Um dos homens mais procurados do Ceará, Yago Steferson Alves dos Santos, conhecido como “Yago Gordão”, foi preso nesta terça-feira (22) em Guayaramerín, na Bolívia. Apontado pelas autoridades como um dos fundadores e uma das principais lideranças da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), o brasileiro era procurado pela Justiça e tinha mandados de prisão relacionados a crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
A captura foi realizada pela Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN), da Polícia Boliviana, a partir do compartilhamento de informações com o oficial de ligação da Polícia Federal (PF) na Bolívia, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE) e a FICCO de Rondônia. A prisão é um desdobramento da Operação Fim da Linha, deflagrada em maio de 2026.
Yago estava foragido desde 2024, segundo as informações que embasaram a investigação. Naquele ano, ele teria deixado de cumprir as condições do monitoramento eletrônico após romper a tornozeleira. Desde então, passou a ser procurado pelas forças de segurança.
Yago Gordão é apontado como liderança da GDE
A trajetória de Yago Gordão no crime organizado já havia sido alvo de investigações anteriores no Ceará. Documentos judiciais consultados apontam que ele foi identificado como uma das lideranças da Guardiões do Estado (GDE) e integrante do chamado conselho final da organização.
A própria Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará já havia divulgado, em 2020, a prisão de Yago em uma operação contra a organização criminosa. Na ocasião, ele aparecia entre os nomes apontados pela Polícia Civil como integrantes do topo da estrutura da facção investigada.
Yago também já havia sido preso em Natal, no Rio Grande do Norte, em 2018, conforme registros divulgados à época. As investigações daquele período relacionavam sua atuação a áreas de Fortaleza, incluindo o bairro Parque Presidente Vargas e regiões próximas.
A GDE, apontada nas investigações como uma das organizações criminosas que atuaram no Ceará, deixou de existir formalmente com essa denominação em 2025, conforme o material da investigação. O histórico de Yago, porém, continuou sendo considerado pelas forças de segurança em apurações posteriores relacionadas ao crime organizado.
Operação Fim da Linha investigou homicídio no Mondubim
A prisão na Bolívia está diretamente relacionada ao trabalho de inteligência desenvolvido pela FICCO/CE depois da Operação Fim da Linha, realizada em maio deste ano.
A ofensiva investigou um homicídio ocorrido em 20 de abril de 2025, em Fortaleza. Segundo as informações divulgadas pela Polícia Federal à época, a vítima teria sido morta após supostamente descumprir regras impostas pela organização criminosa relacionadas à comercialização de drogas em determinada área.
O caso envolve a morte de Francisco Guilherme Menezes de Lima, no bairro Mondubim. De acordo com a denúncia mencionada no material da investigação, ele foi atingido por disparos de arma de fogo e teve o corpo incendiado após a execução.
As autoridades apontam Yago como responsável por ordenar ou autorizar a morte. A investigação divulgada em maio informou que a execução teria sido determinada por uma liderança da organização criminosa, com anuência e comando superior atribuído a Yago.
Ainda segundo a apuração, imagens da vítima carbonizada teriam sido compartilhadas entre integrantes da organização criminosa depois do crime como forma de comprovação da execução. Esse elemento também foi citado pela Polícia Federal na divulgação da Operação Fim da Linha.
Além de Yago, Alef Barros Pereira, Erick André de Oliveira e Kelyson Pereira Estácio respondem pelo homicídio, conforme as informações apresentadas no material do caso.
Foragido rompeu tornozeleira e deixou de ser localizado
A condição de foragido de Yago se consolidou depois que ele passou a ser monitorado eletronicamente e rompeu a tornozeleira. A partir daí, as forças de segurança mantiveram as buscas para localizá-lo.
O trabalho ganhou uma dimensão internacional porque o investigado foi encontrado fora do Brasil. Em Guayaramerín, na Bolívia, a Polícia Boliviana realizou a captura com base nas informações repassadas pelas autoridades brasileiras.
A atuação conjunta também envolveu estruturas de inteligência de diferentes estados. Segundo a Polícia Federal, participaram do intercâmbio de informações o oficial de ligação da PF na Bolívia, a FICCO/CE e a FICCO/RO.
A localização de um foragido em outro país exige articulação entre as autoridades responsáveis pela investigação e os órgãos de segurança do território onde o suspeito é encontrado. Neste caso, a prisão foi efetivada pela polícia boliviana.
FICCO mantém investigação após operação de maio
A Operação Fim da Linha foi deflagrada pela FICCO/CE em maio de 2026. Na ocasião, foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão relacionados à investigação sobre organização criminosa e ao homicídio de abril de 2025.
A atuação das equipes, porém, não terminou com o cumprimento das medidas judiciais. Conforme a Polícia Federal, as ações de inteligência e investigação continuaram com o objetivo de localizar o homem que permanecia foragido.
A prisão desta terça-feira é apresentada pela PF como resultado desse trabalho continuado. A captura também demonstra que a investigação passou a contar com mecanismos de cooperação fora do território brasileiro.
A FICCO/CE reúne órgãos das forças de segurança federais e estaduais. Fazem parte da estrutura a Polícia Federal, SSPDS/CE, Polícia Civil do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização e Secretaria Nacional de Políticas Penais.
A integração permite o compartilhamento de informações e a atuação coordenada em investigações envolvendo organizações criminosas, especialmente quando há necessidade de cruzamento de dados entre diferentes instituições.
O que acontece após a prisão de Yago Gordão
Com a captura na Bolívia, Yago passa a ficar à disposição das autoridades responsáveis pelos procedimentos relacionados aos mandados expedidos pela Justiça brasileira. Por ter sido localizado em território estrangeiro, a situação jurídica dele deverá seguir os procedimentos de cooperação aplicáveis entre os dois países.
A prisão também pode representar um novo momento para as investigações que envolvem o histórico de atuação do grupo criminoso e os crimes atribuídos ao investigado. O material divulgado pela PF, entretanto, não apresenta novas informações sobre eventuais depoimentos ou medidas posteriores à captura.
Yago é investigado e acusado em diferentes procedimentos por crimes graves. As acusações relacionadas a homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa deverão ser analisadas pela Justiça dentro de cada processo.
É importante ressaltar que ser preso ou responder a uma acusação não significa condenação definitiva. As responsabilidades individuais devem ser estabelecidas nos respectivos processos judiciais, respeitando o direito de defesa e o devido processo legal.
A captura na Bolívia encerra, neste momento, uma etapa das buscas pelo foragido. As circunstâncias envolvendo os crimes atribuídos a Yago e sua eventual responsabilidade penal continuam submetidas aos procedimentos de investigação e Justiça.




