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POLÍTICA

Lula critica ONU em discurso de despedida de secretário-geral: “Está falhando em sua missão”

Presidente brasileiro afirmou que a ONU perdeu credibilidade e capacidade de proteger os mais vulneráveis durante discurso na Assembleia Geral

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Lula critica ONU em discurso de despedida de secretário-geral: “Está falhando em sua missão”
Lula sobe o tom contra a ONU e cobra mudanças no Conselho de Segurança. Foto: Reprodução/Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a atuação da Organização das Nações Unidas (ONU) durante o discurso de abertura da Assembleia Geral nesta terça-feira (22), em Nova York. Ao se dirigir ao secretário-geral António Guterres, que participa de sua última Assembleia Geral no cargo, Lula afirmou que a organização vive seu momento mais crítico e declarou que ela “está falhando” na missão de livrar a humanidade do flagelo da guerra.

Leia também: Na ONU, Lula defende soberania e manda recado aos EUA: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Lula afirmou que sua avaliação parte da experiência acumulada desde 2003, quando ocupou pela primeira vez a tribuna da ONU. Segundo o presidente, o cenário atual é marcado por conflitos, corrida armamentista, tensões entre potências e dificuldades para que a comunidade internacional encontre respostas conjuntas.

A Assembleia Geral de 2026 é a 81ª sessão da ONU e reúne representantes dos 193 Estados-membros entre 22 e 28 de setembro. O tema oficial do encontro é a recuperação da confiança e a transformação da organização para que ela consiga atender às populações de maneira mais efetiva.

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Lula na ONU critica perda de credibilidade da organização

Ao falar diretamente sobre a ONU, Lula afirmou que a entidade perdeu capacidade de proteger populações vulneráveis e responsabilizou o que chamou de imobilismo do Conselho de Segurança.

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O presidente também criticou a estrutura criada após a Segunda Guerra Mundial e voltou a defender mudanças na governança internacional. Para Lula, o poder de veto concedido às grandes potências continua sendo um dos obstáculos para a tomada de decisões diante de crises internacionais.

A crítica ocorre em um momento de transição na liderança da organização. Guterres faz em 2026 sua última participação na Assembleia Geral como secretário-geral, encerrando o mandato em 31 de dezembro. Em seu próprio discurso de despedida na abertura do debate geral, Guterres também defendeu reformas da ONU e destacou a necessidade de respostas multilaterais para conflitos e desafios globais.

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Presidente cobra atuação diante das guerras

Lula afirmou que 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial e disse que a comunidade internacional precisa agir diante do avanço das tensões geopolíticas.

Na avaliação apresentada pelo presidente, os países que possuem maior influência nas decisões internacionais precisam assumir responsabilidade e buscar soluções diplomáticas. Ele também afirmou que a guerra representa a falência da política e defendeu a diplomacia como alternativa para os conflitos.

No caso da guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula disse que o conflito se prolonga há anos e continua provocando mortes e sofrimento. O presidente afirmou que não haverá vencedores no campo de batalha e citou o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa criada por Brasil e China, como uma tentativa de estimular o diálogo.

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Gaza e conflito no Oriente Médio também são citados

O conflito entre israelenses e palestinos ocupou uma parte importante do discurso. Lula afirmou que gerações de palestinos carregam o trauma provocado pela guerra em Gaza e responsabilizou o governo de Benjamin Netanyahu pelo que classificou como genocídio.

Ao mesmo tempo, o presidente mencionou os civis israelenses mortos em ataques do Hamas e condenou os atos terroristas cometidos pelo grupo.

Lula também criticou a perseguição ao Tribunal Penal Internacional e afirmou que os assentamentos israelenses na Cisjordânia dificultam cada vez mais a implementação da solução de dois Estados.

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O presidente ainda citou o estreito de Ormuz e afirmou que a região deveria permanecer como uma rota fundamental para o comércio internacional, e não se transformar em cenário de conflito.

Lula afirma que Brasil não cabe “no quintal de ninguém”

Outro eixo importante do discurso foi a defesa da soberania brasileira e latino-americana. Lula afirmou que o Brasil não cabe “no quintal de ninguém” e defendeu uma agenda de cooperação entre os países da região.

O presidente também criticou o que chamou de ingerência externa em processos eleitorais e afirmou que os países latino-americanos precisam ter autonomia para definir seus próprios caminhos.

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Ao abordar Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba, Lula apresentou posições distintas sobre as crises políticas e econômicas desses países e defendeu o princípio de soberania nacional.

A declaração sobre a soberania brasileira ocorre em um cenário de tensão comercial e diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O discurso de Lula também incluiu críticas a medidas protecionistas e à utilização de tarifas como instrumento de pressão internacional.

Combate ao crime organizado entra na fala

Lula também dedicou parte do discurso à segurança pública. O presidente afirmou que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas e defendeu cooperação internacional para combater o fluxo de armas e dinheiro utilizado pelo crime organizado.

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Ele citou a criação, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que reúne autoridades dos nove países amazônicos.

O presidente também mencionou operações realizadas no Brasil e a aprovação da chamada Lei Antifacção. Ao tratar de corrupção, afirmou que o combate deve alcançar todos os envolvidos, sem exceções.

Mudanças climáticas, petróleo e Amazônia

A agenda ambiental foi outro ponto abordado por Lula. O presidente afirmou que o Brasil pretende conciliar crescimento econômico e redução de emissões e destacou a queda do desmatamento na Amazônia.

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Lula também defendeu a exploração de recursos naturais brasileiros, incluindo petróleo e minerais críticos, mas afirmou que o acesso a essas riquezas deve estar associado à geração de valor no território nacional, transferência de tecnologia e fortalecimento de setores estratégicos.

A questão climática ganhou espaço na programação da própria ONU nesta semana. A organização estabeleceu para 23 de setembro uma cúpula de alto nível sobre ação climática e transição justa, dentro da agenda da semana de alto nível da Assembleia Geral.

Inteligência artificial e big techs

Lula também criticou a ausência de regras mais rígidas para grandes empresas de tecnologia e para o desenvolvimento da inteligência artificial.

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O presidente defendeu uma regulamentação internacional e afirmou que decisões relacionadas à tecnologia precisam considerar questões éticas e responsabilidades das empresas.

Na mesma parte do discurso, Lula criticou a expansão das bets e disse que o Brasil não pretende aceitar um modelo de negócio que, segundo ele, transforma o vício em fonte de lucro.

O presidente também defendeu medidas de proteção para crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital e voltou a citar o Pix como uma infraestrutura pública de pagamentos que, segundo ele, ampliou a inclusão financeira no país.

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Lula fala sobre eleições e democracia no Brasil

Na parte final do discurso, Lula direcionou a fala para a situação política brasileira e afirmou que as eleições previstas para outubro serão uma escolha entre diferentes projetos para o país.

O presidente defendeu o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que haverá um processo transparente e competitivo. Também criticou o uso das redes para disseminação de desinformação e alertou para o que classificou como interferências externas.

A fala ocorre poucos dias antes do início da campanha eleitoral de 2026 e foi um dos momentos em que o discurso internacional de Lula se voltou diretamente para a política brasileira. A Reuters também registrou que o presidente mencionou preocupações com interferência estrangeira e desinformação durante a fala na ONU.

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Ao encerrar o discurso, Lula retomou a necessidade de recuperar a capacidade de atuação da ONU. O presidente afirmou que, diante da paralisia da organização, é necessário recuperar a vontade política para que as Nações Unidas voltem a exercer o papel de espaço internacional voltado à paz.


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