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Inflação no governo Lula e Bolsonaro: compare os números e a alta dos alimentos

Dados do IBGE mostram como variaram os preços nos dois governos; comparação considera períodos iguais e separa inflação geral, alimentos e custo da alimentação em casa.

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Inflação no governo Lula e Bolsonaro: compare os números e a alta dos alimentos
Dados do IBGE mostram como variaram os preços nos dois governos; comparação considera períodos iguais e separa inflação geral, alimentos e custo da alimentação em casa. Foto: Imagem gerada por IA.


A inflação e o preço dos alimentos voltaram ao centro da disputa presidencial durante o debate entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), realizado pela Band neste domingo (18). Os candidatos divergiram sobre o custo de vida dos brasileiros e o impacto das políticas econômicas adotadas nos governos Lula e Jair Bolsonaro.

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A comparação da inflação no governo Bolsonaro x Lula, baseada em levantamento das séries do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta diferenças na evolução dos preços. Considerando os primeiros 44 meses de cada mandato, a inflação geral foi maior durante o governo Bolsonaro, enquanto a distância entre os períodos foi ainda mais expressiva nos alimentos consumidos pelas famílias.

Inflação no governo Bolsonaro x Lula: qual foi maior?

A inflação acumulada foi maior no governo Jair Bolsonaro do que no terceiro mandato de Lula quando considerados os primeiros 44 meses de cada gestão. Entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 25,26%. De janeiro de 2023 a agosto de 2026, o aumento foi de 17,90%, segundo o levantamento comparativo.

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A diferença foi de 7,36 pontos percentuais. Os números consideram a mesma quantidade de meses, permitindo comparar a evolução dos preços nos dois governos sem utilizar períodos de duração diferente.

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Na alimentação, a distância foi maior. O grupo Alimentação e bebidas, que inclui compras para consumo em casa e refeições fora do domicílio, acumulou alta de 44,22% nos primeiros 44 meses de Bolsonaro, contra 15,92% no mesmo intervalo de Lula.

Já os alimentos consumidos em casa subiram 54,22% durante o período analisado do governo Bolsonaro e 12,93% no governo Lula. Isso significa que a alta acumulada da alimentação doméstica foi mais de quatro vezes maior no primeiro intervalo.

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Quanto foi a inflação geral nos governos Bolsonaro e Lula?

A inflação no governo Bolsonaro, medida pelo IPCA, acumulou 25,26% entre janeiro de 2019 e agosto de 2022. O período incluiu a pandemia de Covid-19, a crise internacional de abastecimento e a elevação dos preços de combustíveis, energia e alimentos.

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No terceiro mandato de Lula, o IPCA acumulou 17,90% entre janeiro de 2023 e agosto de 2026. A diferença de 7,36 pontos percentuais indica um aumento menor do nível geral de preços no segundo intervalo analisado.

O IPCA acompanha a variação dos preços de produtos e serviços consumidos pelas famílias, incluindo alimentação, habitação, transportes, saúde, educação e outras despesas. Por isso, representa uma medida mais abrangente da inflação do que a variação isolada dos alimentos.

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Os percentuais são acumulados compostos. Cada variação mensal incide sobre o nível de preços do mês anterior, o que significa que a inflação de vários meses não pode ser calculada pela simples soma das taxas.

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Quanto subiram os alimentos no governo Bolsonaro?

Os alimentos consumidos dentro de casa acumularam alta de 54,22% entre janeiro de 2019 e agosto de 2022, conforme o levantamento comparativo. A elevação foi superior à inflação geral de 25,26% registrada no mesmo intervalo.

O grupo Alimentação e bebidas, que também considera refeições consumidas fora de casa, apresentou aumento acumulado de 44,22%. A diferença entre os indicadores mostra que os produtos comprados para consumo doméstico tiveram elevação mais intensa.

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O período incluiu a pandemia de Covid-19, problemas nas cadeias internacionais de abastecimento, valorização de produtos agrícolas no mercado externo e pressões sobre os custos de produção e transporte. A desvalorização do real também influenciou os preços de produtos negociados internacionalmente.

A alta atingiu itens importantes da alimentação dos brasileiros. Em 2020, por exemplo, a alimentação no domicílio subiu 18,15%, enquanto em 2022 o aumento chegou a 13,23%.

