A mulher agredida pelo lutador de jiu-jítsu Dominick Costa Melo no bairro Praia do Futuro, em Fortaleza, compareceu à delegacia e formalizou uma representação criminal contra o investigado. O caso é apurado pela Polícia Civil do Ceará e envolve suspeita de lesão corporal e de dano qualificado.
A vítima prestou depoimento na 15ª Delegacia de Polícia Civil, no bairro Cidade 2000, unidade responsável pela investigação. Com a nova oitiva, seis pessoas já foram ouvidas no procedimento, entre as duas pessoas envolvidas diretamente no episódio e testemunhas que estavam ou moram no residencial onde a agressão aconteceu.
As imagens das câmeras de segurança registraram parte da violência e continuam circulando nas redes sociais. O vídeo mostra uma sequência de agressões físicas contra a mulher, com socos e chutes, além de momentos em que ela tenta se afastar do homem.
Vítima formalizou denúncia na delegacia
A representação feita pela mulher agora integra as informações reunidas pela Polícia Civil desde o início da investigação. Antes de comparecer à unidade, Dominick Costa Melo também havia prestado depoimento.
Nas primeiras diligências, foram ouvidos a proprietária do residencial, o zelador e uma moradora. Depois, a vítima esteve na delegacia acompanhada de um advogado. Outra pessoa que reside no local também prestou depoimento, enquanto o investigado já havia sido ouvido pela autoridade policial.
Com a continuidade das oitivas, o número de pessoas ouvidas chegou a seis. A Polícia Civil ainda procura outras testemunhas que possam contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos e as circunstâncias que antecederam a agressão.
A investigação tramita na 15ª Delegacia de Polícia Civil e ainda não foi concluída. A corporação trabalha na coleta de novos depoimentos, imagens e outros elementos que possam ajudar a esclarecer o episódio.
Imagens mostram agressões e momentos anteriores ao ataque
A agressão aconteceu na segunda-feira (28), na Praia do Futuro. As câmeras de segurança registraram o momento em que Dominick entra no residencial acompanhado da mulher e, posteriormente, inicia uma sequência de golpes.
O registro mostra a vítima sendo atingida por socos e chutes. Em determinado momento, ela tenta se afastar e correr, mas é novamente alcançada pelo homem. As imagens registram três chutes e 14 socos durante a ação.
Em uma das cenas, um chute atinge as costas da mulher enquanto ela tenta escapar. O ataque continua até que Dominick deixa o local.
Além das imagens da agressão, a Polícia Civil teve acesso a gravações feitas antes do episódio. Esse material mostra os dois dentro de uma das kitnets do residencial e ajuda os investigadores a reconstruir os momentos que antecederam a violência.
A hipótese investigada é de que o desentendimento tenha começado por uma questão financeira. As informações reunidas até agora apontam para uma cobrança relacionada a uma falha em um pagamento por Pix, situação que teria provocado uma discussão entre os dois.
As imagens também mostram Dominick deixando a kitnet em meio ao desentendimento e a mulher seguindo atrás dele. A discussão prossegue até a entrada principal do residencial, onde as agressões teriam começado.
A dinâmica completa ainda é objeto de investigação, e a Polícia Civil busca novos elementos para esclarecer o que ocorreu antes, durante e depois da violência.
Celular da vítima também foi danificado
Além das agressões físicas, a investigação envolve uma denúncia de dano ao aparelho celular da mulher.
O telefone ficou destruído durante o episódio. As informações reunidas pela polícia apontam que o aparelho foi danificado durante a sequência de violência, enquanto as imagens registram Dominick deixando o local com um celular.
A vítima formalizou representação também pelo dano qualificado, além da lesão corporal decorrente das agressões.
O procedimento policial deverá reunir os depoimentos já prestados, as imagens de segurança e eventuais novos registros que possam ser localizados durante as diligências.
Investigado já havia sido preso em operação contra drogas
Dominick Costa Melo também aparece em registros judiciais relacionados a uma investigação de tráfico de drogas realizada em Fortaleza em 2015.
Naquele ano, ele foi preso durante a Operação Rave II, ação da Polícia Civil voltada ao combate à circulação de drogas sintéticas em festas. De acordo com informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Ceará, os investigadores receberam informações sobre uma possível entrega de ecstasy em um posto de combustíveis localizado no cruzamento da Avenida Monsenhor Tabosa com a Rua Idelfonso Albano, na Praia de Iracema.
Os policiais foram ao endereço e abordaram quatro homens que estavam em um veículo. Dominick estava entre eles. Durante a abordagem, foram encontrados 284 comprimidos de ecstasy.
Um dos presos informou aos investigadores que havia acabado de entregar outros 400 comprimidos da droga. A partir das informações obtidas durante a operação, os policiais chegaram a outros endereços.
Nas buscas, foram encontradas outras substâncias e materiais que, segundo a investigação da época, eram utilizados para a comercialização de entorpecentes. Ao final da operação, foram apreendidos 1.202 comprimidos de ecstasy, aproximadamente dois quilos de maconha, além de skunk, haxixe, balanças de precisão e uma pistola.
Todos os envolvidos foram presos em flagrante naquele momento. Posteriormente, o caso chegou à Justiça e Dominick passou a figurar em processo criminal relacionado aos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico. Em novembro de 2015, a Justiça determinou a prisão preventiva de sete dos 14 presos na operação, entre eles Dominick Costa Melo. O processo continua registrado no Tribunal de Justiça do Ceará.
Caso segue em investigação
O episódio mais recente ainda não resultou em conclusão do inquérito. A Polícia Civil continua ouvindo pessoas que possam ter presenciado ou tenham informações sobre a movimentação no residencial.
A investigação também considera as imagens registradas pelas câmeras antes da agressão, além das gravações que mostram a sequência de socos e chutes. A intenção é estabelecer a dinâmica do desentendimento e identificar outros elementos que possam ser incorporados ao procedimento.
Publicações sobre o caso informam que a defesa de Dominick Costa Melo não se manifestou sobre o episódio. A Polícia Civil trata a ocorrência como investigação de lesão corporal no contexto de violência de gênero.
A equipe de jiu-jítsu da qual Dominick fazia parte também anunciou o desligamento do atleta após a divulgação das imagens da agressão.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




