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PERÍCIA

Marcas no corpo e no local podem esclarecer queda de Isabelle Caracristi, explica especialista

Médica especialista em medicina legal e perícia médica detalha quais vestígios podem ajudar a esclarecer uma queda de altura e contextualiza investigação

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Marcas no corpo e no local podem esclarecer queda de Isabelle Caracristi, explica especialista
Isabelle foi encontrada morta em um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza, na última semana. Foto: Reprodução

A perícia pode ajudar a esclarecer se uma pessoa morreu após uma queda acidental ou se houve uma ação anterior que provocou a queda, mas a resposta depende da análise conjunta dos vestígios. No caso da estudante de Direito Isabelle Caracristi, encontrada morta após uma queda em um condomínio na Aldeota, em Fortaleza, essa avaliação envolve o corpo, o local, exames laboratoriais, imagens e outros elementos da investigação.

Caroline Daitx, médica especialista em medicina legal e perícia médica, explica que nenhuma lesão isolada é suficiente para determinar o que aconteceu. Para ela, o trabalho pericial consiste em verificar se os diferentes vestígios formam uma sequência compatível com uma determinada dinâmica.

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“Caiu ou foi empurrada? A perícia consegue responder, mas nem sempre. Nenhuma lesão sozinha prova nada. A resposta está no conjunto dessas lesões. A queda deixa um padrão de fraturas. E, se aparecem outras lesões, como marcas de dedos nos braços, lesões de defesa nas mãos ou sinais no pescoço, isso não vem da queda. Então isso torna o caso mais suspeito.”

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O que a perícia pode revelar sobre a queda

A análise de uma morte provocada por queda de altura não se limita à observação das lesões mais evidentes. A perícia também procura identificar se existem sinais que não seriam explicados pelo impacto contra o solo.

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Entre os elementos citados por Caroline estão possíveis marcas nos braços, lesões nas mãos e sinais no pescoço. Esses vestígios, quando efetivamente encontrados, precisam ser analisados em conjunto com o restante do material para verificar se são compatíveis com uma ação anterior à queda.

A especialista também explica que os peritos podem avaliar a reação dos tecidos ao trauma para tentar estabelecer se determinada lesão ocorreu quando a pessoa ainda estava viva.

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“Nós verificamos também se o tecido reagiu ao trauma e isso pode indicar se a lesão aconteceu com uma pessoa ainda viva. Mas existe um intervalo perto do óbito em que não dá pra fazer essa diferença. Uma lesão feita um pouco antes fica parecida com uma lesão feita logo depois. E o socorro, o transporte também pode deixar marcas.”

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Essa limitação é importante porque impede que uma marca encontrada no corpo seja automaticamente associada ao momento da queda ou a uma eventual agressão. O contexto em que o corpo foi encontrado e todo o processo posterior também precisam ser considerados.

O local da queda também é uma peça da investigação

Além do corpo, o ponto de onde a pessoa caiu pode fornecer informações relevantes para a reconstrução da dinâmica.

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Caroline destaca que os peritos precisam avaliar tanto o local onde o corpo foi encontrado quanto o possível ponto de partida da queda. Alterações em objetos ou estruturas podem ajudar a reconstruir os acontecimentos.

“Onde o corpo parou e de onde ele saiu? Se no ponto de partida fica marca de unha, tela rompida, móveis fora do lugar, então são dois locais que também precisam ser analisados. Exames toxicológicos, horários e a versão de quem estava lá precisam bater com os vestígios.”

A análise, portanto, depende da convergência entre diferentes fontes de informação. Uma versão apresentada por alguém que estava no local, por exemplo, precisa ser confrontada com as imagens disponíveis, os horários registrados, os exames e os vestígios encontrados.

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O que já foi identificado no caso Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, na área externa do condomínio onde morava com o namorado e familiares dele, na Aldeota.

O laudo cadavérico apontou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames laboratoriais realizados até então não identificaram substâncias de interesse toxicológico.

Esses resultados, porém, não estabeleceram sozinhos a dinâmica da morte. A investigação continua justamente para cruzar os achados da perícia com outros elementos reunidos pela Polícia Civil.

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A Pefoce realizou novas diligências no condomínio, incluindo exames nas áreas comuns e no apartamento, além de coleta complementar de material para análise de DNA. Também foram obtidas imagens aéreas com o auxílio de drone.

Câmeras e celulares também são analisados

As câmeras de segurança do condomínio ajudaram os investigadores a estabelecer uma cronologia dos deslocamentos de Isabelle e João Munhoz Neto no dia da morte.

As imagens mostram movimentações dos dois antes e depois do momento em que a estudante caiu. A sequência continua sendo examinada e confrontada com os demais elementos da investigação.

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O celular de Isabelle também passou por perícia. O conteúdo do aparelho está entre os dados analisados pela Polícia Civil para identificar informações que possam contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.

Para Caroline, esse cruzamento entre diferentes elementos é fundamental para evitar que uma única evidência seja interpretada de forma isolada.

“Por isso o laudo precisa dizer o que dá e o que não dá pra afirmar.”

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João Munhoz Neto é alvo de pedido de prisão

Outro desdobramento recente da investigação envolve João Munhoz Neto, namorado de Isabelle. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva dele, e o homem não foi localizado pelas equipes durante as diligências.

João e a mãe dele haviam sido esperados para prestar depoimento na segunda-feira (21), mas não compareceram. Na mesma ocasião, a mãe e o irmão de Isabelle foram ouvidos pela Polícia Civil.

O pedido de prisão é uma nova etapa da investigação, mas não representa, por si só, uma conclusão pública sobre a dinâmica da morte. As circunstâncias do caso ainda são investigadas pelas autoridades.

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Família apresentou relatos durante os depoimentos

A família de Isabelle também relatou preocupações relacionadas ao relacionamento da estudante. A mãe dela, Isorlanda Caracristi, afirmou anteriormente que percebia comportamentos que considerava controladores e contou aos investigadores episódios relacionados à relação.

As advogadas da família também afirmaram que pessoas ouvidas durante o processo apresentaram relatos sobre possível violência psicológica. A informação foi apresentada como relato de depoimentos e não como uma conclusão da Polícia Civil.

A advogada Adriana Alves afirmou que ainda há pessoas a serem ouvidas e que a defesa busca reunir elementos antes de tratar qualquer hipótese como confirmada.

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A investigação também passou a contar com a participação da Delegacia da Mulher, dentro de uma atuação conjunta com outras unidades especializadas da Polícia Civil.

Investigação ainda busca esclarecer a dinâmica

A análise de Caroline Daitx reforça que a conclusão sobre uma queda de altura depende de um conjunto de evidências. O corpo, o local, os exames, as imagens, os horários e os depoimentos precisam ser confrontados para verificar se apresentam uma mesma sequência de acontecimentos.

A especialista também ressalta que a frequência de acidentes em quedas de altura não elimina a necessidade de investigação detalhada quando existem elementos que precisam ser esclarecidos.

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“Na literatura, a maior parte das quedas de altura é acidental. Os crimes são raros e, por isso, podem passar despercebidos. Perícia não é opinião, é encaixar cada peça e admitir quando uma delas não fecha.”

No caso de Isabelle, a Polícia Civil ainda trabalha para reunir essas peças. A conclusão sobre como ocorreu a queda e quais circunstâncias antecederam a morte depende do resultado das diligências e da análise conjunta dos elementos periciais e investigativos.

Denúncias para a polícia

A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

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