A frase “não acredite nele”, atribuída a Isabelle Caracristi em um depoimento prestado à Polícia Civil, aparece entre os elementos reunidos durante a investigação que levou à prisão preventiva de João Munhoz Neto. Segundo o primo da jovem, Alessandro Ferreira Caracristi, ela havia relatado conflitos com o namorado e fez o alerta durante uma conversa antes da morte.
O relato de Alessandro integra o conjunto de informações colhidas pela Polícia Civil e considerado na decisão que decretou a prisão preventiva de João. A decisão reúne depoimentos e outros elementos da investigação, mas a frase atribuída a Isabelle não representa, isoladamente, uma conclusão sobre a dinâmica da morte.
O que Isabelle teria dito ao primo sobre João
Segundo Alessandro, cerca de uma semana antes da morte, Isabelle ligou para o primo e contou que não suportava mais a relação com João por causa de comportamentos que, segundo ela, envolviam ciúmes e restrições ao contato com colegas e familiares.
Durante essa ligação, o primo afirmou ter ouvido a voz de João ao fundo. Conforme o depoimento, ele teria ordenado que Isabelle desligasse o telefone.
Ainda segundo Alessandro, a jovem disse que pretendia denunciar João na Justiça do Trabalho e fez um alerta ao familiar para que não acreditasse no namorado. A frase passou a ser citada entre os elementos relacionados à relação do casal analisados pela investigação.
O mesmo depoimento também relata um áudio enviado por Isabelle ao primo aproximadamente duas horas antes da morte. A gravação teria cerca de 16 minutos e, conforme Alessandro, registrava uma discussão com João. A jovem teria afirmado que estava sendo ameaçada e pedido que o conteúdo fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.
Os relatos são atribuídos à testemunha e fazem parte da apuração. A Polícia Civil ainda investiga as circunstâncias que antecederam a queda de Isabelle e não apresentou uma conclusão definitiva sobre a dinâmica do episódio.
Mensagem foi considerada entre os elementos da investigação
A decisão que decretou a prisão preventiva de João reúne informações colhidas pelos investigadores ao longo do inquérito. Entre os elementos estão depoimentos de familiares e outras testemunhas, dados de aparelhos eletrônicos e informações relacionadas ao relacionamento entre Isabelle e João.
De acordo com informações divulgadas sobre a investigação, a Polícia Civil apura relatos de comportamentos de controle e vigilância na relação. A análise de mensagens do celular também identificou conteúdos relacionados à convivência do casal e às dificuldades relatadas por Isabelle.
A perícia ainda encontrou uma lacuna de quase 19 horas nos dados recuperados do celular da jovem. O intervalo vai aproximadamente das 2h da madrugada de 13 de setembro até o horário estimado da morte, por volta de 20h40. O aparelho foi danificado com a queda, e a ausência de registros nesse período não permite, sozinha, afirmar que mensagens foram apagadas ou adulteradas.
A investigação também analisa imagens das câmeras de segurança do condomínio, outros aparelhos eletrônicos e vestígios coletados durante as perícias.
João Munhoz Neto foi preso preventivamente
João Munhoz Neto foi preso preventivamente pela Polícia Civil na terça-feira (22), durante o avanço das investigações sobre a morte de Isabelle.
Após ser localizado em Fortaleza, ele foi encaminhado para a Delegacia de Capturas e Polinter (DECAP), onde permaneceu para a audiência de custódia prevista para esta quarta-feira (23). O procedimento está relacionado à prisão e não representa, por si só, uma definição sobre a responsabilidade criminal de João pela morte da jovem.
As informações reunidas na decisão judicial incluem elementos obtidos pela Polícia Civil durante a investigação. Entre eles estão os relatos sobre a relação entre Isabelle e João, depoimentos, informações extraídas de aparelhos e circunstâncias posteriores à morte.
A defesa de João contesta o envolvimento dele na morte de Isabelle. As circunstâncias da queda continuam sendo investigadas, enquanto a análise dos elementos técnicos e dos depoimentos prossegue.
O que aconteceu com Isabelle Caracristi
Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta no dia 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, onde morava com João e familiares dele.
Segundo a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), o óbito ocorreu por volta das 20h40. O exame cadavérico apontou politraumatismo e lesões compatíveis com o impacto contra o solo. Os exames toxicológicos realizados até então não identificaram substâncias de interesse. A dinâmica que levou à queda permanece sob investigação.
Imagens de segurança analisadas pela Polícia Civil mostram Isabelle chegando ao condomínio no fim da tarde e, posteriormente, seguindo sozinha em direção ao 23º andar. João aparece deixando o local antes do horário estimado da morte e retornando posteriormente, por volta das 22h48.
No mesmo dia, Isabelle manteve contato com a mãe, Isorlanda Caracristi. Por volta das 19h, enviou uma mensagem dizendo “Mãe, eu te amo”. Depois disso, a mãe não conseguiu mais falar com a filha.
Isorlanda relatou que só descobriu a morte no dia seguinte, quando foi ao condomínio acompanhada do filho Rafael Magalhães em busca de informações. A mãe também contou que tentou entrar em contato com João após perceber que não conseguia falar com a filha e que acabou bloqueada.
Rafael também prestou depoimento à Polícia Civil e falou sobre a irmã e sobre situações relacionadas ao relacionamento dela. Os relatos dos familiares integram a investigação e são analisados em conjunto com os elementos técnicos e demais depoimentos.
Após a morte, a Polícia Civil passou a analisar celulares, outros dispositivos eletrônicos, imagens de segurança, vestígios e depoimentos. Até esta quarta-feira (23), a investigação ainda não havia apresentado uma conclusão oficial sobre a dinâmica da queda.
A frase atribuída a Isabelle — “não acredite nele” — e o áudio relatado pelo primo fazem parte desse conjunto de informações que os investigadores analisam para reconstruir as últimas horas da jovem e esclarecer as circunstâncias de sua morte.




