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INVESTIGAÇÃO

Perícia aponta lacuna de quase 19 horas em dados do celular de Isabelle Caracristi

Relatório técnico identificou ausência de registros entre a madrugada e o horário estimado da morte da jovem; aparelho foi danificado após a queda e é analisado pela Polícia Civil

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Perícia aponta lacuna de quase 19 horas em dados do celular de Isabelle Caracristi
Dados do celular de Isabelle têm intervalo de quase 19 horas antes da queda. Foto: Reprodução

A perícia identificou uma lacuna de quase 19 horas nos dados recuperados do celular de Isabelle Caracristi, estudante de Direito de 22 anos encontrada morta após cair do 23º andar de um condomínio na Aldeota, em Fortaleza. O intervalo compreende o período entre aproximadamente 2h da madrugada de 13 de setembro e o horário estimado da morte, por volta de 20h40.

Leia também: Áudio de Isabelle horas antes da morte relata briga com namorado e pedido de socorro, diz testemunha

A ausência de registros nesse período é um dos elementos analisados pela Polícia Civil para tentar reconstruir as últimas horas de Isabelle. O dado, por si só, não permite afirmar que houve apagamento de mensagens ou interferência no aparelho, já que o celular foi fisicamente danificado após a queda e passou por procedimentos de extração e recuperação de informações.

Perícia identificou intervalo sem registros no celular

O levantamento técnico encontrou dados disponíveis até aproximadamente 2h do dia 13 de setembro. Depois desse horário, há um intervalo sem informações recuperadas até o período posterior às 20h40, quando ocorreu a morte de Isabelle.

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Segundo os dados analisados pela perícia, parte das informações foi obtida a partir de backup do aparelho. Também havia dados que dependiam de disponibilização pelo servidor. O celular, além disso, sofreu danos físicos com a queda, o que tornou a recuperação das informações um dos pontos da investigação.

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Na prática, os investigadores buscam entender se o intervalo representa apenas uma ausência de registros recuperáveis ou se há informações que ainda podem ser obtidas por meio de outras fontes técnicas.

O período é considerado relevante porque corresponde justamente às horas que antecederam a queda. Por isso, a Polícia Civil cruza os dados do telefone com imagens de câmeras, depoimentos e outros elementos reunidos durante a investigação.

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Áudios e mensagens também são analisados

O celular de Isabelle também reúne mensagens e áudios que passaram a ser considerados na apuração sobre a relação dela com João Munhoz Neto.

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Um dos elementos citados na investigação é um áudio enviado por Isabelle ao primo Alessandro Ferreira Caracristi cerca de duas horas antes da morte. Conforme o depoimento dele, a jovem relatou uma discussão com João, afirmou que havia sido ameaçada e pediu que o conteúdo fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.

O primo também relatou aos investigadores que Isabelle já havia falado anteriormente sobre conflitos no relacionamento e que reclamava de comportamentos de ciúme e controle.

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Outras mensagens analisadas pela Polícia Civil também são apontadas como indicativas de conflitos na relação. Esses conteúdos integram a investigação e são considerados em conjunto com os demais elementos, sem que, isoladamente, determinem o que aconteceu no momento da queda.

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Investigação também analisa outros aparelhos e imagens

A análise do celular de Isabelle ocorre paralelamente à perícia em outros dispositivos eletrônicos e às imagens de segurança do condomínio.

A Polícia Civil também apreendeu um celular e um tablet pertencentes à mãe de João, Sara Regina Alexandre Munhoz, durante uma operação realizada em Cumbuco, Caucaia. Os aparelhos foram encaminhados para análise pericial.

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Além dos dispositivos, os investigadores analisam imagens das câmeras do condomínio e outros vestígios coletados durante as perícias. A Secretaria da Segurança Pública informou que aparelhos eletrônicos, imagens e depoimentos continuam fazendo parte da apuração.

A combinação dessas informações é importante para tentar estabelecer a sequência de acontecimentos antes e depois da morte de Isabelle. Até o momento, a dinâmica da queda não foi oficialmente esclarecida.

João Munhoz Neto foi preso preventivamente

A análise dos elementos digitais ocorre após uma mudança importante no caso. João Munhoz Neto, namorado de Isabelle, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na terça-feira (22), durante o avanço das investigações.

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Ele foi localizado em Fortaleza e encaminhado para a Delegacia de Capturas e Polinter (DECAP), onde permaneceu à espera da audiência de custódia marcada para esta quarta-feira (23). O procedimento não define, por si só, a responsabilidade criminal de João pela morte de Isabelle.

A decisão que decretou a prisão preventiva reúne elementos colhidos pela Polícia Civil durante a investigação. Entre eles estão informações sobre a relação entre Isabelle e João, depoimentos, dados digitais e possíveis interferências na preservação de elementos considerados relevantes para a apuração.

A defesa de João contesta o envolvimento dele na morte e sustenta que a queda pode ter ocorrido por suicídio. A investigação, contudo, ainda não apresentou uma conclusão oficial sobre a dinâmica da morte.

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O que aconteceu com Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi encontrada morta na noite de domingo, 13 de setembro, no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, onde morava com João e familiares dele.

A perícia apontou politraumatismo e lesões compatíveis com o impacto contra o solo. Os exames toxicológicos realizados até então não identificaram substâncias de interesse no organismo da jovem. A causa física da morte está relacionada aos traumas provocados pela queda, mas a dinâmica que levou ao episódio ainda é investigada.

Imagens de segurança analisadas pela Polícia Civil mostram Isabelle chegando ao condomínio no fim da tarde. Posteriormente, ela aparece seguindo sozinha em direção ao último andar do edifício, onde ficava a área de onde ocorreu a queda. João aparece deixando o local antes do horário estimado da morte e retornando posteriormente.

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A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, contou que manteve contato com a filha no dia da morte. Por volta das 19h, Isabelle enviou uma mensagem dizendo “Mãe, eu te amo”. Depois disso, a mãe não conseguiu mais falar com a jovem. No dia seguinte, diante da falta de informações, Isorlanda foi ao condomínio acompanhada do filho Rafael Magalhães e descobriu que Isabelle havia morrido.

A mãe também relatou ter sido bloqueada por João após tentar entrar em contato com ele e questionou a demora para que a família fosse informada sobre a morte da filha.

Rafael também prestou depoimento e falou sobre o relacionamento da irmã e sobre situações que, segundo a família, indicavam comportamento controlador. Esses relatos fazem parte do conjunto de informações consideradas na investigação, mas não representam, isoladamente, uma conclusão sobre a responsabilidade pela morte.

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A Polícia Civil continua analisando celulares, outros dispositivos eletrônicos, imagens de segurança, vestígios e depoimentos. A perícia também segue com exames complementares. O caso permanece sob investigação, e a lacuna identificada nos dados do celular é mais um elemento que pode ajudar a esclarecer o que aconteceu nas horas que antecederam a morte de Isabelle.


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