Estudantes cearenses do ensino médio e superior participaram da construção e programação de três satélites que foram lançados ao espaço e colocados em órbita da Terra. A experiência reuniu cerca de 50 alunos em atividades que envolveram montagem, programação e testes dos equipamentos, aproximando conhecimentos vistos em sala de aula de uma missão espacial real.
Os estudantes participaram do projeto AEB Escola em Órbita, da Agência Espacial Brasileira. Ao longo das atividades, eles aprenderam sobre os sistemas que compõem um satélite e tiveram contato direto com etapas de desenvolvimento dos equipamentos.
Entre os participantes estava Miguel Wolney, de 16 anos. Mesmo cursando o ensino médio e convivendo com estudantes do ensino superior, ele conta que conseguiu acompanhar as atividades e aproveitar a oportunidade para aprender conteúdos que ainda não fazem parte da sua formação.
“Não tive muita dificuldade, foi realmente um processo divertido, porque tinham coisas novas que eu não sabia, mas eu fui perguntando e todo mundo foi me recebendo”, conta Miguel.
O estudante destaca que também teve a oportunidade de aprender conteúdos fora do que costuma ser trabalhado no ensino médio. Segundo ele, o acolhimento dos demais participantes ajudou a tornar a experiência ainda mais proveitosa.
“Eu sou do ensino médio e todos os outros alunos são do ensino superior, e eu pude ser acolhido e aprender coisas que estão fora do ensino médio”, afirma Miguel.
Estudantes participaram da montagem e programação dos satélites
Durante o projeto, os alunos participaram de diferentes etapas de preparação dos equipamentos. Além da montagem dos satélites, eles fizeram testes e tiveram contato com programação e com os chamados subsistemas, que integram o funcionamento dos equipamentos.
Matheus Six Madureira, sócio-fundador e diretor de produto, explica que houve uma adaptação na estrutura das atividades em Fortaleza, mas os estudantes passaram pelas etapas práticas previstas no projeto.
“Eles passaram por esses testes do satélite, fizeram o assembly dele e nos dias consecutivos de projeto a gente utilizou nossos kits educacionais para ensinar sobre subsistemas, programação e dar uma profundidade maior nesse tipo de atividade com eles”, explica Matheus.
A proposta foi fazer com que os estudantes não apenas recebessem informações sobre tecnologia espacial, mas também colocassem o conhecimento em prática.
Satélites têm apenas cinco centímetros de cada lado
Os três satélites que tiveram participação dos estudantes do Ceará são equipamentos de pequeno porte, com cinco centímetros de cada lado. Apesar das dimensões reduzidas, o objetivo do projeto vai além de colocar os equipamentos em órbita.
A ideia é estimular os alunos a pensar em aplicações da tecnologia espacial para problemas do cotidiano e para desafios encontrados na própria região.
Matheus explica que os satélites funcionam também como uma ferramenta de engajamento para que os estudantes desenvolvam suas próprias ideias de missões espaciais.
“Não só o satélite como o motor de engajamento, mas a gente quer que os alunos pensem em missões espaciais. Eles pensarem como eles podem utilizar a tecnologia espacial para resolver problemas do cotidiano”, afirma.
Segundo ele, a proposta também busca ampliar o acesso dos estudantes a esse tipo de conhecimento e colocá-los como protagonistas.
“Isso é uma forma da gente tentar democratizar, engajar os alunos e torna-los protagonistas de missões espaciai reais”, acrescenta Matheus.
Estudantes transformam teoria em prática
Entre os cerca de 50 alunos cearenses que participaram do projeto estão as estudantes Larissa Maria e Vivianne Moreira. Para elas, a experiência permitiu enxergar de forma concreta conhecimentos que normalmente aparecem apenas na teoria.
Larissa destaca que o projeto aproximou os conteúdos estudados na faculdade de uma atividade prática, permitindo que os estudantes percebessem como aquilo aprendido durante a formação pode ser aplicado.
“É um projeto educacional, onde a gente consegue ver, consegue colocar tudo o que a gente tem de teoria e a prática e realmente ver que o que a gente vê na faculdade, no nosso curso de cálculos, é algo palpável”, afirma Larissa.
A estudante também considera que a experiência tem um significado especial por envolver uma área pela qual ela e Vivianne já demonstram interesse.
Vivianne explica que as duas são apaixonadas por astronomia e por projetos ligados ao espaço. Para ela, participar diretamente das atividades tornou o aprendizado ainda mais motivador.
“Realmente tudo é muito motivador, principalmente porque a gente está atuando na prática realmente, não vendo apenas a teoria que a gente vê dentro da faculdade de engenharia, por exemplo”, afirma Vivianne.
Três satélites são lançados dos Estados Unidos
Depois do período de planejamento, montagem, programação e testes, os três satélites foram lançados diretamente dos Estados Unidos.
O lançamento representou o resultado de uma experiência que começou em atividades educacionais e passou por diferentes etapas de preparação. Para os estudantes envolvidos, acompanhar os equipamentos deixando a Terra foi a concretização de um trabalho desenvolvido ao longo do projeto.
Matheus afirma que o resultado positivo marca o início de uma nova etapa das atividades com os alunos.
“A gente começou com o pé direito, né? A gente colocou o satélite em órbita, deu tudo certo e a gente vai iniciar agora essa sessão de missões espaciais com os alunos”, afirma Matheus.
A partir do lançamento, os equipamentos seguem em órbita, enquanto o projeto mantém o foco na formação dos estudantes e no desenvolvimento de novas experiências relacionadas às missões espaciais.
Experiência pode influenciar futuro profissional
Para Miguel, a participação no projeto deixou um aprendizado que vai além da construção e da programação dos satélites. Aos 16 anos, ele considera que a experiência permitiu desenvolver habilidades que podem ser importantes para sua trajetória profissional.
O estudante também relaciona esse aprendizado ao momento atual da exploração espacial e à necessidade de preparação para novas oportunidades na área.
“Eu fiquei muito orgulhoso de mim mesmo, de poder participar, de notar que tinha essa oportunidade para mim e de poder aprender essas habilidades que podem ser muito importantes para o futuro”, afirma Miguel.
Ele avalia que o contato com a tecnologia espacial pode abrir novas perspectivas para os estudantes.
“Porque o futuro, hoje em dia, tem uma corrida espacial acontecendo nesse momento. É muito importante ter essas habilidades”, conclui Miguel.
A experiência dos alunos cearenses começou em um ambiente educacional, com aulas, montagem, programação e testes, e chegou a uma missão espacial real. Agora, os três satélites desenvolvidos com a participação dos estudantes seguem em órbita da Terra.




