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CULTURA

Exposição gratuita em Fortaleza transforma histórias de vida em literatura de cordel

A iniciativa reúne trajetórias de 30 pessoas, entre elas nomes ligados à cultura e à história do Ceará

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Exposição gratuita em Fortaleza transforma histórias de vida em literatura de cordel
Vidas em Cordel convida o público a conhecer histórias de diferentes pessoas e territórios (Foto: Thaís Diniz)

A exposição Vidas em Cordel chega a Fortaleza nesta quinta-feira (15), com entrada gratuita e uma proposta de transformar histórias reais em literatura de cordel e xilogravuras. Realizada pelo Museu da Pessoa, a mostra será aberta às 19h, na Multigaleria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, e ficará em cartaz até 19 de dezembro.

A iniciativa reúne trajetórias de 30 pessoas, entre elas nomes ligados à cultura e à história do Ceará, como Geraldo Amâncio, Mestre Júlio Santos, Maria da Penha e Ivânia Maria Alencar. A proposta é apresentar experiências individuais por meio de uma linguagem associada à oralidade, à poesia popular e à tradição dos folhetos de cordel.

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Mais do que uma exposição literária, Vidas em Cordel convida o público a conhecer histórias de diferentes pessoas e territórios, mostrando como lembranças, experiências e acontecimentos podem ganhar novas formas de expressão artística. A mostra também oferece recursos interativos e exemplares gratuitos de cordéis para os visitantes.

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Exposição Vidas em Cordel abre no Centro Dragão do Mar

A abertura da exposição está marcada para as 19h do dia 15 de outubro, na Multigaleria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza. A visitação poderá ser feita gratuitamente até 19 de dezembro, ampliando o acesso do público à literatura popular e às narrativas preservadas pelo Museu da Pessoa.

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O projeto parte da ideia de que toda pessoa tem uma história relevante para compartilhar. A partir desse princípio, relatos de vida reunidos pelo museu foram adaptados para o formato do cordel, aproximando memórias pessoais de uma tradição literária reconhecida pela força dos versos, pela oralidade e pela circulação popular.

A curadoria é assinada por Marco Haurélio, escritor, professor, cordelista e pesquisador da literatura de cordel e do folclore brasileiro; Lucélia Borges, produtora cultural, artista plástica, xilogravadora e contadora de histórias; e Jonas Samaúma, poeta, escritor, cordelista e contador de histórias.

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A combinação entre literatura e artes visuais é um dos elementos centrais da mostra. As narrativas são apresentadas em versos e acompanhadas por xilogravuras, técnica tradicional de impressão em que imagens são entalhadas em uma matriz, geralmente de madeira, para depois serem reproduzidas no papel.

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Histórias de cearenses ganham versões em literatura de cordel

Entre as 30 pessoas retratadas na exposição estão quatro nomes ligados ao Ceará: Geraldo Amâncio, Mestre Júlio Santos, Maria da Penha e Ivânia Maria Alencar. O projeto também inclui Francisco Edmísio, nascido em Nova Olinda, no interior cearense.

A presença dessas trajetórias aproxima o público local de histórias que fazem parte de diferentes experiências sociais e culturais. Ao serem transformadas em cordel, as biografias ganham uma linguagem que combina ritmo, síntese e memória, permitindo que acontecimentos da vida real sejam apresentados por meio da poesia popular.

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A exposição também reúne profissionais que atuam na produção e na preservação dessa tradição. Entre os cordelistas relacionados ao projeto estão Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Julie Oliveira, Ivonete Morais, Paulo de Tarso e Manoel Inácio.

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Na área da xilogravura, participam Maercio Siqueira, Luciana Costa e Cosmo Braz. Nascido em Exu, em Pernambuco, Cosmo se mudou ainda aos quatro anos para Juazeiro do Norte, no Ceará, trajetória que também conecta a mostra a diferentes territórios do Nordeste.

A proposta é valorizar tanto as pessoas retratadas quanto os artistas responsáveis por transformar suas histórias em obras. O resultado aproxima biografia, literatura e imagem, com referências a uma tradição cultural que tem forte presença na região.

