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PRAIA DO FUTURO

Em entrevista à TV Cidade, baiano relata agressão em barraca de praia em Fortaleza

Adilson Alves, de 53 anos, afirma que foi imobilizado pelo pescoço e agredido depois de sair do mar, na Praia do Futuro. A família suspeita de racismo

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Em entrevista à TV Cidade, baiano relata agressão em barraca de praia em Fortaleza
Em entrevista exclusiva à repórter Emanuella Braga, da TV Cidade Fortaleza, Adilson contou que não entendeu o motivo da abordagem nem conseguiu se defender. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

O baiano Adilson Alves, de 53 anos, relatou à TV Cidade Fortaleza que foi agredido após ser acusado de furtar uma bolsa em uma barraca de praia na Praia do Futuro, em Fortaleza. Segundo o depoimento, o episódio aconteceu na terça-feira (13), quando ele foi sozinho ao mar e, ao retornar à faixa de areia, teria sido abordado por um homem que o segurou pelo pescoço. A vítima afirma que perdeu a consciência e, ao despertar, estava ferida e com o corpo coberto de sangue.

Em entrevista exclusiva à repórter Emanuella Braga, da TV Cidade Fortaleza, Adilson contou que não entendeu o motivo da abordagem nem conseguiu se defender da acusação. Ele também afirmou que, depois de recuperar parcialmente a consciência, continuou ouvindo que teria furtado uma bolsa.

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O homem suspeita que tenha sido vítima de racismo. A esposa dele, Daniele, também acredita que a violência tenha sido motivada por preconceito racial. A família afirma que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos e colaborar com as investigações.

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O caso foi registrado inicialmente no 2º Distrito Policial. De acordo com a advogada Graciela Alencar, que acompanha a família, também foram adotadas medidas para comunicar a suspeita de crime racial às autoridades competentes. A Polícia Civil deve apurar as circunstâncias da agressão e identificar os responsáveis.

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Como aconteceu a agressão relatada pelo baiano?

Adilson contou que saiu de casa para tomar banho de mar e permaneceu na água por cerca de 10 a 15 minutos. Ele estava sozinho e havia deixado a motocicleta nas proximidades. Ao sair do mar, teria sido abordado por um homem que o segurou pelo pescoço com um golpe conhecido como mata-leão.

Ao relembrar o momento da abordagem, o baiano descreveu o que teria ouvido dos homens que o cercaram. “Ele segurou na minha garganta e falou que eu tinha roubado uma bolsa”, relatou Adilson.

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O homem afirma que perdeu a consciência durante a agressão. Quando voltou a si, estava na beira da praia, com dores e ferimentos. Ele contou que o rosto estava ensanguentado e que precisou ir ao mar para limpar parte do sangue antes de procurar ajuda.

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Adilson também relatou que não sabia o que havia acontecido enquanto esteve desacordado. Ao tentar entender a situação, diz que continuou sendo acusado de furto. “Eu estava sem entender nada, perguntando o que tinha acontecido comigo, porque eu não sabia de nada”, afirmou.

Segundo o depoimento, depois de tentar buscar informações e atendimento, ele foi ao banheiro do estabelecimento, mas um segurança teria ordenado que saísse do local, novamente sob a alegação de que havia furtado uma bolsa.

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A vítima afirma que não conseguiu identificar os responsáveis pela agressão naquele momento.

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Família soube do caso por telefone

A esposa de Adilson contou que estava com a mãe em uma unidade de saúde quando tentou entrar em contato com o marido. Segundo ela, passou mais de uma hora ligando, sem conseguir falar com ele. Quando finalmente atendeu, o homem estava desorientado e tinha dificuldade para explicar o que havia acontecido.

Daniele relatou que, nas primeiras conversas, não conseguia compreender direito as palavras do marido. Ele dizia estar muito machucado, mas não sabia informar onde estava nem explicar como havia se ferido.

