João Munhoz Neto afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que o relacionamento amoroso com Isabelle Caracristi começou depois que a estudante passou a trabalhar no escritório de correspondência jurídica Carvalho Advocacia, onde ele atuava como gestor. Segundo a versão apresentada por João, o namoro durou aproximadamente entre 28 e 32 dias, até a morte da estudante.
No depoimento, João disse não saber apontar a data exata em que o relacionamento começou. Ele mencionou os dias 7, 10 ou 12 de agosto de 2026 como possibilidades para o início da relação.
A estimativa apresentada por ele coloca o início do namoro poucas semanas antes da morte de Isabelle, encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, no dia 13 de setembro.
João também negou, durante o depoimento, que tenha cometido assédio, agressões ou ameaças contra Isabelle. A declaração faz parte da versão apresentada por ele à Polícia Civil e é analisada dentro do conjunto de elementos que compõem a investigação.
O relacionamento entre os dois passou a ser um dos pontos considerados pelos investigadores na tentativa de reconstruir os acontecimentos anteriores à morte da estudante.
Como começou o relacionamento entre João Munhoz e Isabelle Caracristi
De acordo com João, ele conheceu Isabelle no ambiente profissional. Ele afirmou que não havia relacionamento amoroso entre os dois antes da contratação da estudante pelo escritório.
Segundo o relato, a aproximação inicialmente ocorreu de maneira profissional e o envolvimento amoroso teria começado somente depois que Isabelle passou a trabalhar no local.
João descreveu a aproximação como rápida e afirmou que teria sido uma iniciativa mútua. No depoimento, ele utilizou a expressão “amor à primeira vista” para caracterizar o início do relacionamento.
Ele também afirmou que procurava manter uma postura profissional no ambiente de trabalho e que os dois tinham conhecimento de que um eventual relacionamento entre colegas poderia gerar dificuldades no escritório.
Ainda segundo o depoimento, João relatou ter recebido advertências relacionadas a experiências anteriores envolvendo casais que trabalhavam juntos. Conforme a versão apresentada por ele, havia casos em que o fim de relacionamentos teria provocado conflitos e divisão entre integrantes do escritório.
O relato foi apresentado por João durante a oitiva e integra os elementos que estão sendo analisados pela Polícia Civil. As declarações do investigado, portanto, fazem parte da investigação e precisam ser confrontadas com os demais depoimentos, registros e materiais obtidos pelos investigadores.
O que João Munhoz declarou sobre a relação com Isabelle
Além de explicar como teria conhecido Isabelle e quando acredita que o relacionamento começou, João foi questionado sobre o ambiente de trabalho compartilhado pelos dois.
Ele afirmou que permaneciam na mesma sala, principalmente, ele, Isabelle, Rubem e outras funcionárias. Segundo o relato, os advogados do escritório atuavam mais externamente.
A descrição do ambiente de trabalho é um dos elementos que ajudam a contextualizar a relação entre os dois antes da morte da estudante. A Polícia Civil busca compreender a rotina do casal, os contatos mantidos entre eles e os acontecimentos registrados nas semanas que antecederam a morte.
João negou que tenha ocorrido assédio. Também rejeitou acusações de agressões ou ameaças contra Isabelle.
As negativas apresentadas no depoimento não encerram a apuração sobre os fatos. A investigação considera diferentes fontes de informação para verificar as circunstâncias do relacionamento e possíveis acontecimentos anteriores à morte.
A análise inclui mensagens, depoimentos, aparelhos eletrônicos e imagens de segurança. O objetivo é confrontar as versões apresentadas pelas pessoas ouvidas com os elementos materiais obtidos durante a investigação.
O caso tramita sob sigilo, o que restringe a divulgação de parte dos elementos reunidos pela Polícia Civil.
Polícia Civil investiga circunstâncias da morte de Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, no bairro Aldeota, em Fortaleza, na noite de 13 de setembro.
Antes da queda, a estudante havia subido sozinha até a área do 23º andar do edifício. A partir da ocorrência, a investigação passou a analisar tanto a dinâmica da queda quanto os acontecimentos que antecederam a morte.
A perícia identificou lesões compatíveis com o impacto contra o solo. Exames toxicológicos realizados no caso não apontaram substâncias de interesse.
O perito-geral Júlio Torres informou que a dinâmica analisada pelos especialistas era compatível com uma precipitação voluntária. Essa conclusão pericial, porém, não encerrou a investigação sobre as circunstâncias que antecederam a morte da estudante.
A Polícia Civil passou a reunir outros elementos para reconstruir a sequência dos acontecimentos e verificar se houve alguma conduta relacionada à morte de Isabelle.
Entre os materiais analisados estão aparelhos eletrônicos, mensagens, depoimentos e imagens de câmeras de segurança. Também são considerados relatos sobre o relacionamento entre Isabelle e João e informações apresentadas por pessoas próximas à estudante.
A investigação apura suspeitas de violência psicológica e de possível induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio. Também há apuração sobre possíveis atos de obstrução da Justiça.
Essas hipóteses ainda estão sob investigação. A existência de uma relação entre João e Isabelle, assim como as circunstâncias em que esse relacionamento ocorreu, é analisada dentro de um conjunto mais amplo de informações.
João Munhoz está preso preventivamente
João Munhoz foi preso preventivamente na terça-feira (22), depois de passar a ser procurado pela Polícia Civil. No dia seguinte, quarta-feira (23), ele passou por audiência de custódia, e a Justiça decidiu manter a prisão preventiva.
Após a decisão, João foi transferido da Delegacia de Capturas para a Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica (UP-TOC), em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Um vídeo registrou o momento em que ele deixou a unidade policial e entrou na viatura que o levou ao presídio.
A prisão preventiva ocorre enquanto a investigação continua. A medida não representa uma condenação e não encerra a apuração sobre a eventual responsabilidade criminal do investigado.
A defesa de João contesta qualquer participação dele na morte de Isabelle.
Com o avanço do inquérito, os investigadores devem continuar confrontando os depoimentos com os dados obtidos durante a apuração. O relacionamento entre João e Isabelle, a rotina dos dois, as mensagens trocadas, os registros eletrônicos e as imagens de segurança estão entre os elementos considerados para esclarecer o que ocorreu antes da morte.
A investigação permanece em andamento e sob sigilo judicial. Por isso, novas informações poderão ser incorporadas ao caso à medida que as diligências avancem e os elementos sejam analisados pelas autoridades.




