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INVESTIGAÇÃO

Caso Isabelle Caracristi: câmera instalada na porta do apartamento foi retirada, aponta investigação

Equipamento particular havia sido instalado na soleira da porta do apartamento onde Isabelle e João moravam; investigadores não conseguiram precisar quando a câmera foi retirada.

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Caso Isabelle Caracristi: câmera instalada na porta do apartamento foi retirada, aponta investigação
Câmera instalada por João na porta do apartamento de Isabelle foi retirada, segundo investigação. Foto: Reprodução

Uma câmera particular instalada na soleira da porta de entrada do apartamento onde Isabelle Caracristi morava com João Munhoz Neto foi retirada do local, segundo informações reunidas pela Polícia Civil durante a investigação sobre a morte da universitária. O equipamento é um dos elementos considerados na apuração que levou à prisão preventiva de João, decretada nessa terça-feira (22).

Leia também: Áudio de Isabelle horas antes da morte relata briga com namorado e pedido de socorro, diz testemunha

Conforme consta na decisão que decretou a prisão preventiva, os investigadores identificaram que a câmera havia sido instalada na entrada do apartamento, mas posteriormente não estava mais no local. Não foi possível determinar o momento exato em que o equipamento foi retirado.

A ausência da câmera passou a ser analisada porque o dispositivo poderia fornecer informações sobre a movimentação na entrada do apartamento e ajudar na reconstrução dos acontecimentos que antecederam a queda de Isabelle. A investigação considera a possibilidade de que a retirada tenha ocorrido depois dos fatos, mas as circunstâncias da remoção ainda precisam ser esclarecidas.

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O equipamento, portanto, aparece como um dos elementos reunidos pela Polícia Civil e analisados no conjunto da investigação. A retirada da câmera não deve ser tratada isoladamente como comprovação de ocultação de provas, nem há informação que permita afirmar, neste momento, quem realizou a remoção.

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Câmera é analisada junto a outros elementos da investigação

A decisão que levou à prisão preventiva de João reúne diferentes informações colhidas pela Polícia Civil durante as diligências.

Além da câmera retirada da entrada do apartamento, os investigadores analisam imagens do sistema de segurança do condomínio, aparelhos celulares, dados periciais, depoimentos de familiares e testemunhas e relatos sobre o relacionamento entre Isabelle e João.

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Também foram consideradas condutas ocorridas depois da morte da jovem, entre elas a limpeza do apartamento, a saída de João e da mãe dele do imóvel durante a madrugada e a posterior colocação do apartamento à venda.

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Esses elementos foram reunidos pela investigação para avaliar a preservação de vestígios e a possibilidade de interferência na apuração.

Celular de Isabelle também é analisado

O celular de Isabelle é outro ponto importante da investigação. O aparelho ficou danificado após a queda, o que dificultou a recuperação integral dos dados.

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Segundo informações que constam na decisão judicial, o relatório técnico de extração identificou registros recuperados por backup até aproximadamente 2h do dia 13 de setembro e informações pendentes nos servidores após o horário estimado da morte, por volta das 20h40.

Com isso, existe um intervalo de quase 19 horas entre os registros recuperados. A ausência de dados nesse período, porém, não permite afirmar isoladamente que houve apagamento intencional de mensagens. Os danos sofridos pelo aparelho também são considerados na análise pericial.

A Polícia Civil continua avaliando os dados extraídos do telefone e outros elementos eletrônicos que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte.

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Depoimentos relatam conflitos e possível violência psicológica

Outro eixo da investigação envolve depoimentos prestados por familiares e pessoas próximas a Isabelle.

Informações que constam na decisão judicial revelam relatos de que a jovem teria enfrentado episódios de ciúme, controle e restrições de contato com familiares e colegas. Um dos depoimentos descreve uma ligação em que Isabelle teria demonstrado sofrimento e, ao fundo, João teria ordenado que ela desligasse o telefone.

