Astrônomos identificaram pela primeira vez uma emissão de rádio localizada diretamente em um planeta fora do Sistema Solar. O sinal foi detectado no exoplaneta Beta Pictoris b, um gigante gasoso localizado a pouco mais de 63 anos-luz da Terra.
A descoberta foi apresentada por uma equipe internacional liderada pelo pesquisador Kevin Ortiz Ceballos, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. O estudo utilizou o conjunto de radiotelescópios MeerKAT, instalado na África do Sul.
O planeta, descoberto em 2008, já era conhecido por ter sido um dos primeiros exoplanetas fotografados diretamente. Agora, ele chamou a atenção dos pesquisadores por outro motivo: os equipamentos registraram emissões de rádio que foram associadas ao próprio planeta, e não à estrela que ele orbita.
Não é uma mensagem de extraterrestres
Apesar de a descoberta envolver um sinal vindo de outro sistema planetário, os pesquisadores não encontraram evidências de uma comunicação produzida por uma civilização extraterrestre.
A emissão está relacionada a um fenômeno natural semelhante às auroras que acontecem na Terra e que também produzem ondas de rádio em planetas do Sistema Solar, como Júpiter.
Segundo o estudo, as ondas foram produzidas por partículas energéticas interagindo com o campo magnético de Beta Pictoris b. Os pesquisadores identificaram rajadas rápidas e recorrentes, além de uma emissão persistente, em frequências entre 0,85 e 3,5 gigahertz.
Campo magnético muito intenso
A observação também abriu uma nova possibilidade para estudar a estrutura desses mundos distantes. A frequência máxima das emissões de rádio está relacionada à intensidade do campo magnético que as produz.
A partir dos dados, os pesquisadores estimaram um campo magnético de pelo menos 1,25 quilogauss na região do planeta onde a emissão se origina. O resultado representa a primeira medição direta da intensidade do campo magnético de um exoplaneta, segundo os autores do estudo.
Para os astrônomos, a técnica pode ajudar a compreender melhor como funcionam os campos magnéticos de planetas que estão fora do Sistema Solar e como eles interagem com as partículas emitidas por suas estrelas.
A descoberta foi apresentada em um estudo disponibilizado em setembro de 2026 e ainda representa uma nova janela de investigação sobre planetas distantes.




