A investigação sobre a morte da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, passou a reunir relatos sobre uma possível situação de violência no relacionamento dela com o namorado, João Munhoz Neto. A informação foi apresentada nesta segunda-feira (21) pela advogada Adriana Alves, que representa a família da jovem, após novos depoimentos serem prestados à Polícia Civil do Ceará.
Segundo a advogada, pessoas que tiveram contato com Isabelle e procuraram a defesa relataram situações que precisam ser verificadas pelos investigadores. Ela ressaltou, porém, que a existência da violência ainda depende de confirmação a partir da análise dos depoimentos e dos demais elementos do caso.
“Muita gente ainda vai ser ouvida. Todos os depoimentos estão sendo com bastante emoção. A família tá muito emotiva, nós profissionais também. A gente quer o apoio da imprensa. A gente só vai terminar esse caso quando a gente descobrir a verdade. Nada não existe até o momento, nenhuma confirmação. A única coisa que eu posso confirmar pra vocês, que saiu mais cedo na mídia, mas já foi descartada a gravidez. Ela não estava grávida.”
Na sequência, Adriana explicou que a defesa está recebendo informações de pessoas que trabalharam com Isabelle e que demonstraram interesse em prestar esclarecimentos.
“Estão caminhando no sentido de a gente escutar toda e qualquer testemunha. E aí a gente faz um apelo à sociedade mesmo, a cada pessoa que entrou em contato com a gente, através de WhatsApp, através do Instagram. A gente abriu o nosso Instagram, a gente está recebendo muita informação de que pessoas que trabalhavam com ela querem se manifestar também. A gente está também averiguando, porque muitos dos depoimentos falam que existia um tipo de violência, seja ela violência psicológica, e é o que a gente tem que ter a certeza para que a gente possa noticiar que essa violência realmente aconteceu e existiu de fato.”
A advogada também informou que diferentes delegacias participam dos trabalhos de investigação. De acordo com ela, uma força-tarefa reúne unidades especializadas e cinco delegados participaram das oitivas realizadas nesta segunda-feira.
Namorado de Isabelle não comparece para prestar depoimento
João Munhoz Neto, namorado de Isabelle, e a mãe dele eram esperados para prestar esclarecimentos no 2º Distrito Policial, localizado no bairro Aldeota, em Fortaleza. Os dois, porém, não compareceram à unidade nesta segunda-feira.
Anteriormente, a defesa havia informado que João poderia se apresentar para prestar depoimento. Não foi informado o motivo pelo qual ele e a mãe não estiveram na delegacia.
A advogada também foi questionada sobre a existência de alguma prisão preventiva relacionada ao caso. Segundo Adriana Alves, não há medida desse tipo até o momento.
“Entrou, a gente tá numa força tarefa de todas as delegacias unidas, todas as delegacias especializadas nesse momento, todos os delegados, a gente passou aqui com cinco delegados fazendo a oitiva de cada testemunha, e a gente promete que a gente só não está respondendo vocês porque a gente tá o dia todo escutando cada depoimento, transcrevendo cada depoimento e, assim quando for possível e a gente tiver a certeza dos fatos, vai ser publicizado.”
Família de Isabelle é ouvida pela Polícia Civil
A mãe e o irmão de Isabelle prestaram depoimento à Polícia Civil nesta segunda-feira. As oitivas começaram durante a tarde e se estenderam por mais de cinco horas.
Isorlanda Caracristi, mãe da estudante, permaneceu durante a maior parte do período na unidade policial. O irmão, Rafael Magalhães, também foi ouvido pelos investigadores.
Ao deixar o distrito policial, Rafael falou brevemente com a imprensa, mas não informou o conteúdo do depoimento.
A família foi ouvida no âmbito da investigação conduzida pela 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, responsável pelo caso.
As advogadas Patrícia de Abreu Viana e Adriana Alves também conversaram com jornalistas após os depoimentos. Patrícia destacou que novas informações continuam sendo incorporadas ao inquérito e que outras pessoas ainda devem ser ouvidas.
Perícia ainda busca esclarecer circunstâncias da morte
Isabelle foi encontrada morta por volta das 20h40 do domingo (13), no pátio do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, no bairro Aldeota, em Fortaleza.
A estudante morreu após uma queda, mas a dinâmica do episódio ainda não foi esclarecida. A Polícia Civil do Ceará e a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) analisam diferentes elementos para determinar o que aconteceu antes e durante a queda.
O laudo cadavérico apontou politraumatismo, com lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames laboratoriais realizados até o momento tiveram resultado negativo para substâncias de interesse toxicológico.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE), no entanto, informou que a dinâmica da morte somente poderá ser estabelecida após a conclusão dos trabalhos periciais e investigativos.
A médica especialista em medicina legal e perícia médica Caroline Daitx explica que uma lesão, isoladamente, não permite determinar se uma queda ocorreu de forma acidental, voluntária ou em razão da ação de outra pessoa.
“Nenhuma lesão, sozinha, prova se uma queda foi acidente, suicídio ou homicídio. A resposta vem da soma de vários elementos”, explica.
Entre os pontos observados durante a necropsia estão a possibilidade de a vítima estar viva no momento da queda e a existência de ferimentos que não possam ser explicados apenas pelo impacto contra o solo.
Também podem ser analisadas marcas de contenção, lesões de defesa nas mãos e nos antebraços e ferimentos de diferentes idades. O exame do pescoço e das costas pode ajudar na identificação de possíveis sinais de agressão ou contenção.
Exames de imagem também podem contribuir para identificar fraturas e avaliar a forma como o corpo atingiu o solo.
Câmeras e aparelhos eletrônicos são analisados
As gravações das câmeras de segurança do condomínio fazem parte dos elementos examinados pela Polícia Civil. De acordo com a SSPDS-CE, os investigadores conseguiram estabelecer uma cronologia dos deslocamentos de Isabelle e do namorado a partir das imagens.
O conteúdo continua sob análise. As gravações podem ajudar a identificar horários, pessoas que estiveram em determinados espaços e deslocamentos registrados antes e depois da morte.
O advogado Leonardo Pantaleão, especialista em Direito e Processo Penal e sócio fundador da Pantaleão Sociedade de Advogados, explica que as imagens precisam ser confrontadas com os demais elementos obtidos durante a investigação.
“As câmeras podem estabelecer a cronologia, identificar quem esteve no local e os deslocamentos da vítima e de outras pessoas. Já a perícia examina os vestígios materiais e pode contribuir para verificar se a dinâmica encontrada é compatível com uma queda acidental, um ato voluntário ou eventual atuação de terceiros”, afirma.
Além das imagens, a Polícia Civil e a Pefoce analisam vestígios recolhidos no condomínio, depoimentos e informações extraídas de aparelhos eletrônicos.
Para Leonardo, a conclusão depende da análise conjunta desses elementos.
“O esclarecimento da morte dependerá da convergência entre imagens, perícias, depoimentos, dados extraídos de aparelhos eletrônicos e os demais elementos reunidos durante a investigação.”
Laudo descarta gravidez de Isabelle, segundo defesa
Outro ponto esclarecido pela defesa nesta segunda-feira foi a informação de que Isabelle estaria grávida.
A possibilidade havia sido mencionada anteriormente pelo irmão da estudante, Rafael Magalhães, mas, de acordo com as advogadas da família, um laudo recebido posteriormente descartou a existência de gestação.
Adriana Alves confirmou que a gravidez foi descartada e afirmou que Isabelle não estava grávida.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




