Crianças que fazem hemodiálise participaram de uma festa especial de Dia das Crianças promovida pela Fundação do Rim, no bairro Aldeota, em Fortaleza. A programação teve brincadeiras, entrega de presentes e momentos de acolhimento para pacientes que precisam conciliar a infância com uma rotina frequente de tratamento renal.
A iniciativa ofereceu uma oportunidade de lazer a crianças que passam parte da semana em sessões de hemodiálise. Para as famílias, momentos como esse ajudam a quebrar a rotina hospitalar e permitem que os pequenos vivenciem experiências próprias da idade, como brincar e interagir em um ambiente descontraído.
A programação também chamou atenção para os desafios enfrentados por crianças que dependem de tratamento contínuo. Além do tempo dedicado aos procedimentos, a condição de saúde pode exigir mudanças na rotina familiar e escolar, com reflexos na convivência social e no desenvolvimento infantil.
Fundação do Rim promove festa para crianças em hemodiálise
A comemoração organizada pela Fundação do Rim reuniu pacientes atendidos pela instituição em uma atividade dedicada à infância. A entrega de presentes e as brincadeiras fizeram parte da programação, que buscou proporcionar um momento diferente para crianças acostumadas a uma agenda de cuidados médicos.
Entre os participantes estava João Gabriel, de seis anos, que realiza hemodiálise na instituição. A mãe dele, identificada no material da reportagem como Geseane Ladislau, destacou como atividades de lazer podem fazer diferença na vida de crianças submetidas a tratamentos prolongados.
“Faz total diferença porque a rotina hospitalar é muito puxada”, relatou a mãe.
Segundo ela, o convívio constante com o ambiente hospitalar faz com que o filho tenha contato frequente com termos técnicos e situações relacionadas à saúde. Essa experiência, na avaliação da família, acaba antecipando preocupações e vivências que não costumam fazer parte do cotidiano de outras crianças da mesma idade.
A festa proporcionou ao menino um espaço de brincadeira e descontração. Para os familiares, a possibilidade de participar de atividades recreativas é importante porque ajuda a manter experiências da infância mesmo quando o tratamento ocupa uma parte significativa da rotina.
Mãe relata impactos do tratamento na infância do filho
A história de João Gabriel mostra como o tratamento renal pode alterar a organização da vida de uma criança e de sua família. A mãe contou que o filho passou um período sem frequentar a escola e que a retomada dos estudos ocorreu em agosto.
“Está voltando o tempo dele perdido agora, que ele voltou a estudar agora em agosto”, afirmou.
Geseane também relatou que a família passou dois anos e seis meses em Fortaleza durante o período de cuidados com o menino. No depoimento, ela mencionou uma rotina intensa de tratamento e demonstrou alívio com a melhora do filho.
A retomada da escola representa uma mudança importante na rotina da criança. O ambiente escolar não se limita à aprendizagem de conteúdos: também oferece oportunidades de convivência, desenvolvimento da autonomia e interação com outras crianças.
Quando o tratamento de saúde interfere na frequência às aulas, as famílias precisam reorganizar horários e acompanhar a recuperação da rotina escolar. A experiência relatada pela mãe evidencia que o cuidado com a saúde pode envolver decisões e adaptações que vão além dos procedimentos médicos.
Ao comentar o período vivido, Geseane também agradeceu o apoio recebido. “Só tenho a agradecer a Deus e à equipe”, disse.
O relato mostra a importância do suporte oferecido por familiares e profissionais de saúde durante tratamentos prolongados. Embora cada paciente tenha necessidades próprias, a rotina de cuidados costuma exigir acompanhamento contínuo e participação ativa da família.
Hemodiálise exige rotina de sessões semanais
A hemodiálise é um procedimento que auxilia na filtragem do sangue quando os rins não conseguem desempenhar adequadamente essa função. Para pacientes que dependem do tratamento, as sessões são realizadas de acordo com a indicação médica e podem ocupar várias horas da semana.
Segundo as informações apresentadas pela Fundação do Rim, as crianças atendidas passam por sessões três vezes por semana, com duração de quatro horas cada. Isso representa cerca de 12 horas semanais dedicadas diretamente ao procedimento, sem incluir deslocamentos e outros compromissos relacionados ao cuidado com a saúde.
A frequência pode exigir mudanças na rotina de estudos, lazer e convivência familiar. A organização do dia a dia precisa considerar os horários das sessões e as necessidades individuais de cada criança.
O impacto também pode alcançar aspectos emocionais, cognitivos e físicos do desenvolvimento. O presidente da Fundação do Rim, Paulo Rossas, destacou que o tratamento impõe limitações que precisam ser consideradas no cuidado com os pacientes.
“Isso leva a uma série de limitações, tanto no crescimento emocional da criança, cognitivo e até físico”, afirmou.
A observação reforça a importância de olhar para as necessidades dos pacientes de forma ampla. O tratamento clínico é essencial, mas as experiências sociais e recreativas também fazem parte da vida infantil e precisam ser consideradas conforme as condições de saúde de cada criança.
Lazer e acolhimento ajudam a preservar experiências da infância
A festa de Dia das Crianças buscou oferecer aos pacientes um momento de convivência fora da rotina de procedimentos. Brincadeiras e presentes podem parecer atividades simples, mas ganham outro significado quando a agenda da criança é organizada em torno de sessões frequentes de tratamento.
Para Paulo Rossas, esse tipo de iniciativa representa uma oportunidade importante para os pequenos atendidos pela instituição. O presidente destacou a necessidade de proporcionar momentos de descontração diante das limitações enfrentadas por quem faz hemodiálise.
As atividades recreativas não substituem o acompanhamento médico nem eliminam as dificuldades provocadas pelo tratamento. Elas funcionam como uma iniciativa complementar de acolhimento, com atenção às necessidades sociais e emocionais das crianças.
A Fundação do Rim atua na prevenção de doenças renais crônicas e na reinserção social. A ação realizada na Aldeota se soma a esse contexto ao colocar em evidência a necessidade de considerar a infância durante o tratamento de saúde.
A experiência de João Gabriel também mostra como a retomada de atividades cotidianas, como frequentar a escola, pode ser significativa para pacientes e familiares. Cada etapa depende das condições clínicas e das orientações dos profissionais responsáveis, mas o objetivo de preservar a convivência e o desenvolvimento continua relevante.
Ao reunir crianças em tratamento para uma comemoração, a instituição proporcionou um momento dedicado à brincadeira e ao acolhimento. A iniciativa evidencia que, mesmo diante de uma rotina médica exigente, é importante criar oportunidades para que os pacientes tenham experiências próprias da infância.




