O descarte correto do lixo e a preservação dos espaços públicos foram temas de uma ação de conscientização realizada pela Fundação Patriolino Ribeiro com moradores do bairro Floresta, em Fortaleza. A atividade ocorreu na sede da Instituto de Defesa da Cidadania Social (ACFLOR), instituição sem fins lucrativos que desenvolve ações sociais na região, e integrou o projeto “Eu Cuido da Minha Cidade”, voltado à discussão de práticas que contribuem para manter a cidade limpa.
A palestra abordou a destinação adequada dos resíduos e a responsabilidade dos moradores com os locais onde vivem. A proposta foi incentivar mudanças de comportamento a partir de atitudes cotidianas, como evitar o abandono de lixo nas ruas e utilizar os espaços apropriados para o descarte.
Durante o encontro, a psicóloga Socorro Fagundes destacou a necessidade de levar a discussão ambiental às comunidades por meio de palestras, rodas de conversa e outras atividades coletivas. Para ela, o contato direto com os moradores permite discutir problemas observados no dia a dia dos bairros.
“É uma coisa muito importante esse projeto para Fortaleza. Uma das ouvintes estava falando que ela vai em João Pessoa e não vê a cidade tão cheia de lixo solto na rua [comparado a Fortaleza]. A gente está vendo muito isso. Então nós precisamos trazer essas palestras para as instituições, essas rodas de conversa, esses ciclos de diálogo para que elas possam cuidar melhor da sua cidade, da sua comunidade e do seu bairro”, disse, ao falar sobre o tema com a TV Cidade Fortaleza.
Descarte irregular pode provocar alagamentos e doenças
O abandono de resíduos em locais inadequados pode causar problemas para a infraestrutura urbana e para a saúde dos moradores. O lixo descartado nas ruas pode obstruir bueiros, dificultar o escoamento da água da chuva e contribuir para alagamentos. O acúmulo de materiais também favorece a presença de ratos e insetos, aumentando os riscos de doenças.
Um dos assuntos tratados na palestra foi a utilização dos Ecopontos, equipamentos distribuídos por Fortaleza para receber resíduos de forma adequada. A orientação busca mostrar que existem alternativas ao descarte em canteiros centrais, calçadas e outros espaços públicos.

O uso inadequado dos espaços urbanos ainda é um problema relatado por moradores. O auxiliar administrativo João Marcelo afirma que pessoas continuam deixando lixo em um canteiro central próximo de onde mora, mesmo com Ecopontos nas proximidades:
“Infelizmente o Ecoponto não é utilizado corretamente. Eu moro numa avenida e as pessoas descartam no canteiro central. Pagam às vezes para as pessoas deixarem lá no canteiro central, às vezes meia-noite, uma hora da manhã, quando não tem muito movimento. É horrível para a gente que mora aqui, que faz as coisas certas, porque sempre prejudica a gente. É rato, é inseto, doenças, o pessoal não descarta no Ecoponto. E tem vários aqui próximos de onde moro, tem três, mas nenhum é utilizado.”
Além da sujeira acumulada, a presença de resíduos pode atrair animais e insetos e comprometer as condições de convivência para quem mora nas proximidades.
A utilização dos Ecopontos foi apresentada como uma das alternativas para evitar esse tipo de situação. A iniciativa de conscientização procura incentivar os moradores a reconhecer os equipamentos disponíveis e a adotar práticas adequadas de destinação do lixo.
ACFLOR participa de ação para melhorar a qualidade de vida
A escolha do tema se relaicona com o trabalho desenvolvido pela ACFLOR no bairro Floresta. A instituição realiza ações sociais na região e tem entre seus compromissos contribuir para a qualidade de vida dos moradores. A conscientização ambiental foi incluída nessa atuação por tratar de cuidados com o espaço compartilhado pela comunidade.
O presidente da ACFLOR, Ednardo Bezerra, explicou que a palestra também busca estimular a participação de diferentes grupos ligados à instituição, incluindo associados, voluntários e servidores:
“É uma forma de a gente estar provocando nos associados, nos participantes, nos voluntários e nos servidores essa questão da conscientização, da importância de cuidar da cidade, cuidar do lugar onde a gente mora.”
Fundação Patriolino Ribeiro promove ações de educação e cultura
Há quase 40 anos, a Fundação Patriolino Ribeiro desenvolve iniciativas voltadas à educação e à cultura, com ações destinadas a pessoas em situação de vulnerabilidade social. O projeto “Eu Cuido da Minha Cidade” integra esse trabalho ao levar temas relacionados à preservação ambiental e ao cuidado com os espaços públicos para instituições e comunidades.
Socorro Fagundes agradeceu à fundação pela iniciativa e ressaltou a diferença entre conhecer as orientações ambientais e colocá-las em prática no cotidiano:
“A gente fica muito agradecido por esse projeto da Fundação Patriolino Ribeiro, que traz para as comunidades essa conscientização. E a gente já sabe de tudo isso, mas a gente não pratica.”




