odor natural, os adeptos defendem que ele seja preservado ou até intensificado.
Por que homens estão deixando de tomar banho antes de encontros
A explicação apresentada pelos defensores da tendência está relacionada aos chamados feromônios.
Essas substâncias químicas são conhecidas por desempenhar funções de comunicação entre indivíduos de determinadas espécies. Em animais, elas podem desencadear respostas comportamentais ou fisiológicas específicas.
O problema está em transportar essa lógica diretamente para os seres humanos.
Alguns usuários do TikTok passaram a defender que o cheiro natural masculino carregaria substâncias capazes de provocar atração sexual. Com isso, perfume e desodorante seriam vistos como obstáculos para que esse odor chegasse a outras pessoas.
Há relatos nas redes de homens que dizem ter recebido mais elogios depois de abandonarem colônias e outros produtos perfumados.
Essas experiências individuais, porém, não comprovam que a ausência de higiene esteja provocando uma reação biológica relacionada a feromônios.
Uma explicação alternativa é que a percepção de cheiros seja influenciada por inúmeros fatores, incluindo preferências pessoais, memória, contexto social e características individuais do odor corporal.
Por isso, uma experiência relatada por um usuário em uma rede social não pode ser usada como evidência de que a técnica funciona de maneira geral.
Feromônios realmente aumentam a atração?
A existência de feromônios com efeitos comportamentais é bem estabelecida em várias espécies animais. Entre seres humanos, entretanto, a questão é muito mais complexa.
Não há comprovação científica de que os chamados feromônios humanos funcionem como uma espécie de “perfume natural” capaz de provocar atração sexual de maneira previsível.
A dermatologista Shereen Teymour explicou ao USA Today que a tendência parte de um elemento verdadeiro — a existência de odores químicos individuais e a influência do cheiro na percepção entre pessoas —, mas chega a uma conclusão que não é sustentada pelas evidências disponíveis.
Isso significa que existe, sim, uma relação entre odor e percepção humana. O que a ciência não confirma é a ideia de que ficar propositalmente sem banho seja uma forma eficaz de aumentar a atração.
Na avaliação da especialista, não tomar banho não significa necessariamente potencializar feromônios. O que aumenta com o tempo é principalmente a quantidade de microrganismos presentes na pele.
E isso pode modificar significativamente o cheiro corporal.
O odor humano resulta de uma combinação de suor, secreções da pele e atividade de microrganismos. Por isso, a alteração do cheiro depois de vários dias sem banho não significa automaticamente que uma pessoa esteja liberando mais substâncias capazes de provocar atração.
Ficar sem banho pode causar problemas de pele
Além da falta de evidência sobre o suposto efeito de sedução, abandonar cuidados básicos de higiene pode trazer consequências para a pele.
Ambientes quentes e úmidos, suor acumulado, atrito e roupas apertadas ou úmidas podem favorecer a proliferação de bactérias e fungos.
Um dos problemas associados a essas condições é a foliculite, inflamação dos folículos dos pelos que pode provocar vermelhidão, coceira e pequenas lesões, algumas delas com presença de pus.
O acúmulo de umidade também pode favorecer infecções provocadas por fungos. Entre os exemplos estão problemas conhecidos popularmente como pé de atleta e micose na região da virilha.
Para pessoas que já apresentam condições como eczema, o calor, o suor e o atrito podem agravar sintomas como coceira e inflamação.
Isso não significa que qualquer período sem banho provocará necessariamente uma doença de pele. O risco depende de fatores individuais, do ambiente, da atividade física e de outros hábitos.
A questão é que substituir deliberadamente a higiene por dias de suor acumulado não possui comprovação como estratégia de atração e pode aumentar a exposição a problemas dermatológicos.
Tendência surgiu a partir do looksmaxxing
O pheromone-maxxing faz parte de um universo maior de conteúdos que circulam na internet sobre maneiras de aumentar a atratividade.
O chamado looksmaxxing ganhou espaço em comunidades digitais nas quais usuários compartilham técnicas e rotinas para modificar aparência, estilo e características físicas.
O movimento reúne desde práticas relativamente convencionais, como cuidados com cabelo e pele, até métodos considerados extremos.
A lógica de buscar uma fórmula para aumentar a própria atratividade ajuda a explicar por que o pheromone-maxxing encontrou espaço nas redes sociais.
O conteúdo também tem características que favorecem sua viralização: a proposta é incomum, fácil de explicar em vídeos curtos e provoca reações de surpresa ou repulsa.
Quanto mais controversa é a prática, maior pode ser o interesse dos usuários em comentar, compartilhar e produzir novos vídeos sobre o assunto.
Pheromone-maxxing viralizou nas redes sociais
Embora tenha ganhado maior visibilidade recentemente, o termo não surgiu apenas agora. A expressão circula na internet pelo menos desde 2024 e aparece relacionada a comunidades de looksmaxxing.
Nas redes, entretanto, a prática ganhou novas interpretações e passou a incluir recomendações cada vez mais radicais.
Em algumas publicações associadas às vertentes extremas do movimento, aparecem até alegações envolvendo o consumo da própria urina com o objetivo de alterar o cheiro do corpo ou supostamente eliminar toxinas pelo suor.
Essa prática não deve ser confundida com uma recomendação médica ou científica. A urina contém água, sais e substâncias que o organismo eliminou, e ingerir o próprio líquido não é uma forma comprovada de “desintoxicar” o corpo.
O caso mostra como tendências de aparência e comportamento podem evoluir nas redes sociais quando informações científicas são retiradas de contexto.
No pheromone-maxxing, existe uma questão real por trás do fenômeno: o cheiro participa da experiência humana e pode influenciar a percepção de outras pessoas. O salto sem comprovação está em transformar essa observação em uma promessa de sedução baseada na ausência deliberada de higiene.
Por enquanto, portanto, a ideia de que ficar sem banho antes de um encontro aumenta a atração permanece como uma tendência de internet, e não como uma estratégia comprovada pela ciência.




