A cripta da Catedral de Nossa Senhora das Mercês, em Itapipoca, no interior do Ceará, recebeu os restos mortais de Dom Frei Antônio Roberto Cavuto, bispo emérito da Diocese de Itapipoca, sepultado na terça-feira (6). A prática segue uma regra específica da Igreja Católica, prevista no Código de Direito Canônico.
O cânon 1242 estabelece que, em geral, cadáveres não devem ser sepultados dentro de igrejas. A norma, no entanto, prevê exceções para o papa, os cardeais e os bispos diocesanos, inclusive aqueles que já deixaram o cargo, chamados de eméritos. Nesses casos, o sepultamento deve ocorrer na própria igreja.
A regra ajuda a explicar por que Dom Antônio Cavuto foi sepultado na cripta da Catedral de Nossa Senhora das Mercês, templo ligado à diocese que ele comandou por 15 anos.
O que diz a regra da Igreja Católica?
O Código de Direito Canônico reúne normas que orientam a organização e o funcionamento da Igreja Católica. No cânon 1242, o documento estabelece uma restrição ao sepultamento de corpos dentro dos templos religiosos, mas determina exceções para determinadas autoridades da Igreja.
O texto inclui expressamente os bispos diocesanos eméritos. Isso significa que a possibilidade de sepultamento na própria igreja não se limita aos bispos que ainda estão à frente de uma diocese.
A condição de emérito é atribuída ao bispo que deixa o governo de uma diocese, geralmente após a aceitação de seu pedido de renúncia pelo papa. Mesmo depois de deixar a função administrativa, ele continua sendo reconhecido como bispo.
No caso de Dom Antônio Cavuto, o papa Francisco aceitou sua renúncia em 2020, quando o religioso completou 75 anos, idade em que os bispos devem apresentar o pedido de renúncia conforme as normas da Igreja. A partir de então, ele passou a ser bispo emérito de Itapipoca.
Como foi o sepultamento em Itapipoca?
Dom Frei Antônio Roberto Cavuto morreu na quinta-feira (1º), aos 82 anos, após enfrentar um grave problema de saúde. Ele estava internado em um Centro de Tratamento Intensivo (CTI), em Minas Gerais, nas semanas anteriores à morte.
O corpo chegou à Catedral de Nossa Senhora das Mercês na segunda-feira (5), quando teve início o velório. A programação religiosa incluiu missas e a participação de bispos, sacerdotes, religiosos e fiéis da comunidade católica.
Antes do sepultamento, o caixão foi colocado diretamente no chão do santuário. O gesto segue orientações do Cerimonial dos Bispos para celebrações de exéquias, que recomendam simplicidade na organização do espaço e indicam a colocação do féretro no chão, acompanhado de elementos religiosos.
Após as celebrações, o religioso foi sepultado na cripta da catedral, conforme a tradição prevista para bispos diocesanos, inclusive os eméritos, em sua própria igreja.
Quem foi Dom Frei Antônio Roberto Cavuto?
Dom Antônio Roberto Cavuto nasceu em 19 de maio de 1944, em Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo. Ingressou no Seminário Menor dos Frades Capuchinhos, em Ouro Fino, Minas Gerais, em 1959. Fez os primeiros votos religiosos em 1962 e foi ordenado sacerdote em janeiro de 1971.
Antes de assumir o episcopado, atuou em diferentes funções ligadas à formação religiosa e à vida pastoral. Também ocupou cargos de liderança na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, incluindo o de ministro provincial da Província dos Capuchinhos de Minas Gerais.
Em 2 de julho de 2005, foi nomeado bispo de Itapipoca pelo papa João Paulo II. Ele assumiu a diocese no mesmo mês, em 31 de julho, e adotou como lema episcopal a frase “Queremos ver Jesus”.
Durante sua atuação no Ceará, participou da organização pastoral da diocese e acompanhou a criação de paróquias e casas religiosas. Em 2020, após a aceitação de sua renúncia, deixou a liderança da Diocese de Itapipoca, que passou a ser conduzida por Dom Rosalvo Cordeiro de Lima.
Depois de morar em Fortaleza, Dom Antônio retornou, em 2024, ao Convento de Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, em Belo Horizonte, ligado à trajetória dos franciscanos capuchinhos.
O que é uma cripta?
A cripta é um espaço localizado geralmente no subsolo de uma igreja ou de outro edifício religioso. Em alguns templos, o ambiente é destinado a sepultamentos, à guarda de restos mortais ou a capelas para celebrações.
No Ceará, a Catedral Metropolitana de Fortaleza também possui uma cripta. O espaço abriga a Capela da Ressurreição, onde estão sepultados religiosos, entre eles bispos e arcebispos. O local é um exemplo da permanência dessa prática em determinados templos católicos, embora o sepultamento dentro de igrejas seja atualmente submetido a normas eclesiásticas e às exigências civis aplicáveis.