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Mostra reúne poesia, xilogravura e experiências interativas

Além dos cordéis e das imagens, a exposição oferece recursos para ampliar a experiência dos visitantes. O público poderá interagir com uma cabine e percorrer o espaço ao som de uma playlist inspirada na cultura popular brasileira.

Ao final da visita, cada pessoa poderá retirar gratuitamente um exemplar de um dos cordéis apresentados na mostra. A iniciativa permite que parte da experiência seja levada para casa e que as narrativas continuem circulando para além do espaço expositivo.

A combinação entre diferentes linguagens busca aproximar o visitante das histórias de vida. A literatura apresenta os relatos em versos, enquanto a xilogravura acrescenta uma dimensão visual associada à tradição gráfica dos folhetos populares.

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Para Karen Worcman, fundadora do Museu da Pessoa, o cordel tem capacidade de aproximar a memória da poesia e da cultura popular. Ela destaca que levar a exposição a Fortaleza representa uma oportunidade de criar encontros entre as histórias reunidas pelo museu e o público cearense.

A iniciativa é apresentada pelo projeto como uma ação de valorização e salvaguarda da literatura de cordel. Ao colocar relatos de pessoas reais em circulação por meio de uma forma tradicional de expressão, a mostra contribui para aproximar a produção cultural contemporânea de uma linguagem popular historicamente ligada à transmissão de histórias.

Museu da Pessoa oferece material educativo gratuito para professores

A exposição também conta com uma frente voltada à educação. O Museu da Pessoa disponibiliza gratuitamente materiais destinados a professores do Ensino Fundamental e gestores da Educação Básica, incluindo as publicações Orientações para o Plano de Aula e Caderno do Educador.

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Os conteúdos podem auxiliar atividades escolares nas áreas de Artes, História, Língua Portuguesa e Ciências Humanas. Também podem ser utilizados para preparar estudantes para uma visita presencial ou digital à mostra.

A proposta permite trabalhar a literatura de cordel não apenas como manifestação artística, mas também como recurso para discutir memória, identidade, diversidade de experiências e formas de narrar a história. As trajetórias retratadas podem servir de ponto de partida para atividades sobre a relação entre indivíduos, comunidades e territórios.

Beatriz Saghaard, coordenadora de Programação Cultural do Museu da Pessoa, afirma que a exposição estimula o público a escutar histórias e observar como cada trajetória reúne relações, memórias e diferentes maneiras de compreender o mundo.

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O material educativo amplia as possibilidades de aproveitamento da iniciativa para além da visitação. Professores podem consultar os conteúdos para planejar atividades e explorar a relação entre literatura, história oral e cultura popular no ambiente escolar.

Cordel transforma memórias individuais em patrimônio cultural

O cordel se consolidou no Brasil como uma forma de narrar acontecimentos, personagens e experiências cotidianas por meio de versos. Historicamente ligado à oralidade e à circulação de folhetos, o gênero combina recursos poéticos com uma linguagem acessível, capaz de alcançar públicos diversos.

O poeta paraibano Leandro Gomes de Barros é um dos nomes importantes para a consolidação da literatura de cordel no país. Ao longo do tempo, essa tradição passou a registrar acontecimentos sociais, histórias populares e personagens que integram a memória de diferentes comunidades.

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Em Vidas em Cordel, essa capacidade narrativa é aplicada a histórias preservadas pelo Museu da Pessoa. A iniciativa conecta experiências individuais a uma forma de expressão coletiva, mostrando como a memória de uma pessoa pode contribuir para a compreensão de diferentes realidades sociais e culturais.

Criado em 1991, o Museu da Pessoa é um museu virtual e colaborativo dedicado a registrar, preservar e compartilhar histórias de vida. Segundo as informações da instituição, o acervo reúne mais de 20 mil histórias e 50 mil imagens, em uma coleção que continua crescendo.

A exposição em Fortaleza oferece ao público a oportunidade de conhecer parte desse trabalho por meio da poesia e das artes visuais. A entrada gratuita, a possibilidade de levar um cordel para casa e a oferta de materiais educativos ampliam o alcance da mostra e aproximam a tradição popular de novos públicos.

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A visitação segue até 19 de dezembro, na Multigaleria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

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