A Lua crescente e Antares protagonizam um dos destaques do céu de setembro. Nos próximos dias, quem olhar para a região oeste logo depois do pôr do Sol poderá perceber a Lua se aproximando de um ponto avermelhado bastante evidente a olho nu. O objeto não é um planeta: trata-se de Antares, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião. A estrela está a cerca de 550 anos-luz da Terra e é uma supergigante vermelha.
A aproximação aparente entre os dois astros ocorre por causa da perspectiva. A Lua está, em média, a aproximadamente 384 mil quilômetros da Terra, enquanto Antares está a centenas de trilhões de quilômetros de distância. Apesar disso, os dois podem parecer muito próximos quando observados no mesmo ponto do céu.
O fenômeno é chamado de conjunção e faz parte da dinâmica aparente dos astros no céu. Em 16 de setembro, a Lua passa pela região abaixo de Antares e, no dia 17, aparece acima da estrela para observadores em determinadas localidades. A passagem também dá origem a uma ocultação lunar em algumas áreas do planeta.
Para quem estiver em Fortaleza e em outras áreas do Ceará, a aproximação poderá ser acompanhada no começo da noite, desde que o horizonte oeste esteja livre de obstáculos e as condições meteorológicas permitam a observação.
Lua e Antares se aproximam no céu nesta semana
A Lua muda de posição no céu de maneira perceptível de uma noite para outra porque está em movimento ao redor da Terra. Durante esse percurso, ela atravessa regiões próximas à trajetória aparente do Sol e dos planetas, conhecida como eclíptica.
Antares também está próxima dessa faixa do céu. Por isso, ocasionalmente, a Lua passa diante dela ou bastante próxima, criando a impressão de que os dois objetos estão lado a lado.
A observação não exige necessariamente telescópio. Antares é uma das estrelas mais brilhantes do céu noturno e sua tonalidade avermelhada ajuda a diferenciá-la de outros pontos luminosos.
Em uma noite com céu limpo, o contraste entre a Lua crescente e o brilho avermelhado da estrela pode formar uma composição especialmente interessante para observadores e fotógrafos.
A própria posição da Lua muda rapidamente. Por isso, a configuração observada em uma noite não será exatamente igual à da noite seguinte. É justamente essa mudança que permite acompanhar a passagem da Lua pela região de Escorpião.
Por que Antares parece um planeta?
A tonalidade de Antares é uma das características que mais chamam a atenção durante a observação.
O nome da estrela está relacionado à sua aparência semelhante à de Marte. A denominação vem da associação com Ares, o deus grego da guerra, equivalente a Marte na tradição romana. A ideia é que Antares seria uma espécie de "rival" do planeta vermelho por causa da coloração observada no céu.
Apesar da aparência, os dois objetos são completamente diferentes.
Marte é um planeta do Sistema Solar. Antares é uma estrela. Segundo informações da NASA, ela é uma supergigante vermelha, com dimensões centenas de vezes maiores que as do Sol. A NASA estima que Antares esteja a aproximadamente 550 anos-luz da Terra.
A cor avermelhada também tem origens diferentes nos dois casos. Em Antares, a tonalidade está associada às características de sua superfície e ao estágio evolutivo da estrela. Em Marte, a coloração é relacionada à presença de óxidos de ferro na superfície do planeta.
Antares está em uma fase avançada de sua evolução estelar. Estrelas desse tipo apresentam temperaturas superficiais relativamente menores do que estrelas mais quentes, o que contribui para sua aparência avermelhada.
O brilho aparente da estrela também ajuda na observação. Antares tem magnitude visual próxima de 1. Na escala de magnitude astronômica, quanto menor o número, mais brilhante é o objeto observado.
O que é uma conjunção entre a Lua e uma estrela?
Quando dois astros aparecem próximos no céu, isso não significa necessariamente que estejam próximos no espaço.
A conjunção é um alinhamento aparente observado a partir da Terra. A Lua, por estar relativamente perto do nosso planeta e se movimentar rapidamente em sua órbita, muda sua posição em relação às estrelas ao longo dos dias.
Assim, quando ela passa diante de uma determinada região do céu, pode parecer que está se aproximando de uma estrela ou planeta.
No caso de Antares, a diferença de distância é gigantesca. A Lua está a centenas de milhares de quilômetros da Terra, enquanto a luz de Antares leva cerca de 550 anos para chegar até nós.
