O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, criticou o pacote Prospera MEI anunciado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e acusou o adversário de tentar conquistar apoio eleitoral com medidas destinadas aos microempreendedores individuais. Durante um encontro com representantes do setor produtivo, em São Paulo, nesta terça-feira (13), o parlamentar questionou o momento escolhido para a divulgação das iniciativas e prometeu reduzir impostos e burocracia caso seja eleito.
“Ele está achando que o povo é otário?”, declarou Flávio ao contestar o anúncio do governo federal. A crítica foi feita durante o Grande Encontro do Associativismo, organizado pela Associação Comercial de São Paulo, pela Federação das Indústrias de São Paulo e por outras entidades ligadas ao setor produtivo.
O evento reuniu empresários e empreendedores em um momento decisivo da disputa presidencial de 2026. No discurso, Flávio direcionou parte de suas críticas à política econômica do governo petista, com foco na tributação, nos gastos públicos e nas dificuldades enfrentadas por quem mantém pequenos negócios.
O senador afirmou que o governo passou quatro anos prejudicando os empreendedores e questionou o anúncio de medidas voltadas aos MEIs a poucos dias da votação. Para sustentar sua crítica, também fez referência ao escândalo do Mensalão, ocorrido durante o primeiro mandato de Lula, em 2005.
“Para chegar agora, a 12 dias da eleição e falar que vai dar o Pix MEI. Ele está achando que o povo é otário? Que ele pode comprar o voto das pessoas?”, afirmou.
A declaração integra a estratégia de Flávio de associar as medidas econômicas anunciadas pelo adversário a uma tentativa de obter vantagem eleitoral. O governo, por sua vez, apresentou o Prospera MEI como um conjunto de iniciativas voltadas ao apoio e à formalização dos pequenos negócios.
Flávio Bolsonaro critica Pix para MEI e promete cortar impostos
Ao falar sobre as propostas econômicas, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende diminuir a carga tributária e simplificar as regras para quem empreende. O senador atribuiu à política fiscal do governo Lula o aumento de impostos e o avanço da informalidade no país.
“Vamos fazer tesouraço em impostos, sim. Vamos fazer tesouraço na burocracia, sim. Temos um decreto pronto para o primeiro dia de governo”, declarou.
O candidato também prometeu que, se a arrecadação federal aumentar, haverá cortes de impostos. A afirmação foi apresentada como parte de seu compromisso de reduzir o peso do Estado sobre empresas e trabalhadores.
Questionado sobre como pretende realizar o ajuste fiscal de até R$ 200 bilhões mencionado em sua campanha, Flávio respondeu com uma crítica direta ao presidente.
“O problema do Brasil se chama Lula. Quando pergunta: De onde você vai tirar? Vou começar tirando o Lula. Porque, acima de tudo, é uma crise de credibilidade”, afirmou.
Apesar das promessas, as declarações reproduzidas no material-base não detalham quais tributos seriam reduzidos, quais despesas seriam cortadas nem como as medidas seriam implementadas para alcançar o ajuste fiscal anunciado. Esses pontos são relevantes para avaliar os efeitos econômicos das propostas sobre as contas públicas, os empreendedores e os consumidores.
O que prevê o Prospera MEI anunciado pelo governo Lula?
O pacote Prospera MEI reúne medidas destinadas aos microempreendedores individuais. Entre as iniciativas descritas no anúncio estão o perdão de dívidas tributárias com a União, a possibilidade de compra de débitos bancários e o pagamento de até R$ 5 mil para investimentos no negócio, sem necessidade de devolução.
O conjunto também prevê mudanças no limite de faturamento anual e simplificação de obrigações fiscais.
As iniciativas atingem um segmento importante para a atividade econômica, formado por trabalhadores que atuam por conta própria e pequenos negócios formalizados nessa categoria. Para esses empreendedores, dívidas tributárias, acesso ao crédito e exigências administrativas podem influenciar a capacidade de manter as atividades e investir na expansão.
O auxílio de até R$ 5 mil previsto no pacote, conforme as informações apresentadas, seria destinado a investimentos no negócio. Para avaliar o alcance efetivo da medida, entretanto, é necessário considerar as regras de acesso, os critérios de elegibilidade e os procedimentos para recebimento dos recursos.
O material-base não detalha todas essas condições. Por isso, não é possível afirmar que o pagamento será concedido automaticamente a todos os MEIs.
A divergência entre os candidatos envolve, portanto, não apenas o momento do anúncio, mas também o papel do governo no apoio aos pequenos empreendedores. Enquanto Lula apresenta medidas de assistência financeira e simplificação, Flávio defende a redução da tributação e das exigências burocráticas como caminho para estimular a atividade econômica.
Flávio critica votação da escala 6x1 no Senado
O senador também aproveitou o encontro para criticar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, por pautar a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6x1.
Sem mencionar diretamente a proposta em todos os momentos, Flávio acusou a presidência da Casa de favorecer o governo federal ao colocar em votação temas de grande impacto nacional às vésperas do segundo turno.
“O Senado, por enquanto, tem um presidente que protege o governo. Que bota para votar pautas a poucos dias da eleição para ajudar o Lula”, declarou.
O parlamentar argumentou que questões com repercussão sobre o país deveriam ser discutidas depois da eleição. A posição foi acompanhada, porém, por uma mudança de tom em relação à própria proposta de redução da jornada de trabalho.
Mais cedo, Flávio afirmou que votará a favor do texto, justificando que a medida corresponde ao que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja.
A declaração contrasta com manifestações anteriores de sua campanha, quando o candidato classificou a proposta do governo como “oportunista” e defendia uma alternativa baseada na flexibilização da jornada e na remuneração proporcional às horas trabalhadas.
A discussão sobre a escala 6x1 envolve possíveis mudanças na organização do trabalho e pode afetar tanto empregados quanto empresas. O alcance das alterações depende do texto em análise e das regras que eventualmente sejam aprovadas.
Candidato promete acabar com a reeleição e fala sobre indicações ao STF
No discurso, Flávio Bolsonaro voltou a afirmar que pretende exercer apenas um mandato presidencial e acabar com a possibilidade de reeleição para o cargo. O senador disse que não tem “um projeto de poder, mas um projeto de país”.
O candidato também abordou possíveis indicações ao Supremo Tribunal Federal. Segundo as declarações reproduzidas no material-base, afirmou que escolheria ministros contrários ao aborto e às drogas e que, em sua avaliação, garantissem segurança jurídica.
As declarações acrescentam temas institucionais e de costumes ao discurso econômico apresentado diante dos empresários. Ao lado das promessas de redução de impostos e simplificação administrativa, o parlamentar buscou destacar compromissos que considera centrais para um eventual governo.
O encontro serviu, assim, como espaço para Flávio apresentar críticas ao atual governo e reforçar suas propostas a representantes do setor produtivo. Com o segundo turno se aproximando, as divergências sobre tributação, apoio aos MEIs, jornada de trabalho e funcionamento das instituições permanecem entre os pontos de confronto da campanha presidencial.




