O incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite de quarta-feira (7), destruiu amostras genéticas utilizadas em pesquisas sobre câncer de fígado. O material havia sido coletado ao longo de dez anos e reunia dados de cerca de 200 pacientes. Em entrevista publicada pelo jornal O Globo nesta quinta-feira (8), o pesquisador da Fiocruz de Pernambuco Luydson Vasconcelos relatou o impacto da destruição do acervo científico.
“É uma perda inestimável, é muito ruim para a ciência”, afirmou o pesquisador ao O Globo. Segundo ele, as amostras eram utilizadas em estudos que buscavam identificar fatores genéticos capazes de contribuir para o desenvolvimento de marcadores biológicos e, assim, auxiliar na prevenção e no acompanhamento do câncer.
Vasconcelos contou que foi ao laboratório na manhã seguinte ao incêndio e encontrou o espaço destruído. Os freezers que armazenavam as amostras e os reagentes utilizados nos experimentos também foram atingidos pelas chamas.
Amostras de pacientes que morreram não poderão ser recuperadas
Além das pesquisas sobre câncer hepático, o pesquisador mantinha trabalhos em colaboração com a UFPE sobre componentes genéticos de pessoas que tiveram casos graves de Covid-19 e chikungunya. Materiais desenvolvidos ao longo de 15 anos de atuação também foram perdidos no incêndio.
Em entrevista ao O Globo, Vasconcelos explicou que parte do acervo não pode ser simplesmente recomposta, porque alguns dos pacientes que forneceram material biológico já morreram.
“É muito difícil recuperar o que levou anos para ser construído”, lamentou.
A alternativa, segundo o pesquisador, é desenvolver novos projetos, buscar financiamento e realizar novas coletas quando isso for possível. A reposição dos equipamentos e a retomada das pesquisas, porém, devem exigir tempo e recursos.
Incêndio destruiu laboratórios e equipamentos da UFPE
O fogo atingiu um edifício ligado à Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da UFPE, na Zona Oeste do Recife. O local abrigava laboratórios e pesquisas nas áreas de genética, fármacos e informática.
Segundo informações divulgadas pela universidade, o incêndio causou danos de grandes proporções, especialmente no pavimento superior. A estimativa inicial de prejuízo foi de aproximadamente R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e outros materiais.
Além das amostras genéticas, o fogo comprometeu pesquisas acadêmicas e trabalhos desenvolvidos por estudantes e pesquisadores. O impacto total sobre os projetos ainda depende do levantamento dos danos.
Polícia Federal investiga as causas do incêndio
A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do incêndio. A investigação deverá identificar o que provocou o fogo e esclarecer a dinâmica da ocorrência. Até a divulgação das informações iniciais, a causa ainda não havia sido confirmada.
O caso provocou preocupação na comunidade acadêmica diante da dimensão das perdas científicas e da dificuldade de recuperar materiais biológicos e dados acumulados ao longo de anos.



