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INVESTIGAÇÃO

Áudio de Isabelle horas antes da morte relata briga com namorado e pedido de socorro, diz testemunha

Segundo o primo Alessandro Ferreira Caracristi, estudante contou em áudio que havia discutido com João Munhoz Neto e pediu que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela

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Áudio de Isabelle horas antes da morte relata briga com namorado e pedido de socorro, diz testemunha
Isabelle pediu ajuda ao primo após briga com namorado, segundo depoimento. Foto: Reprodução

Um áudio enviado por Isabelle Caracristi ao primo Alessandro Ferreira Caracristi cerca de duas horas antes da morte da jovem relata uma discussão com o namorado, João Munhoz Neto, e um pedido para que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela. As informações foram relatadas pelo primo em depoimento à Polícia Civil e passaram a integrar os elementos analisados na investigação.

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Segundo Alessandro, o áudio tem aproximadamente 16 minutos. No conteúdo, conforme o depoimento, Isabelle relatou que havia sido ameaçada durante uma discussão com João e afirmou que, caso algo acontecesse com ela, o namorado deveria ser responsabilizado. A existência do áudio e o relato feito pelo primo foram divulgados nesta quarta-feira (23).

A gravação é analisada junto a mensagens, dados extraídos do celular, imagens de câmeras de segurança e outros depoimentos. A Polícia Civil ainda investiga a dinâmica da queda que provocou a morte de Isabelle e não apresentou uma conclusão definitiva sobre o que ocorreu no momento do episódio.

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O que Isabelle disse no áudio enviado ao primo

De acordo com o depoimento de Alessandro, Isabelle procurou o primo por áudio depois de uma discussão com João. Ela teria relatado que estava sendo ameaçada e pediu que a gravação fosse preservada e entregue às autoridades caso algo acontecesse com ela.

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Ainda segundo o familiar, Isabelle indicou no próprio conteúdo que João seria responsável caso alguma coisa lhe acontecesse.

O depoimento também registra outro episódio ocorrido aproximadamente uma semana antes da morte. Alessandro contou que Isabelle havia ligado para dizer que não suportava mais a convivência com João por causa de ciúmes e de restrições ao contato dela com familiares e colegas de trabalho.

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Durante essa ligação, o primo afirmou ter ouvido João ao fundo ordenando que Isabelle desligasse o telefone. Segundo o relato, a jovem também disse que pretendia denunciar o namorado na Justiça do Trabalho e reforçou ao familiar que ele não deveria acreditar em João.

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Essas informações são consideradas no contexto da investigação sobre a relação entre os dois e devem ser analisadas em conjunto com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Mensagens e dados do celular também estão no foco da investigação

O conteúdo digital do celular de Isabelle passou a ter papel importante na apuração. A perícia identificou uma lacuna de quase 19 horas nos dados recuperados do aparelho, entre aproximadamente 2h da madrugada de 13 de setembro e o horário estimado da morte, por volta de 20h40.

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O celular foi danificado com a queda, e os peritos trabalharam na recuperação de informações a partir de backup e de dados posteriormente disponibilizados por servidor. A ausência de registros nesse intervalo, por si só, não permite concluir que houve apagamento ou adulteração de mensagens.

A Polícia Civil cruza essas informações com os áudios relatados pelos familiares, conversas mantidas por Isabelle, imagens de segurança e depoimentos. O objetivo é reconstruir as horas que antecederam a queda e esclarecer a dinâmica da morte.

Advogadas que acompanham o caso também relataram a existência de outros áudios enviados por Isabelle antes da morte. Segundo elas, em algumas dessas gravações a jovem pedia que acreditassem nela e afirmava que João apresentava versões diferentes dos fatos. O conteúdo dos dispositivos continua sendo analisado no inquérito.

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João Munhoz Neto foi preso preventivamente

O relato sobre o áudio ganhou relevância no momento em que João Munhoz Neto foi preso preventivamente pela Polícia Civil, na terça-feira (22).

João foi localizado em Fortaleza e encaminhado para a Delegacia de Capturas e Polinter (DECAP). Ele permaneceu na unidade para a audiência de custódia prevista para esta quarta-feira (23). O horário do procedimento ainda não havia sido definido nas informações divulgadas pela TV Cidade.

A decisão que decretou a prisão preventiva reúne elementos colhidos pela Polícia Civil durante a investigação. Entre as informações consideradas estão depoimentos, dados digitais e circunstâncias relacionadas à relação entre Isabelle e João, além de aspectos investigados após a morte da jovem.

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O inquérito permanece sob sigilo e a prisão preventiva não representa, por si só, uma conclusão sobre a responsabilidade criminal de João pela morte de Isabelle.

A defesa contesta o envolvimento dele na morte e sustenta outra hipótese para a queda. As circunstâncias do episódio continuam sendo investigadas pelas autoridades.

O que aconteceu com Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, no pátio do Condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza. Ela morava no local com João e familiares dele.

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Segundo a perícia, o óbito ocorreu por volta das 20h40. O exame cadavérico apontou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames toxicológicos realizados até então não identificaram substâncias de interesse. A dinâmica que levou à queda, porém, continua sob investigação.

Imagens de segurança analisadas pela Polícia Civil mostram Isabelle chegando ao condomínio no fim da tarde e, posteriormente, seguindo sozinha em direção ao 23º andar. João aparece deixando o local antes do horário estimado da morte e retornando posteriormente, por volta das 22h48.

No dia da morte, Isabelle também manteve contato com a mãe, Isorlanda Caracristi. Por volta das 19h, enviou uma mensagem dizendo “Mãe, eu te amo”. Depois disso, a mãe não conseguiu mais falar com a filha.

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Isorlanda contou que só descobriu a morte no dia seguinte, quando foi ao condomínio acompanhada do filho Rafael Magalhães em busca de informações. A mãe também relatou que tentou entrar em contato com João e acabou bloqueada.

Rafael prestou depoimento à Polícia Civil e relatou informações sobre a irmã e o relacionamento dela. Os depoimentos dos familiares integram a investigação, mas precisam ser considerados junto aos elementos técnicos e às demais testemunhas ouvidas pela polícia.

Após a morte, a Polícia Civil passou a analisar celulares, outros dispositivos eletrônicos, imagens de segurança, vestígios e depoimentos. Até esta quarta-feira (23), a investigação ainda não havia apresentado uma conclusão oficial sobre a dinâmica da queda.

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O áudio relatado pelo primo, assim como os demais dados encontrados nos aparelhos de Isabelle, é tratado como parte desse conjunto de elementos que podem ajudar a esclarecer o que aconteceu nas últimas horas de vida da jovem.


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