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"Feito Pipa", filme cearense que representa o Brasil na corrida pelo Oscar, foi gravado em Quixadá

Dirigido por Allan Deberton, longa nasceu de projeto desenvolvido no Porto Iracema das Artes e conta uma história ambientada no sertão central do Ceará

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"Feito Pipa", filme cearense que representa o Brasil na corrida pelo Oscar, foi gravado em Quixadá
A trama acompanha Gugu, interpretado pelo jovem Yuri Gomes, um menino de quase 12 anos apaixonado por futebol e dança. Foto: Divulgação / Paris Filmes

O sertão central do Ceará é o cenário de uma história que agora atravessa as fronteiras do estado. Gravado em Quixadá, Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton, leva para as telas personagens, relações familiares e elementos ao cotidiano cearense, representando o Brasil na corrida por uma vaga no Oscar 2027.

A trajetória do longa começou ainda no Ceará, a partir de um projeto desenvolvido no Laboratório Cena 15, do Porto Iracema das Artes, em Fortaleza. O filme posteriormente passou por diferentes espaços de formação e debate e chegou a festivais no Brasil e no exterior, onde recebeu prêmios. A produção foi premiada, entre outros reconhecimentos, no Festival Internacional de Cinema de Berlim e no Festival de Cinema de Gramado.

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Para Bete Jaguaribe, diretora do Porto Iracema das Artes, a trajetória da produção representa também a possibilidade de histórias e características culturais do estado alcançarem públicos de outros países.

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“Nossos territórios, nossas imagens, nossa gente, nosso sotaque, nossas histórias sendo aplaudidas em países que não têm muita relação cultural direta com a gente, mas que têm uma sensibilidade de reconhecer uma obra de arte de qualidade.”

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Quixadá é cenário da história de Gugu

A narrativa de Feito Pipa acompanha Gugu, interpretado pelo jovem Yuri Gomes, um menino de quase 12 anos que vive no sertão do Ceará com a avó Dilma, personagem de Teca Pereira.

Apaixonado por futebol e dança, o garoto cresceu em um ambiente descrito como livre e afetuoso. A rotina começa a mudar diante da possibilidade de ele passar a morar com o pai, Batista, interpretado por Lázaro Ramos.

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A relação entre pai e filho é marcada por ausências, expectativas e afetos que não chegaram a ser plenamente expressos. A possibilidade de uma mudança na vida de Gugu faz com que ele tenha de lidar com transformações importantes.

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A escolha de Quixadá como local das gravações coloca o sertão cearense no centro da narrativa. É nesse ambiente que a história de Gugu, da avó Dilma e de Batista se desenvolve.

Além de Lázaro Ramos, Yuri Gomes e Teca Pereira, o elenco reúne Georgina Castro, de O Céu de Suely, e Carlos Francisco, de O Agente Secreto. A produção também conta com Luan Vasconcelos, Beatriz Carwile, Nathyel Martins, Manuela Paulino, Pablo Vinícios e Enzo Uejo.

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Filme nasceu de um projeto desenvolvido no Ceará

Antes de chegar a Quixadá para as filmagens, Feito Pipa percorreu uma etapa de desenvolvimento dentro do próprio Ceará. O roteiro é de André Araújo e passou pelo Laboratório Cena 15, iniciativa do Porto Iracema das Artes.

Bete Jaguaribe também destaca a dimensão afetiva da produção, especialmente a relação entre Gugu e a avó:

“O Feito Pipa é um filme que é muito afetivo. Ele é um filme sobre família. Ele é um filme sobre o amor de um neto com uma avó e vice-versa. Ele é um filme que reúne um elenco infantil cheio de graça, que faz a gente rir, faz a gente se identificar, faz a gente pensar nas crianças das nossas famílias, faz a gente pensar nos nossos familiares.”

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A produção é assinada pela Deberton Filmes e pela Biônica Filmes. Para chegar ao elenco infantil, houve uma seleção que envolveu mais de 700 crianças.

Luciana Vieira, diretora assistente e produtora de elenco, participou diretamente desse processo e ressalta a construção coletiva do longa.

“É uma obra que é feita por muitas mãos, que tem muitos olhares artísticos que se somam. O roteiro é do André Araújo, a direção é do Allan Deberton. Eu estava ali, especificamente, muito próxima do elenco infantil. A gente teve um processo de seleção de elenco de mais de 700 crianças que se propuseram, que desejariam estar naquele processo.”

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Cultura cearense ganha espaço na produção

Para Georgina Castro, a ligação de Feito Pipa com o Ceará vai além do local onde as cenas foram realizadas. A atriz considera que a trajetória do longa amplia a visibilidade da produção artística do estado.

“O Ceará ser indicado como filme representante, pra mim, já é uma enorme conquista. Nós nunca tivemos um filme cearense antes sendo representante do Oscar de filme internacional brasileiro. Então isso eu acho uma conquista incrível, porque eu acho que o filme vai abrir uma visibilidade muito maior e trazer todo o país pra torcer junto. E eu acredito muito nessa corrente de força, de fé”, disse ela ao falar com a TV Cidade Fortaleza.

A atriz também relaciona o percurso do filme ao processo de formação iniciado no Ceará e à importância de iniciativas voltadas à produção cultural.

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“Essa configuração é muito importante porque ela potencializa a produção artística do estado. E é uma honra ter um projeto que partiu aqui do Porto Iracema das Artes, enfrentou uma trajetória de aperfeiçoamento em outros espaços de debate, de formação. E, na verdade, é uma confirmação de que o investimento em políticas culturais tem resultado.”

A presença do sotaque, das paisagens, das relações familiares e de personagens inseridos no cotidiano do sertão faz com que o Ceará não apareça apenas como cenário da produção. A história é construída a partir desse território e das relações que seus personagens estabelecem dentro dele.

“Feito Pipa” chega aos cinemas em novembro

Depois da passagem por festivais, Feito Pipa tem estreia nacional prevista para 5 de novembro em todos os cinemas, com distribuição da Paris Filmes.

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O longa foi escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2027. A produção será inscrita na categoria de Melhor Filme Internacional da 99ª edição da premiação.

A seleção brasileira ocorreu entre seis filmes pré-selecionados. Além de Feito Pipa, estavam na disputa 100 Dias, de Carlos Saldanha; Vicentina Pede Desculpas, de Gabriel Martins; A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; e Nosso Segredo, de Grace Passô.

A produção ainda precisa passar pelas etapas seguintes da seleção internacional. A previsão apresentada é de uma lista com 15 pré-finalistas em dezembro, da qual sairão os cinco filmes que disputarão o Oscar de Melhor Filme Internacional.

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A cerimônia da 99ª edição está marcada para 14 de março de 2027, no Dolby Theatre, em Hollywood. A transmissão ao vivo está prevista para começar às 20h, no horário de Brasília, com exibição em mais de 200 territórios.


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