A Polícia Civil prendeu Flaviana Aguiar dos Santos e Francisco Leandro Ferreira Domingos, suspeitos de integrar um grupo criminoso investigado por expulsar famílias de suas próprias casas no bairro Jandaiguaba, em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. A prisão ocorreu na tarde de terça-feira (13), durante o cumprimento de mandados de prisão preventiva. Na mesma ação, os dois também foram presos em flagrante após a apreensão de drogas e outros materiais no imóvel onde estavam.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Caucaia, o casal teria participação no funcionamento do grupo criminoso, inclusive na contabilidade das ações criminosas na região. Os suspeitos são investigados por crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa e posse ilegal de arma de fogo.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, os policiais utilizaram um drone para acompanhar a movimentação no imóvel. Com o equipamento, os agentes teriam visto o casal arremessando objetos pela janela. A situação levou à intensificação das buscas e à apreensão de cadernos com anotações relacionadas ao tráfico de drogas, porções de cocaína e maconha, além de R$ 7 mil em dinheiro trocado. O material foi recolhido e será analisado pelos investigadores.
Como funcionava o esquema de expulsão de famílias
A investigação busca esclarecer como o grupo atuava para retirar moradores de suas residências no bairro Jandaiguaba. Segundo a Polícia Civil, as vítimas eram ameaçadas e pressionadas a deixar os imóveis, mesmo quando não tinham intenção de vendê-los.
Para tentar dar aparência de legalidade às expulsões, os integrantes do grupo pagariam uma quantia aos proprietários e os orientariam a declarar que haviam vendido as casas voluntariamente. Na prática, conforme a linha investigativa, o dinheiro entregue corresponderia a uma parcela pequena do valor real dos imóveis.
No esquema, por exemplo, em uma residência avaliada em R$ 200 mil, o pagamento aos proprietários poderia ser de apenas R$ 20 mil, equivalente a 10% do valor do imóvel. A família, mesmo recebendo apenas essa quantia, teria que deixar a casa.
A prática investigada envolveria, portanto, ameaças e pressão sobre os moradores, acompanhadas de uma tentativa de formalizar a saída como se fosse uma negociação imobiliária. A suspeita é que esse procedimento fosse utilizado para disfarçar a expulsão forçada e dificultar a identificação da atuação criminosa.
As denúncias sobre a retirada de famílias chegaram à Polícia Civil, que iniciou as diligências para identificar os responsáveis e apurar a estrutura do grupo. A investigação também busca descobrir se outras pessoas participavam do esquema e qual era o papel de cada suspeito nas atividades da organização.
Casal também é investigado por tráfico de drogas
Além dos indícios relacionados às expulsões de moradores, o material encontrado durante a operação levou à abertura de novas frentes de apuração contra o casal. Os policiais recolheram cadernos com registros atribuídos ao tráfico de drogas, porções de cocaína e maconha e dinheiro em notas de pequeno valor.
A Polícia Civil considera que os itens podem contribuir para esclarecer a movimentação financeira e a atuação do grupo criminoso em Caucaia. O conteúdo dos cadernos deverá ser examinado para verificar a natureza das anotações e a eventual identificação de outras pessoas envolvidas.
A apreensão das drogas fundamentou a prisão em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico. As medidas se somam aos mandados preventivos expedidos pela Vara de Delitos de Organizações Criminosas, relacionados à investigação dos demais delitos atribuídos aos suspeitos.
Os mandados foram cumpridos no âmbito das apurações sobre suspeitas de posse ilegal de arma de fogo, lavagem de dinheiro, organização criminosa e extorsão. As imputações ainda são investigadas, e a participação individual de Flaviana e Francisco Leandro deverá ser esclarecida ao longo do procedimento policial.
Polícia apura participação de outros integrantes
A investigação não se limita à atuação do casal. A Polícia Civil também procura esclarecer a possível ligação dos suspeitos com outros integrantes do grupo criminoso e identificar a extensão das atividades na região.
Entre os pontos a serem esclarecidos estão a quantidade de famílias atingidas, as circunstâncias das ameaças, o destino dos imóveis e a participação de outras pessoas na organização do esquema. A análise do material apreendido poderá auxiliar na reconstrução das atividades investigadas e na identificação de novos suspeitos.
As denúncias dos moradores foram importantes para que a Polícia Civil começasse a investigar a retirada forçada de famílias de suas casas. O trabalho policial segue para reunir elementos sobre os crimes investigados e apurar a responsabilidade dos envolvidos.
Denúncias para a polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




