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TECNOLOGIA

Dinheiro invisível? Entenda como os chineses usam o celular para realizar pagamentos

Em Guangzhou, plataformas como Alipay e WeChat Pay concentram pagamentos e serviços cotidianos. Até o aluguel de baterias portáteis pode ser pago por QR Code

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Dinheiro invisível? Entenda como os chineses usam o celular para pagar compras e serviços
Como a China transformou o celular em carteira para pagar quase tudo. Foto: TV Cidade Fortaleza

Durante séculos, o dinheiro passou de mão em mão, primeiro em moedas de metal e, depois, em cédulas e cartões. Na China, uma das maiores economias do planeta, essa relação com o dinheiro ganhou uma nova forma: os pagamentos pelo celular se tornaram parte da rotina de milhões de pessoas, reduzindo a necessidade de carregar dinheiro em espécie.

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Em Guangzhou, na província de Guangdong, no sul do país, a transformação pode ser observada nas compras do dia a dia. A cidade tem mais de 19 milhões de habitantes e utiliza plataformas digitais para movimentar valores em diferentes situações, desde a compra de alimentos até o pagamento de serviços.

Na maioria dos estabelecimentos, uma das formas de pagar é apontar a câmera do celular para um código QR, aquele quadrado preto e branco que permite iniciar a transação. Com o aplicativo, é possível concluir a compra sem contar cédulas ou moedas.

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A experiência também chama a atenção de quem visita o país. Mesmo levando yuan, a moeda chinesa, e cartão de crédito, o celular se torna um item essencial para realizar pagamentos e acessar serviços durante a viagem.

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Como funcionam os pagamentos pelo celular na China

Duas plataformas estão no centro desse modelo: Alipay e WeChat Pay. Embora ambas permitam realizar pagamentos, elas fazem parte de aplicativos que oferecem outras funcionalidades aos usuários.

O Alipay reúne serviços que vão além das compras. Pelo aplicativo, é possível pagar produtos, chamar um carro, pedir comida, comprar passagens, reservar hotéis e acessar serviços de saúde. Essas opções ficam concentradas em uma mesma plataforma.

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Já o WeChat começou como uma ferramenta de mensagens, semelhante ao WhatsApp. Com o tempo, passou a permitir chamadas, transferências de dinheiro, pagamento de contas e acesso a outros serviços sem que o usuário precise sair do aplicativo.

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A comparação com o Brasil ajuda a entender a diferença entre esses sistemas e o Pix. Criado pelo Banco Central, o Pix permite movimentar dinheiro instantaneamente por meio dos aplicativos das instituições financeiras. Na China, Alipay e WeChat Pay também realizam pagamentos, mas integram essas operações a um conjunto mais amplo de serviços cotidianos.

A presença dessas plataformas pode ser observada em diferentes situações, como no transporte, na alimentação e nas compras em estabelecimentos comerciais.

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Experiência mostra como é pagar usando apenas o celular

Durante a passagem por Guangzhou, o repórter realizou uma compra usando um aplicativo baixado ainda no Brasil. O procedimento começou com a leitura do código QR apresentado no estabelecimento.

Depois de escanear o código, foi necessário confirmar o pagamento e inserir a senha. Em poucos segundos, a transação foi concluída, sem a necessidade de utilizar dinheiro em espécie.

A experiência demonstra como o pagamento digital pode simplificar uma tarefa cotidiana para quem tem acesso ao aplicativo e consegue utilizá-lo no local. O celular, nesse contexto, deixa de servir apenas para comunicação e passa a concentrar funções relacionadas ao consumo e à movimentação financeira.

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A utilização dessas ferramentas também aparece na rotina de quem vive na cidade. Durante uma conversa em uma estação de metrô, Chris Zhao, designer de interiores, foi questionado sobre a última vez em que utilizou dinheiro em espécie.

“Há cinco anos. Hoje, todos os pagamentos são feitos pelo WeChat Pay ou Alipay”, responde Chris.

O relato ilustra a presença dos pagamentos digitais na rotina do entrevistado, embora não represente, por si só, o comportamento de toda a população chinesa.

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Aluguel de baterias portáteis acompanha dependência do celular

A facilidade de pagar pelo celular também levanta uma questão prática: o que acontece quando a bateria acaba?

Nas ruas de Guangzhou, o aluguel de baterias portáteis é uma das soluções disponíveis para quem precisa continuar usando o aparelho. Os carregadores podem ser encontrados em estações instaladas em restaurantes e também em espaços públicos, como calçadas.

O funcionamento é simples. O usuário escaneia um código QR, retira a bateria portátil e paga pelo tempo de utilização. Em muitos casos, o equipamento pode ser devolvido em outra estação da mesma rede.

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O serviço mostra como a necessidade de manter o celular carregado se relaciona com atividades cotidianas, especialmente em um ambiente onde o aparelho é utilizado para pagamentos e acesso a diferentes serviços.

Dinheiro em espécie continua existindo na China

Apesar da popularidade dos pagamentos digitais, o dinheiro físico não foi abolido no país. As cédulas continuam existindo e, em regra, os estabelecimentos são obrigados a aceitá-las.

A transformação atual ganha um significado particular quando observada pelo contexto histórico. Foi na China que surgiram as primeiras cédulas, há mais de mil anos.

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Na época, as moedas eram feitas de ferro ou cobre e se tornaram pesadas para transportar em grandes transações. Comerciantes passaram, então, a utilizar recibos de papel como promessas de pagamento. Durante a dinastia Song, o governo chinês começou a emitir papel-moeda oficial.

Séculos depois, o país vive outra mudança na forma de movimentar dinheiro. Se o papel ajudou a tornar os valores mais fáceis de transportar, os pagamentos digitais permitem realizar transações sem precisar carregar cédulas ou moedas.

Em Guangzhou, essa transformação aparece nas compras, nos serviços e na rotina de quem utiliza o celular para pagar. O dinheiro continua circulando pela economia, mas cada vez mais transações podem ser realizadas sem que ele precise ocupar espaço no bolso.

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