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“Ele não sabia dizer onde estava e nem o que tinha acontecido. Só dizia que os caras tinham pegado ele ali e batido nele”, contou.

A mulher pediu que Adilson virasse o celular para mostrar o que havia ao redor e ajudar a identificar o local. Durante a ligação, percebeu que havia outra pessoa perto dele. Era uma mulher que trabalhava nas proximidades da praia e que, inicialmente, teria ficado receosa de se envolver porque encontrou Adilson ensanguentado e não sabia o que havia ocorrido.

Após insistir e explicar que era esposa do homem, Daniele conseguiu informações sobre onde ele estava. A filha do casal foi até o local primeiro, seguida por outros familiares. Segundo a família, eles encontraram Adilson ferido e confuso.

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A mulher afirmou que a filha acionou a Polícia e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela também relatou que os familiares acompanharam o caso e buscaram atendimento médico para o homem, que foi levado ao Instituto Doutor José Frota (IJF).

Adilson suspeita de racismo após a abordagem

Questionado se acreditava ter sido vítima de racismo, Adilson respondeu que considera essa possibilidade. O baiano afirmou não compreender por que foi acusado de furto e agredido sem que tivesse oportunidade de explicar o que estava fazendo na praia.

A esposa também disse acreditar que o marido tenha sido alvo de preconceito racial. Ela afirmou que a família já frequentava o complexo em outras ocasiões, inclusive quando visitava o Ceará antes de se mudar para o estado.

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Daniele disse que, nos passeios anteriores, Adilson estava acompanhado de familiares e que o episódio ocorreu quando ele foi sozinho à praia. “Tenho certeza de que foi um ato de racismo”, declarou.

A mulher afirmou que a família não pretende deixar o caso sem resposta e que vai buscar os meios legais para que os fatos sejam esclarecidos. Segundo ela, a situação provocou medo, indignação e preocupação entre os parentes.

Adilson mora no Ceará há cerca de dois anos, depois de se mudar da Bahia com a esposa. Os dois trabalham com entregas de água e venda de almoço.

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Durante a entrevista, ele disse estar abalado com o ocorrido. “Nunca imaginei passar por isso. É muito ruim. Estou muito triste”, afirmou.

Advogada anuncia medidas para apuração do caso

A advogada Graciela Alencar, que representa a família, afirmou que já foi registrado um boletim de ocorrência e que serão adotadas outras medidas para que a investigação avance. Ela informou que procurou a delegacia responsável pelo caso e pediu celeridade na identificação dos suspeitos.

“Estamos trabalhando dentro da legalidade, dentro da lei, para que todos os fatos sejam esclarecidos e que a Justiça seja feita”, declarou a advogada.

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Graciela também afirmou que pretende comunicar formalmente a suspeita de crime racial e buscar o encaminhamento do caso às autoridades especializadas, se necessário. Segundo ela, a apuração deve esclarecer quem são os responsáveis pela agressão e qual a relação deles com o estabelecimento citado pela vítima.

A advogada ressaltou que a família questiona a acusação de furto feita contra Adilson, uma vez que, segundo o relato apresentado, a bolsa mencionada pelos supostos agressores não foi localizada nas informações divulgadas até o momento.

TV Cidade Fortaleza entrou em contato com a barraca

O homem denuncia ter sido agredido por seguranças do Complexo Crocobeach, localizado na Praia do Futuro, em Fortaleza. A equipe de produção da TV Cidade Fortaleza entrou em contato com a barraca de praia, e o texto deverá ser atualizado em caso de recebimento da resposta.

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A investigação deverá esclarecer as circunstâncias da abordagem, a identidade dos envolvidos, a possível participação de funcionários ou prestadores de serviço do complexo e a suspeita de motivação racial apresentada por Adilson e seus familiares.

A família afirma que pretende continuar buscando respostas pelas vias legais. O caso segue sob apuração das autoridades policiais.

Denúncias para a polícia

A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

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