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INVESTIGAÇÃO

15 dias após morte de Isabelle Caracristi, polícia já ouviu 20 pessoas e analisa 700 horas de imagens

Investigação sobre a morte da estudante de 22 anos reúne depoimentos de familiares, amigos e pessoas ligadas ao condomínio; perícia também analisa centenas de horas de imagens

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15 dias após morte de Isabelle Caracristi, polícia já ouviu 20 pessoas e analisa 700 horas de imagens
Caso Isabelle: Polícia já ouviu 20 pessoas e analisa 700 horas de imagens. Foto: Reprodução

Quinze dias após a morte de Isabelle Caracristi, a Polícia Civil do Ceará já ouviu pelo menos 20 pessoas na investigação. Entre os depoentes mais recentes estão uma mulher que manteve relacionamento com João Munhoz Neto, a diarista que trabalhava no apartamento da família dele, além de pessoas ligadas ao condomínio.

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A investigação também avançou na análise das imagens de segurança. Mais de 700 horas de gravações foram examinadas para reconstruir a movimentação no edifício no dia 13 de setembro. Os registros indicam que João não estava no imóvel no momento exato da queda, mas não há imagens do instante da morte porque o rooftop não possuía câmera.

Polícia já ouviu pelo menos 20 pessoas

As oitivas começaram na semana seguinte à morte de Isabelle e foram ampliadas conforme novas informações surgiram durante a investigação.

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Entre as pessoas ouvidas estão familiares da estudante, familiares de João, amigos, moradores e funcionários do condomínio, além de pessoas que tiveram algum tipo de relação com os dois.

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A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, e o irmão da jovem, Rafael Magalhães, prestaram depoimento nos primeiros dias dessa nova etapa de oitivas. João também foi ouvido pelos investigadores antes de ser preso preventivamente.

Nos últimos dias, a Polícia Civil ouviu ainda o ex-namorado de Isabelle, a síndica do condomínio e a diarista que trabalhava no apartamento da família de João. Uma mulher que manteve relacionamento com João também prestou depoimento.

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A ampliação das oitivas ocorre enquanto os investigadores cruzam as versões apresentadas pelas testemunhas com imagens de segurança, dados de celulares, perícias e outros elementos reunidos no inquérito.

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Mulher que se relacionou com João presta depoimento

Uma das novas testemunhas ouvidas foi uma mulher que manteve relacionamento com João. Ela relatou à Polícia Civil que permaneceu com ele durante o período em que o investigado afirmou estar em uma celebração religiosa na noite em que Isabelle morreu.

O relato integra a apuração sobre a cronologia apresentada por João aos investigadores. A informação, porém, é tratada como depoimento testemunhal e será analisada em conjunto com os demais elementos da investigação.

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João havia declarado que estava em uma celebração religiosa no período em que Isabelle caiu do rooftop. As imagens de segurança analisadas pela Polícia Civil também são usadas para reconstruir os horários de deslocamento do investigado.

Diarista diz que não presenciou brigas entre Isabelle e João

A diarista que prestava serviços no apartamento da família Munhoz também foi ouvida. Segundo o depoimento, ela afirmou nunca ter presenciado discussões, brigas ou comportamentos que considerasse anormais entre Isabelle e João.

A testemunha também relatou a existência de câmeras no imóvel e afirmou que não realizou a limpeza do apartamento após a morte. A advogada que acompanhou o depoimento negou que a mulher tenha recebido alguma orientação para alterar a cena do local.

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O relato é considerado pela Polícia Civil junto com outros depoimentos que descrevem a relação entre Isabelle e João de maneira diferente. Por isso, a investigação busca confrontar as versões apresentadas por pessoas que conviviam com o casal.

Polícia analisa mais de 700 horas de imagens

As câmeras de segurança são utilizadas para reconstruir a movimentação de Isabelle, João e de outras pessoas no condomínio no dia da morte.

Mais de 700 horas de gravações foram analisadas pela Polícia Civil. O material permitiu estabelecer horários de entrada, saída e circulação pelo edifício e, segundo as informações divulgadas pelas autoridades, indica que João não estava no imóvel no momento exato da queda.

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Existe, porém, uma limitação importante: o rooftop, localizado no 23º andar, não possuía câmera de segurança. Assim, não há uma gravação direta do momento em que Isabelle caiu.

As imagens são utilizadas para reconstruir os momentos anteriores e posteriores ao episódio. A Polícia Civil também cruza esses registros com depoimentos e dados extraídos de aparelhos eletrônicos.

