A economia da Argentina voltou ao debate político brasileiro neste domingo (18), depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou Flávio Bolsonaro (PL) sobre a possibilidade de adotar medidas semelhantes às do presidente argentino Javier Milei. Durante o confronto na Band, Lula mencionou a motosserra utilizada simbolicamente por Milei para representar os cortes de gastos públicos, enquanto Flávio respondeu com críticas às relações políticas do presidente brasileiro com Nicarágua e Venezuela.
A discussão ocorre em um momento de resultados diferentes na economia argentina. O país conseguiu reduzir significativamente o ritmo de aumento dos preços, mas enfrenta perda de força da atividade econômica, crescimento da pobreza e dificuldades no mercado de trabalho. Os indicadores mais recentes ajudam a entender os efeitos do programa econômico adotado pelo governo Milei.
Como está a economia da Argentina em 2026?
A economia da Argentina em 2026 apresenta inflação mais controlada, mas enfrenta desaceleração da atividade, aumento da pobreza e desemprego elevado. Os dados oficiais mostram que o país avançou na estabilização dos preços, enquanto a recuperação econômica perdeu força ao longo do ano.
Em setembro, a inflação foi de 1,9%, com alta acumulada de 33,4% em 12 meses. No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) recuou 0,6% em relação aos três primeiros meses do ano, enquanto o desemprego chegou a 7,9%.
A pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre de 2026, acima dos 28,2% registrados na segunda metade de 2025. Os números são do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), órgão oficial de estatísticas da Argentina.
Qual é a inflação na Argentina em 2026?
A inflação na Argentina foi de 1,9% em setembro de 2026, segundo o Indec. O resultado representou uma aceleração em relação a agosto, quando os preços subiram 1,7%, mas a taxa acumulada em 12 meses recuou ligeiramente de 33,5% para 33,4%.
Entre janeiro e setembro, os preços ao consumidor acumularam alta de 23,6%. O resultado mostra uma desaceleração importante em relação aos períodos de inflação muito elevada enfrentados pelo país nos anos anteriores, embora os preços continuem subindo.
A maior variação de setembro ocorreu no grupo de habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, com aumento de 3,1%. Educação avançou 3%, enquanto comunicação e saúde registraram altas de 2,5% e 2,4%, respectivamente.
A redução da inflação é um dos principais resultados apresentados pelo governo Milei. Entretanto, uma inflação menor não significa queda generalizada dos preços, mas um ritmo mais lento de aumento do custo de vida.
O PIB da Argentina está crescendo ou caindo?
O Produto Interno Bruto da Argentina caiu 0,6% no segundo trimestre de 2026 em comparação com o primeiro trimestre, conforme os dados oficiais ajustados para efeitos sazonais. O resultado mostrou perda de força da economia depois de um período de recuperação.
Os indicadores mensais também apontaram dificuldades. Em julho, o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) registrou queda de 2,9% em relação a junho, na série dessazonalizada. Na comparação com julho de 2025, houve retração de 1,4%.
A desaceleração está associada ao enfraquecimento do consumo, do crédito e dos investimentos. As exportações continuaram apresentando maior dinamismo, mas não foram suficientes para compensar a fraqueza de outras atividades.
A queda trimestral não significa, isoladamente, que o PIB argentino tenha encolhido durante todo o ano. O resultado anual dependerá do desempenho dos demais trimestres e da comparação com 2025.
Qual é a taxa de pobreza na Argentina?
A pobreza atingiu 32,3% da população argentina no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento do Indec realizado em 31 aglomerados urbanos. O índice representa um aumento de 4,1 pontos percentuais em relação ao segundo semestre de 2025, quando estava em 28,2%.
O levantamento também mostrou que 7,5% das pessoas estavam em situação de indigência, condição em que a renda não é suficiente para adquirir uma cesta básica de alimentos. Entre os domicílios pesquisados, 24,4% estavam abaixo da linha de pobreza.
O aumento ocorreu depois de um período de redução do indicador. A trajetória revela que a melhora na inflação não se traduziu em avanço contínuo das condições sociais, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo mercado de trabalho e pela atividade econômica.
A taxa de 32,3% corresponde ao primeiro semestre de 2026 e não deve ser confundida com uma medição exclusiva de outubro.
