Um incêndio na UFPE atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE), na Zona Oeste do Recife, nesta quarta-feira (7). As chamas foram percebidas por estudantes e professores por volta das 19h, nas proximidades da Casa do Estudante, e provocaram danos em espaços utilizados para pesquisas acadêmicas.
De acordo com o deputado federal eleito, Jones Manoel, "horas antes, alunos receberam mensagens com ameaças explícitas contra setores da UFPE, inclusive falando em “explodir o departamento” em nome de Flávio Bolsonaro. A sequência dos fatos é gravíssima e precisa ser esclarecida com urgência. Estamos buscando mais informações e vamos solicitar à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal uma investigação imediata sobre o caso, diante da possibilidade de o incêndio ter origem criminosa. Se mais alguém recebeu mensagens ou ameaças desse tipo, nos envie", publicou o deputado na redes sociais.
O Corpo de Bombeiros foi acionado e mobilizou equipes para combater o fogo. Segundo o major Calado, supervisor de operações da corporação, as chamas estavam concentradas no pavimento superior do imóvel. As equipes trabalharam em diferentes pontos para impedir que o incêndio avançasse para outras áreas.
O oficial informou que não havia vítimas no momento do atendimento.
“O incêndio está confinado no pavimento superior. A gente está com três frentes de trabalho. Temos 25 bombeiros no local, sete viaturas, com apoio da Polícia Militar e da Neoenergia”, afirmou.
A quantidade de viaturas informada pelo major difere da mobilização inicialmente relatada no local, que apontava cinco veículos. A atuação das equipes também incluiu a avaliação de outras áreas do prédio depois do controle das chamas.
Laboratórios da UFPE perderam equipamentos e amostras
O principal impacto do incêndio envolve os laboratórios instalados no prédio. O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, esteve no local e afirmou que ainda não havia sido identificada a origem das chamas.
Segundo o reitor, laboratórios vinculados ao Núcleo de Inovação Terapêutica funcionavam no primeiro andar. Os espaços eram utilizados em pesquisas relacionadas a fármacos e armazenavam amostras e equipamentos.
“Funcionavam no primeiro andar do prédio os laboratórios ligados ao Núcleo de Inovação Terapêutica, que trabalha com fármacos. Havia muitas amostras, muitos equipamentos. Nós perdemos uma quantidade considerável de equipamentos e amostras ligadas a dissertações e teses”, disse Alfredo Gomes.
Além dos laboratórios ligados ao Núcleo de Inovação Terapêutica, áreas relacionadas à informática e à computação também tiveram equipamentos e dados atingidos.
A extensão total dos prejuízos ainda será avaliada. O caso, porém, ultrapassa a perda de patrimônio físico, já que parte dos materiais destruídos estava diretamente relacionada a trabalhos acadêmicos em andamento.
A perda de amostras pode comprometer etapas de pesquisas que dependem de materiais armazenados ao longo de meses ou anos. Da mesma forma, a destruição de equipamentos e dados pode exigir a reconstrução de procedimentos e análises que já haviam sido realizados.
Pesquisadores temem perder anos de trabalho
Um servidor da UFPE que trabalha há 12 anos no prédio relatou que equipamentos, materiais e amostras utilizados em pesquisas foram destruídos pelo fogo.
Segundo ele, os prejuízos materiais podem chegar a milhões de reais. O servidor também descreveu a rapidez com que as chamas se espalharam e o desespero entre as pessoas que estavam no local.
“A gente começou a desesperar para trazer os bombeiros. Mas, como isso era algo que nunca tinha acontecido, eu nunca tinha presenciado, na minha cabeça eu achava que, quando os bombeiros chegassem, eles iam acionar a água. Mas, no fim das contas, por conta do processo de como as coisas aconteceram, o fogo se espalhou e se espalhou muito rápido.”
Entre os materiais armazenados estavam amostras mantidas em freezers e geladeiras. De acordo com o servidor, algumas pesquisas foram completamente comprometidas.
“Tem gente que perdeu a pesquisa completa, que não tem mais nada”, relatou.
A situação pode atingir especialmente estudantes envolvidos em dissertações, teses e projetos de iniciação científica. Para quem depende de amostras específicas ou de dados que não possuem cópia, a destruição representa a possibilidade de interrupção de etapas que levaram longo período para serem construídas.
UFPE ainda avalia extensão dos danos no prédio
Apesar da intensidade do incêndio no pavimento superior, nem todas as áreas do imóvel haviam sido consideradas atingidas.
De acordo com o reitor, os bombeiros informaram que uma parte localizada à direita do térreo permanecia fria, sinalizando que o espaço não havia sido alcançado diretamente pelo fogo.
As equipes iniciaram a avaliação das áreas inferiores para identificar possíveis danos e estabelecer a extensão das perdas.
Essa etapa será importante para determinar quais laboratórios, equipamentos e materiais poderão ser recuperados e quais foram definitivamente destruídos.
Além dos danos estruturais, a universidade precisará avaliar o impacto sobre a continuidade das pesquisas. Equipamentos científicos e amostras possuem funções específicas e, em alguns casos, não podem ser simplesmente substituídos sem que haja novos investimentos ou reconstrução de etapas experimentais.
O reitor também manifestou solidariedade aos pesquisadores e estudantes afetados.
“Quero aproveitar o momento para prestar minha solidariedade aqui a todos os professores e professoras, pesquisadores e pesquisadoras, mestrandos, doutorandos e alunos de iniciação científica que trabalhavam nos laboratórios aqui e perderam meses e anos de dedicação, por meio dos dados.”
Ministro da Educação oferece apoio à UFPE
O incêndio também chegou ao conhecimento do Ministério da Educação. Em publicações nas redes sociais, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que a pasta acompanha o caso e mantém contato com a reitoria da universidade.
“Recebemos com tristeza a notícia do incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) nesta noite. Estamos em contato com a reitoria da UFPE e acompanhamos as investigações para apurar as causas do incêndio.”
A manifestação indica que o governo federal acompanha os desdobramentos do caso, especialmente diante das perdas registradas em laboratórios utilizados para atividades de pesquisa.
Neste momento, entretanto, a causa do incêndio ainda não havia sido identificada, segundo as informações repassadas pelo reitor.
A investigação deverá ajudar a esclarecer como as chamas começaram e quais fatores contribuíram para a propagação do fogo.
UFPE teve outro incêndio em laboratório uma semana antes
O caso desta quarta-feira ocorre poucos dias depois de outro incêndio registrado dentro da UFPE.
Uma semana antes, um laboratório do Departamento de Física, localizado no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN), foi atingido por chamas.
Na ocorrência anterior, o fogo começou por volta das 13h30 durante a manipulação de um produto químico em um forno mufla, equipamento utilizado para aquecer substâncias em temperaturas elevadas.
A suspeita inicial naquele episódio era de que o incêndio tivesse começado de maneira acidental.
O novo incêndio, no entanto, ocorreu em outro prédio e ainda não possui causa identificada. Por isso, os dois casos devem ser tratados separadamente até que as investigações indiquem eventuais circunstâncias em comum.
O episódio desta quarta-feira chama atenção principalmente pelas perdas relacionadas à pesquisa científica. A avaliação dos danos deverá mostrar a dimensão dos prejuízos materiais e acadêmicos provocados pelo fogo.
Para pesquisadores e estudantes, a recuperação não depende apenas da reconstrução dos espaços físicos. Equipamentos, bancos de dados e amostras científicas podem representar anos de trabalho e etapas que, em alguns casos, precisarão ser refeitas.



