“Longe de nós a indiferença. O Evangelho nos autoriza a construir pontes onde alguém abre precipícios.” A declaração do arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antônio da Silva, marcou a homilia da missa solene de Nossa Senhora Aparecida, celebrada na segunda-feira (12), no Santuário Nacional, no interior de São Paulo. Durante a celebração, o religioso defendeu o respeito a quem pensa diferente e afirmou que a fé cristã não autoriza o ódio nem a violência.
Ao refletir sobre os ensinamentos de Jesus, Dom Mário destacou a importância do diálogo, da reconciliação e da atenção às pessoas em situação de vulnerabilidade. A homilia também abordou a necessidade de transformar a fé em atitudes concretas diante da fome, da pobreza, do preconceito e do abandono.
Durante a homilia, Dom Mário Antônio da Silva não fez menções diretas às eleições ou à polêmica envolvendo políticos nacionais. O arcebispo concentrou a mensagem na construção de pontes, na reconciliação e na importância de respeitar quem pensa diferente.
Dom Mário defende diálogo e respeito a quem pensa diferente
Durante a homilia, Dom Mário relacionou a mensagem do Evangelho à necessidade de superar divisões e evitar que as diferenças se transformem em hostilidade. Ao falar sobre a convivência entre as pessoas, o arcebispo afirmou que os ensinamentos cristãos não podem ser usados para justificar o ódio contra quem tem opiniões distintas.
“O Evangelho não nos autoriza a odiar quem pensa diferente e nem a matar os inimigos”, afirmou o religioso durante a celebração.
A reflexão destacou a construção de pontes como caminho para enfrentar conflitos e aproximar pessoas. A mensagem também abordou a paz como um compromisso que exige disposição para o diálogo, mesmo quando há divergências.
Dom Mário mencionou ainda a expressão “paz desarmada e desarmante”, associada às mensagens do papa Leão XIV. A ideia reforça a busca pela reconciliação e por relações que não sejam conduzidas pela violência ou pelo confronto.
Homilia destaca cuidado com os mais vulneráveis
Além de abordar as divisões sociais, o arcebispo chamou a atenção para a necessidade de colocar os ensinamentos religiosos em prática. Na reflexão sobre as leituras bíblicas da celebração, destacou que conhecer a Palavra de Deus precisa estar acompanhado de atitudes concretas de cuidado com o próximo.
A fome, a pobreza, a violência e o abandono foram mencionados entre os problemas diante dos quais os cristãos não devem permanecer indiferentes. Dom Mário também criticou o preconceito contra pessoas pobres e a distância entre o discurso de solidariedade e as ações cotidianas.
A mensagem reforçou que a vivência da fé não se limita à participação em celebrações ou ao conhecimento das Escrituras. O compromisso com quem enfrenta dificuldades, segundo a reflexão apresentada pelo arcebispo, também faz parte da prática cristã.
A homilia esteve relacionada ao tema da Festa da Padroeira de 2026, “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra”. A proposta destaca a importância de unir a escuta dos ensinamentos bíblicos à convivência comunitária e ao compromisso com as outras pessoas.
Festa da Padroeira reuniu devotos e autoridades em Aparecida
A missa solene de Nossa Senhora Aparecida foi celebrada na segunda-feira (12), no Santuário Nacional, no interior de São Paulo. A cerimônia reuniu devotos e autoridades, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), o político João Campos (PSB), o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). Também participaram o prefeito de Aparecida e representantes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o segundo turno das eleições presidenciais, não estiveram na celebração em Aparecida. Ambos tinham compromissos religiosos previstos para o mesmo dia, em Brasília.
Dom Mário presidiu a primeira missa solene de 12 de outubro à frente da Arquidiocese
A celebração marcou a primeira missa solene de 12 de outubro presidida por Dom Mário Antônio da Silva desde que ele assumiu a Arquidiocese de Aparecida. A cerimônia reuniu devotos no Santuário Nacional, um dos principais destinos de peregrinação católica do país.
A Festa da Padroeira é dedicada à devoção a Nossa Senhora Aparecida e reúne fiéis de diferentes regiões do Brasil. Em 2026, o tema “Com Maria, em comunidade, conhecer e praticar a Palavra” orientou a celebração e a reflexão sobre a vivência dos ensinamentos cristãos.
Na homilia, o arcebispo destacou que a fé deve se traduzir em ações de acolhimento, solidariedade e respeito. A mensagem concluiu a reflexão sobre a importância de não permanecer indiferente às divisões sociais e às necessidades de quem mais precisa.