Familiares também relataram que Isabelle teria manifestado medo e falado sobre problemas no relacionamento. Entre os elementos citados está o pedido para que pessoas próximas não acreditassem em João caso algo acontecesse com ela.

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As informações são relatos colhidos durante a investigação e incorporados à decisão judicial. A apuração ainda deve avaliar cada elemento e sua relação com a dinâmica da morte.

João foi preso e terá audiência de custódia

João Munhoz Neto foi preso preventivamente nesta terça-feira (22), em Fortaleza. Ele foi localizado em um apartamento na Avenida Santos Dumont e conduzido para uma unidade da Polícia Civil.

A prisão ocorreu após o avanço das diligências relacionadas à morte de Isabelle e a partir da decisão que decretou a prisão preventiva. O caso envolve, conforme os elementos apresentados na investigação, suspeitas relacionadas a violência psicológica contra a mulher e induzimento ou instigação ao suicídio, além de questões relacionadas à preservação da investigação.

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A defesa de João nega envolvimento dele na morte de Isabelle e sustenta que a queda teria ocorrido em um contexto de suicídio. A advogada do investigado também contestou a prisão.

Nesta quarta-feira (23), João deve passar por audiência de custódia. Conforme informações repassadas à TV Cidade, ele permanece na Delegacia de Capturas e Polinter (DECAP) até a realização do procedimento, que deve ocorrer na própria unidade. O horário ainda não havia sido definido.

O que aconteceu com Isabelle

Isabelle Caracristi tinha 22 anos e era estudante de Direito. Ela foi encontrada morta na noite de 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, onde morava com João e familiares dele.

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A ocorrência aconteceu por volta das 20h40. A perícia identificou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo. Os exames toxicológicos realizados não apontaram substâncias de interesse. A dinâmica exata da queda continua sendo investigada.

Imagens do condomínio ajudaram a estabelecer parte da cronologia daquele domingo. Isabelle chegou ao prédio por volta das 17h58, de carro de aplicativo, carregando uma mala. João desceu para recebê-la na portaria e os dois seguiram para o apartamento.

Mais tarde, João saiu do condomínio acompanhado da mãe. Por volta das 19h12, Isabelle apareceu sozinha no elevador e seguiu para o rooftop, no 23º andar. A queda ocorreu aproximadamente uma hora e meia depois. João retornou ao prédio por volta das 22h48, quando a ocorrência já havia sido registrada e equipes estavam no local.

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A família só soube oficialmente da morte no dia seguinte.

A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, relatou que havia conversado com a filha no início da noite. Entre as últimas mensagens recebidas estava “Mãe, eu te amo”. Isabelle também havia enviado uma mensagem relacionada a uma comida que deixara na air fryer.

Depois disso, Isorlanda não conseguiu mais contato com a filha. Na manhã seguinte, tentou falar com João e, segundo o relato divulgado pela família, percebeu que havia sido bloqueada nos canais de comunicação. Sem conseguir informações, foi ao condomínio acompanhada do filho, Rafael Magalhães. A mãe relatou que só naquele momento foi informada pela síndica de que Isabelle havia morrido na noite anterior.

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Rafael também passou a acompanhar as investigações e prestou depoimento à Polícia Civil. A família questionou desde os primeiros dias as circunstâncias da morte e a forma como foi comunicada sobre o ocorrido.

A repercussão aumentou depois que Isorlanda publicou um vídeo nas redes sociais cobrando respostas sobre a morte da filha. A partir dos relatos da família e de outros depoimentos, a Polícia Civil passou a investigar também possíveis episódios de violência psicológica no relacionamento.

O caso segue sob investigação, com análise de imagens, celulares, vestígios periciais e depoimentos. A retirada da câmera instalada na porta do apartamento é mais um dos pontos que ainda precisam ser esclarecidos pelos investigadores, especialmente quanto ao momento e às circunstâncias em que o equipamento deixou de estar no local.

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