Um míssil inflável com uma mensagem pedindo que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ataque o Brasil com armas nucleares foi exibido durante o ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL), na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (18). O objeto trazia a frase em inglês “Trump nuke Brazil”, que pode ser traduzida como “Trump, ataque o Brasil com armas nucleares”.
A cena foi registrada em vídeos e fotografias divulgados nas redes sociais durante o chamado “Bloquinho do 22”, manifestação organizada em apoio à candidatura de Flávio à Presidência da República. O evento reuniu apoiadores e aliados políticos do senador a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O episódio provocou críticas de políticos ligados à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Até a publicação das primeiras reportagens sobre o caso, a campanha de Flávio não havia se manifestado especificamente sobre o míssil inflável.
O que significa a frase escrita no míssil?
A expressão “Trump nuke Brazil” faz referência a um ataque nuclear contra o Brasil. Em inglês, o termo “nuke” é usado informalmente para se referir ao emprego de armas nucleares ou à destruição de um alvo por esse tipo de armamento.
O objeto foi levado por um grupo de manifestantes e não há informação de que a mensagem represente uma posição oficial da campanha de Flávio Bolsonaro. Também não havia confirmação sobre quem produziu o inflável ou organizou sua exibição.
A presença do míssil chamou atenção porque ocorreu em uma manifestação marcada pelo uso de símbolos nacionais e pelo discurso de patriotismo associado ao movimento bolsonarista. O episódio levantou questionamentos sobre a contradição entre a defesa pública do Brasil e a exibição de uma mensagem que pede um ataque estrangeiro contra o próprio país.
Organização pediu retirada de bandeiras estrangeiras
Outro detalhe registrado durante a manifestação foi um pedido feito pela organização para que os participantes recolhessem bandeiras de outros países antes dos discursos. Um integrante da organização fez a solicitação pelo carro de som principal, afirmando que o ato deveria destacar a nação brasileira.
Apesar da orientação, registros do evento mostraram referências aos Estados Unidos e a Israel entre os símbolos exibidos por participantes. A presença do míssil com a mensagem dirigida a Trump ampliou a controvérsia sobre o uso de símbolos estrangeiros em uma manifestação que também reivindicava patriotismo.
A campanha de Flávio Bolsonaro não havia apresentado, nas primeiras informações divulgadas pela imprensa, uma explicação sobre o objeto ou sobre a mensagem exibida pelos manifestantes.
Políticos criticam mensagem dirigida a Trump
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), criticou a cena nas redes sociais e classificou o episódio como inadmissível. Ele também comparou a repercussão à do caso envolvendo a então deputada Carla Zambelli, em 2022, quando ela perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) também publicou imagens do míssil e classificou o episódio como um escândalo. Já a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) criticou a mensagem e defendeu a soberania nacional.
As manifestações dos parlamentares foram críticas políticas ao episódio. Até o momento das primeiras reportagens, não havia informação de que o caso tivesse resultado em investigação oficial.
Ato ocorreu a uma semana do segundo turno
O “Bloquinho do 22” foi convocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e reuniu Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), entre outras lideranças.
A manifestação ocorreu uma semana depois de um ato em apoio à reeleição de Lula também na Avenida Paulista. Os dois eventos integram a mobilização das campanhas na reta final da disputa presidencial.
O segundo turno está marcado para domingo, 25 de outubro, quando os eleitores escolherão entre Lula e Flávio Bolsonaro. A campanha eleitoral segue com atos públicos, debates e ações de comunicação antes da votação.