Perícia aponta precipitação voluntária, mas investigação continua

A análise das imagens ocorre paralelamente às perícias realizadas no caso.

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A Perícia Forense do Estado do Ceará apontou lesões compatíveis com o impacto contra o solo e, posteriormente, as informações técnicas passaram a indicar uma precipitação voluntária.

O delegado-geral da Polícia Civil, Márcio Gutiérrez, afirmou que essa conclusão técnica não encerra a investigação. Segundo ele, continuam sendo analisadas outras possibilidades, incluindo eventual induzimento ou instigação ao suicídio, além de possíveis circunstâncias relacionadas à violência psicológica.

A Polícia Civil também apura o que aconteceu nas horas que antecederam a morte, quem esteve no ambiente, os horários de permanência e saída de João e outras informações que possam ajudar a esclarecer o caso.

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João segue preso preventivamente

João Munhoz Neto foi preso preventivamente em 22 de setembro, após a Polícia Civil avançar na investigação. A prisão foi mantida na audiência de custódia realizada no dia seguinte.

Ele permanece preso enquanto o inquérito continua. A investigação trata João como suspeito de crimes relacionados ao caso, incluindo induzimento ao suicídio e violência psicológica, mas ainda não há conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal.

O delegado-geral afirmou que o indiciamento somente poderá ser definido ao final da investigação, depois da análise dos depoimentos, dos dados dos celulares, das imagens e dos demais elementos reunidos.

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Os procedimentos judiciais relacionados ao caso tramitam em segredo de Justiça.

Investigação ainda analisa celulares e outros elementos

Além dos depoimentos e das imagens, a Polícia Civil continua analisando informações extraídas de celulares e outros aparelhos.

Entre os elementos já investigados estão mensagens enviadas por Isabelle, um áudio de aproximadamente 16 minutos encaminhado ao primo Alessandro e uma lacuna de quase 19 horas nos dados recuperados do celular da jovem.

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A investigação também identificou a retirada de uma câmera que havia sido instalada na entrada do apartamento onde Isabelle e João moravam. O equipamento passou a ser considerado nas diligências, mas não há conclusão pública de que sua retirada tenha ocorrido com o objetivo de eliminar provas.

O conjunto dessas informações é analisado pelos investigadores para reconstruir as últimas horas da estudante e esclarecer as circunstâncias que antecederam a queda.

Relembre o caso Isabelle Caracristi

Isabelle Caracristi tinha 22 anos, era estudante de Direito e foi encontrada morta no pátio do condomínio La Piazza, na Aldeota, em Fortaleza, em 13 de setembro. Ela morava no local com João Munhoz Neto e familiares dele.

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Segundo a cronologia estabelecida a partir das imagens, Isabelle chegou ao condomínio por volta das 17h58. João foi encontrá-la e os dois seguiram para o apartamento. Mais tarde, ele deixou o imóvel. Por volta das 19h12, Isabelle apareceu sozinha no elevador e seguiu para o 23º andar.

A morte ocorreu por volta das 20h40. João retornou ao condomínio mais tarde, quando equipes da perícia já estavam no local.

A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, contou que manteve contato com a filha no dia da morte. Segundo ela, Isabelle reclamou de dores no pescoço e, no fim da tarde, foi para o condomínio. Por volta das 19h, enviou à mãe a mensagem “Mãe, eu te amo”.

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A família só descobriu a morte no dia seguinte, depois de tentar localizar Isabelle. Isorlanda foi ao condomínio acompanhada do filho Rafael, que também prestou depoimento durante a investigação.

Outro elemento analisado pela Polícia Civil é um áudio enviado por Isabelle ao primo Alessandro horas antes da morte. Segundo o depoimento dele, a jovem relatou uma discussão com João, falou sobre ameaças e pediu que a gravação fosse entregue à polícia caso algo acontecesse com ela.

Mensagens e outros dados do celular também passaram a integrar a investigação. A análise identificou um intervalo de quase 19 horas sem registros recuperados entre a madrugada e o horário estimado da morte.

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A perícia apontou lesões compatíveis com o impacto da queda e as informações técnicas passaram a indicar precipitação voluntária. Ainda assim, conforme afirmou o delegado-geral Márcio Gutiérrez, a Polícia Civil mantém a investigação aberta para esclarecer todas as circunstâncias do caso.

João foi preso preventivamente em 22 de setembro e teve a prisão mantida na audiência de custódia. Com pelo menos 20 pessoas ouvidas e mais de 700 horas de imagens analisadas, a Polícia Civil continua reunindo elementos antes de concluir o inquérito.


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