Como está o desemprego na Argentina?
O desemprego argentino chegou a 7,9% no segundo trimestre de 2026, conforme os dados divulgados pelo Indec. O levantamento considera pessoas que não têm ocupação, estão disponíveis para trabalhar e procuram emprego.
No mesmo período, a taxa de emprego ficou em 45% da população pesquisada, enquanto a taxa de atividade alcançou 48,9%. Os indicadores mostram as dificuldades do mercado de trabalho em um cenário de menor crescimento econômico.
A retração da atividade também afeta a capacidade de contratação das empresas. Com consumo e investimentos enfraquecidos, diferentes setores enfrentam dificuldades para ampliar a produção e gerar novas vagas.
O que Javier Milei fez na economia da Argentina?
Desde que assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, Javier Milei adotou uma política econômica baseada em ajuste fiscal, redução de despesas públicas, desregulamentação e mudanças no funcionamento da economia argentina.
O governo promoveu cortes de gastos, reduziu subsídios e buscou equilibrar as contas públicas. A motosserra utilizada por Milei durante a campanha eleitoral tornou-se o principal símbolo dessa proposta de diminuição do tamanho do Estado.
As medidas contribuíram para a reorganização das contas públicas e para a desaceleração da inflação, mas também produziram efeitos sobre a demanda interna e os serviços públicos. A economia passou por uma fase de contração, seguida de recuperação, e voltou a apresentar sinais de enfraquecimento em 2026.
O governo argentino sustenta que a disciplina fiscal é necessária para estabilizar a economia e criar condições de crescimento sustentável. Os resultados mais recentes, entretanto, mostram que a redução da inflação convive com dificuldades sociais e perda de dinamismo econômico.
A economia da Argentina melhorou com Javier Milei?
A resposta depende do indicador analisado. No controle da inflação e na reorganização fiscal, o governo Milei obteve avanços em relação ao cenário de instabilidade enfrentado pelo país antes de sua posse.
Na atividade econômica e nas condições sociais, os dados de 2026 mostram dificuldades. O PIB recuou no segundo trimestre, a atividade mensal caiu em julho e a pobreza voltou a crescer no primeiro semestre.
Isso significa que a estabilização dos preços ainda não foi acompanhada por uma recuperação consistente e abrangente da renda, do emprego e do consumo. A economia argentina reúne, portanto, avanços na estabilização macroeconômica e problemas relevantes para a população.
Por que Lula citou Javier Milei no debate presidencial?
Durante o debate presidencial da Band, neste domingo (18), Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a possibilidade de adotar no Brasil um modelo econômico semelhante ao do presidente argentino. O petista mencionou a motosserra, símbolo utilizado por Milei para defender cortes de gastos públicos.
A pergunta ocorreu durante uma discussão sobre economia e propostas de governo. Flávio não respondeu diretamente se adotaria o modelo argentino e preferiu questionar as relações políticas de Lula com os governos da Nicarágua e da Venezuela.
A referência à Argentina colocou em discussão os resultados de políticas de ajuste fiscal e redução do papel do Estado. Os indicadores argentinos mostram que o país conseguiu desacelerar a inflação, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar essa estabilização em crescimento econômico e melhoria das condições sociais.
Quais são os principais indicadores da Argentina em 2026?
Os dados oficiais mais recentes disponíveis até outubro mostram o seguinte cenário:
- Inflação mensal: 1,9% em setembro;
- Inflação em 12 meses: 33,4% até setembro;
- Inflação acumulada em 2026: 23,6% até setembro;
- PIB: queda de 0,6% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior;
- Atividade econômica: retração mensal de 2,9% em julho;
- Desemprego: 7,9% no segundo trimestre;
- Pobreza: 32,3% no primeiro semestre;
- Indigência: 7,5% no primeiro semestre.
Os indicadores mostram uma economia que avançou no combate à inflação, mas perdeu força na produção e ainda enfrenta dificuldades no mercado de trabalho e nas condições de vida da população. O desempenho dos próximos meses será importante para determinar se a Argentina conseguirá retomar o crescimento sem comprometer os resultados alcançados na estabilização dos preços.

