A professora Isorlanda Caracristi, mãe da universitária Isabelle Caracristi, de 22 anos, fez um alerta a outras famílias após a morte da filha, encontrada no pátio de um condomínio na Aldeota, em Fortaleza. Em entrevista exclusiva à TV Cidade, ela afirmou que pais e mães precisam observar mudanças no comportamento dos filhos e não se deixar convencer apenas pelas aparências.
A orientação surge em meio à busca da família por respostas sobre o que aconteceu com Isabelle. Para Isorlanda, jovens podem estar mais vulneráveis a situações que os próprios familiares não conseguem perceber imediatamente.
“É muito fácil manipular uma mente de um jovem”, afirma a mãe de Isabelle.
Segundo Isorlanda, a pouca experiência de vida e a quantidade de sonhos que acompanham a juventude podem fazer com que os filhos não percebam determinados sinais de alerta. Por isso, ela reforça que familiares devem manter proximidade e atenção mesmo quando acreditam conhecer as pessoas que fazem parte da vida dos filhos.
“Então, fique atentos”, orienta.
Mãe de Isabelle Caracristi faz alerta a outras famílias
Na entrevista, Isorlanda diz que a aparência, a origem ou a imagem construída por uma pessoa não devem ser os únicos elementos considerados pelos familiares.
A professora afirma que chegou a conhecer aspectos da vida e da família do homem com quem Isabelle mantinha um relacionamento e que, naquele momento, isso não foi suficiente para afastar as preocupações que posteriormente surgiram.
“Não se deixem enganar pelas aparências”, alerta Isorlanda.
A mãe também chama atenção para a necessidade de acompanhar mudanças na rotina dos filhos. Para ela, a proximidade entre pais e filhos pode ajudar a identificar situações que, inicialmente, parecem comuns.
“Estejam muito atentos, porque aí no mundo só o que tem são manipuladores. Estejam muito atentas, muito atentos”, afirma.
A fala é apresentada por Isorlanda a partir da experiência vivida pela família e não representa uma conclusão da investigação sobre a morte de Isabelle. Até o momento, a causa do óbito não foi oficialmente determinada.
Isorlanda relata mudanças na relação de Isabelle
Durante a entrevista, a mãe também falou sobre o relacionamento que Isabelle mantinha antes da morte. Segundo Isorlanda, a filha havia começado um estágio em um escritório de advocacia no início de julho e, poucos dias depois, teria sido transferida para o setor ligado ao homem com quem posteriormente iniciou um relacionamento.
De acordo com o relato da professora, a aproximação entre os dois aconteceu rapidamente. Isorlanda afirma que, em menos de duas semanas, os dois já estavam se relacionando.
A mãe conta ainda que passou a perceber comportamentos que considerava excessivos na relação. Segundo ela, havia muitas mensagens enviadas para Isabelle e o homem aparecia em locais onde a jovem estava, inclusive em compromissos médicos.
Isorlanda descreve o comportamento que, segundo sua percepção, passou a observar como “controlador, obsessivo, invasivo”.
A professora também relata que Isabelle teria recebido pedidos relacionados a questões financeiras. Entre eles, segundo a mãe, estaria o empréstimo de um cartão de crédito de baixo limite para uma cirurgia e a intenção de colocar um negócio no nome da jovem.
Essas informações fazem parte exclusivamente do relato de Isorlanda. Não há, até o momento, conclusão pública da Polícia Civil que confirme essas alegações ou estabeleça relação entre esses episódios e a morte da universitária.
Irmão de Isabelle diz que família busca respostas
A família também concedeu à TV Cidade um relato do irmão de Isabelle, Rafael Magalhães. Psicólogo clínico, ele afirmou que todos ficaram abalados com a morte da jovem e que os familiares ainda tentam compreender o que aconteceu.
Rafael contou que a família só recebeu a confirmação da morte posteriormente e que a notícia provocou forte impacto na mãe e na avó de Isabelle.
Segundo ele, a família conta atualmente com duas advogadas, identificadas como doutoras Adriana e Patrícia, que acompanham o andamento do caso. Os familiares aguardam os resultados dos exames periciais e as conclusões da investigação policial.
“Tem muita coisa por trás”, afirma Rafael.
O irmão também diz que a família não quer permanecer apenas aguardando os resultados oficiais e vem utilizando redes sociais, vídeos e contatos com veículos de comunicação para ampliar a busca por informações.
Para Rafael, é importante que pessoas que tenham conhecimento sobre a rotina de Isabelle ou sobre situações que possam ajudar a esclarecer os últimos momentos da jovem procurem a família ou as autoridades.
Ele também afirmou, a partir de sua percepção como irmão e profissional da área de Psicologia, que não identificava na irmã características que lhe indicassem uma intenção de tirar a própria vida. Rafael descreveu Isabelle como uma jovem que tinha planos para o futuro e pretendia seguir carreira na advocacia, com interesse pela área criminal e pela defesa de crianças e mulheres.
Essa avaliação, contudo, não substitui os exames periciais nem representa uma conclusão oficial sobre a causa da morte.
O que já se sabe sobre a morte de Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi tinha 22 anos, cursava Direito e foi encontrada morta no pátio de um condomínio na Aldeota, em Fortaleza, no domingo (13). A causa da morte ainda não foi determinada.
Segundo informações divulgadas anteriormente pelo GC Mais, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) informou à família que o laudo cadavérico pode levar até 30 dias para ser concluído. O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital.
A mãe contou que mantinha contato frequente com Isabelle e estranhou quando a filha deixou de responder às mensagens. Segundo Isorlanda, as duas costumavam conversar diversas vezes ao longo do dia.
A professora afirma que, inicialmente, imaginou que Isabelle pudesse estar dormindo. Na manhã seguinte, diante da ausência de respostas, tentou novamente falar com a filha e também procurou pessoas que poderiam estar com ela.
Foi então que, segundo o relato da mãe, ela decidiu ir ao condomínio acompanhada de familiares. Isorlanda afirma que só naquele momento recebeu a informação de que Isabelle havia morrido.
A versão relatada pela mãe sobre a comunicação da morte também integra o conjunto de questões que a família busca esclarecer.
Família aguarda laudo da Pefoce
A principal resposta aguardada pelos familiares é a definição da causa da morte. Sem o resultado dos exames, ainda não é possível afirmar oficialmente o que provocou o óbito de Isabelle ou estabelecer eventual responsabilidade de terceiros.
A Polícia Civil segue responsável pela investigação, enquanto a Pefoce realiza os exames necessários para a elaboração do laudo cadavérico.
Enquanto aguardam os resultados, familiares continuam buscando informações que possam ajudar a reconstruir os últimos momentos da universitária.
Para Isorlanda, a experiência deixou também uma mensagem que ela gostaria de transmitir a outras mães: manter a proximidade com os filhos e observar mudanças na rotina pode ser importante, principalmente quando há novas relações pessoais ou profissionais.
“Estejam muito atentos”, reforça a mãe.
A família de Isabelle afirma que continuará acompanhando a investigação e cobrando esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte. Até que os laudos e a investigação sejam concluídos, não há confirmação oficial sobre a causa do óbito nem sobre eventual participação de terceiros no caso.




