Francisco Iago Silva Moreira Castro foi condenado a 39 anos e 11 meses de prisão pelas mortes das irmãs Bianca dos Santos, de 15 anos, conhecida como Bia, e Maria Beatriz dos Santos, de 20 anos. A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença da 6ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza durante julgamento realizado nesta quinta-feira (1º), no Fórum Clóvis Beviláqua.
A sentença considerou Francisco Iago culpado por dois homicídios triplamente qualificados e pelo crime de integrar organização criminosa. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Ele também foi condenado a pagar R$ 40.500 em indenização por danos morais à família das vítimas.
Durante o julgamento, o réu negou envolvimento nas mortes. De acordo com o Diário do Nordeste, Francisco Iago afirmou que havia sido abordado no dia do crime, mas que nenhum material ilícito teria sido encontrado com ele e que não teria motivo para matar as jovens.
Réu é condenado pelas mortes das irmãs em Fortaleza
O julgamento analisou a participação de Francisco Iago no assassinato das duas irmãs, ocorrido em maio de 2025. O Ministério Público do Ceará sustentou a acusação durante os debates realizados no Tribunal do Júri. Ao final da sessão, os jurados decidiram pela condenação pelos dois homicídios e pela integração a organização criminosa. A pena definida pelo Judiciário foi de 39 anos e 11 meses de reclusão, além da indenização estabelecida na sentença.
O processo também envolveu outro denunciado, Nilson Rodrigues Barbosa. Ele não foi submetido ao julgamento popular nesta etapa porque foi impronunciado pela Justiça, decisão que impede, naquele momento, que seja levado ao Tribunal do Júri pelos crimes pelos quais havia sido denunciado.
Como aconteceu o crime na Barra do Ceará
Bianca e Maria Beatriz foram mortas a tiros em 1º de maio de 2025, na região do Espigão da Vila do Mar, na Barra do Ceará, em Fortaleza. As irmãs haviam ido ao local depois de receberem um convite para assistir ao pôr do sol. De acordo com a investigação e com a acusação apresentada no processo, os criminosos chegaram à região em uma embarcação e efetuaram disparos contra as jovens.
A dinâmica do crime chamou atenção pela violência do ataque e pela repercussão das vítimas nas redes sociais. Bianca e Maria Beatriz produziam vídeos para plataformas digitais e mantinham perfis com grande alcance. As circunstâncias apontadas pela investigação foram posteriormente discutidas no processo judicial que resultou na condenação de Francisco Iago.
O que a acusação sustentou sobre a motivação do crime
Segundo a investigação da Polícia Civil e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o duplo homicídio estaria inserido em uma disputa territorial entre grupos criminosos rivais. A acusação apontou uma possível relação do crime com o namorado de Bianca, Antônio Victor de Araújo, conhecido como “Moskou”. Conforme a tese apresentada no processo, os criminosos teriam ido ao local à procura dele quando encontraram as irmãs.
Ainda segundo a acusação, os disparos que atingiram Bianca e Maria Beatriz ocorreram nesse contexto. Essa versão integrou a narrativa apresentada pelo Ministério Público no processo, enquanto Francisco Iago negou participação no assassinato. Antônio Victor posteriormente foi preso e se tornou réu em outro processo relacionado a um ataque ocorrido depois da morte das irmãs. A investigação tratou o episódio como possível retaliação ao duplo homicídio.
Quem eram as irmãs influenciadoras
Bianca e Maria Beatriz ganharam notoriedade nas redes sociais com vídeos que retratavam situações do cotidiano e histórias envolvendo moradores de comunidades e periferias. Parte do conteúdo era publicada no Kwai, plataforma na qual as irmãs alcançaram milhões de visualizações. Elas também mantinham perfis no Instagram e compartilhavam momentos da rotina e produções voltadas ao público que acompanhava o trabalho das duas.
Reportagens publicadas após o crime apontaram que Bianca e Maria Beatriz reuniam mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. Entre os conteúdos publicados pelas irmãs também havia divulgação de plataformas de jogos de azar conhecidas popularmente como “jogo do tigrinho”.
Como foi o julgamento de Francisco Iago
O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (1º), no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. Durante a sessão, o Ministério Público dispensou os depoimentos das testemunhas em plenário e, posteriormente, Francisco Iago foi interrogado.
Na etapa de debates, acusação e defesa apresentaram seus argumentos aos jurados. O réu sustentou não ter participado do assassinato das irmãs. Depois das manifestações das partes, o Conselho de Sentença decidiu pela condenação de Francisco Iago pelos dois homicídios triplamente qualificados e pelo crime de integrar organização criminosa. A sentença fixou 39 anos e 11 meses de reclusão, em regime inicialmente fechado, além do pagamento de R$ 40.500 à família de Bianca e Maria Beatriz por danos morais.