Isso significa que a imagem de Antares observada hoje corresponde à luz que deixou a estrela aproximadamente 550 anos atrás.
Em determinadas situações, a perspectiva pode ser ainda mais impressionante: a Lua pode passar exatamente na frente de uma estrela. Esse fenômeno é chamado de ocultação lunar.
Ocultação de Antares será visível em algumas regiões
No dia 17 de setembro, a passagem da Lua diante de Antares produzirá uma ocultação observável em partes específicas do planeta.
O fenômeno tem uma faixa de visibilidade restrita. Dados astronômicos indicam que a ocultação de 17 de setembro de 2026 terá fases visíveis em regiões do sul do Oceano Índico, Austrália e Nova Zelândia, com o evento global ocorrendo entre aproximadamente 10h52 e 14h54 UTC.
Isso não significa que a ocultação será observada em todo o Brasil. A posição geográfica é determinante para saber se a Lua passará exatamente diante de Antares para determinado observador.
Para quem estiver fora da faixa de ocultação, ainda será possível acompanhar a aproximação aparente entre os dois astros, desde que ambos estejam acima do horizonte no momento adequado.
No Ceará, a melhor estratégia é observar o céu na direção oeste pouco depois do pôr do Sol. A visibilidade de objetos próximos ao horizonte, porém, pode ser prejudicada por prédios, árvores, relevo, nuvens ou poluição atmosférica.
Outros astros poderão ser observados nesta semana
A aproximação entre Lua e Antares não será o único atrativo para quem gosta de observar o céu.
Na noite de 17 de setembro, por exemplo, Saturno aparece durante boa parte da noite. Em registros astronômicos para a região brasileira, o planeta nasce próximo ao horário do pôr do Sol e permanece visível durante a noite.
Vênus também chama atenção no começo da noite. O planeta está em uma posição favorável para observação após o pôr do Sol e apresenta grande brilho aparente.
Já Marte e Júpiter aparecem em horários diferentes, principalmente durante a madrugada e antes do amanhecer. Em 17 de setembro, por exemplo, Marte surge durante a madrugada, enquanto Júpiter também pode ser observado antes do nascer do Sol.
A configuração cria uma semana interessante para quem acompanha o movimento dos astros. Cada objeto, porém, tem horário e posição diferentes, o que exige atenção à direção do céu e ao momento da observação.
Como fotografar a Lua perto de Antares
A aproximação também pode render boas imagens. Para registrar a Lua crescente e Antares no mesmo enquadramento, um dos fatores mais importantes é escolher um local com horizonte oeste desimpedido.
A observação deve ser feita logo após o crepúsculo, quando o céu começa a escurecer, mas os objetos ainda estão relativamente próximos do horizonte oeste.
Uma lente com distância focal maior pode ajudar a destacar a Lua e Antares. Equipamentos na faixa de 135 mm a 300 mm, por exemplo, permitem aproximar visualmente os dois objetos sem necessariamente eliminar completamente o cenário ao redor.
O uso de tripé também ajuda a reduzir a trepidação. Como a Lua é muito mais brilhante que Antares, encontrar a exposição adequada pode ser um desafio: uma configuração que preserve os detalhes da superfície lunar pode deixar a estrela pouco evidente, enquanto uma exposição mais longa pode estourar a Lua.
Por isso, vale fazer diferentes exposições e verificar o resultado.
Outro detalhe interessante é a chamada luz cinérea, ou earthshine. Ela pode ser percebida quando a parte não iluminada diretamente pelo Sol do disco lunar aparece suavemente iluminada. O fenômeno ocorre porque a luz refletida pela Terra ilumina a superfície lunar que está voltada para o nosso planeta.
Para quem estiver em Fortaleza, a observação pode ser favorecida por períodos de céu com poucas nuvens. Ainda assim, as condições locais precisam ser verificadas no momento da observação.
O principal ponto é procurar um lugar aberto, olhar para o oeste depois do pôr do Sol e dar alguns minutos para que os olhos se acostumem à mudança de luminosidade.
A combinação da Lua crescente com Antares oferece uma oportunidade simples para acompanhar um fenômeno astronômico sem a necessidade de equipamentos sofisticados. A olho nu, a diferença de cor entre o brilho branco-amarelado da Lua e o tom avermelhado da estrela já é suficiente para tornar o encontro visível e interessante.