Somente em 2022, último ano do governo Bolsonaro, o grupo Alimentação e bebidas registrou alta de 11,64%. Entre os produtos que pressionaram o orçamento familiar naquele ano estiveram cebola, leite longa vida, batata-inglesa, frutas e pão francês.

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Como foi a inflação de alimentos no governo Lula?

A inflação de alimentos no governo Lula acumulou 12,93% na alimentação no domicílio entre janeiro de 2023 e agosto de 2026, conforme o levantamento utilizado. O resultado ficou abaixo dos 54,22% registrados nos primeiros 44 meses do governo Bolsonaro.

No grupo Alimentação e bebidas, que inclui também refeições fora de casa, a alta acumulada foi de 15,92%. O percentual também ficou abaixo dos 44,22% registrados no intervalo equivalente do governo anterior.

O comportamento dos preços, entretanto, não foi uniforme durante o mandato. Em 2023, os alimentos consumidos em casa tiveram queda de 0,52%, mas voltaram a subir em 2024, quando a alta chegou a 8,23%.

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Em 2025, a alimentação no domicílio desacelerou para 1,43%. O menor ritmo de aumento reduziu a pressão inflacionária sobre as compras domésticas naquele ano, embora não tenha eliminado as altas acumuladas nos períodos anteriores.

A comparação indica que os alimentos continuaram ficando mais caros no conjunto do período analisado, mas em ritmo inferior ao observado nos primeiros 44 meses do governo Bolsonaro.

Qual foi a inflação em cada ano do governo Bolsonaro?

O primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, em 2019, terminou com inflação de 4,31%, segundo o IPCA. Em 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19, o índice fechou em 4,52%.

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Em 2021, a inflação acelerou e atingiu 10,06%, maior resultado anual dos dois governos no período analisado. A alta foi influenciada principalmente pelos aumentos de transportes, habitação e alimentação.

No último ano do mandato, em 2022, o IPCA terminou em 5,79%. Apesar da desaceleração em relação a 2021, o índice permaneceu acima dos resultados registrados em 2019 e 2020.

Essas taxas correspondem aos anos completos de cada exercício. A comparação principal entre os governos, por sua vez, considera apenas janeiro de 2019 a agosto de 2022, sem incluir os quatro últimos meses do mandato de Bolsonaro.

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Qual foi a inflação em cada ano do governo Lula?

O terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva começou em 2023, quando o IPCA fechou o ano em 4,62%. Em 2024, a inflação avançou para 4,83%, com pressões em diferentes grupos de produtos e serviços.

Em 2025, o IPCA recuou para 4,26%, registrando uma desaceleração em relação ao ano anterior. O resultado ficou abaixo das taxas anuais de 2023 e 2024.

Os três primeiros anos completos do terceiro mandato de Lula apresentaram inflação inferior à registrada em 2021 e 2022, durante o governo Bolsonaro. A comparação anual, entretanto, não substitui o cálculo acumulado de períodos equivalentes.

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Para 2026, a análise principal considera os resultados até agosto. Dessa forma, os dois governos são comparados pelos primeiros 44 meses de mandato.

Como está a inflação no Brasil em 2026?

O IPCA de setembro de 2026 foi de 0,82%, segundo o IBGE. O resultado representou uma aceleração em relação a agosto, quando o índice havia registrado queda de 0,32%.

O grupo Alimentação e bebidas subiu 0,83% em setembro. A variação mostra que os preços dos alimentos voltaram a registrar aumento naquele mês, após períodos de desaceleração.

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O resultado de setembro já está disponível, mas não integra a comparação principal entre os dois governos, que utiliza dados encerrados em agosto de cada quarto ano de mandato. Para atualizar o confronto até setembro, seria necessário incorporar também o resultado de setembro de 2022, mantendo períodos equivalentes.

Carne, arroz e outros alimentos ficaram mais caros em qual governo?

O comportamento dos alimentos não foi igual para todos os produtos. Carnes, arroz, feijão, leite, frutas e hortaliças tiveram trajetórias diferentes, influenciadas por fatores como oferta, demanda, exportações e condições climáticas.

No levantamento apresentado, as carnes acumularam alta de 72,84% nos primeiros 44 meses do governo Bolsonaro, contra 17,75% no mesmo intervalo do terceiro mandato de Lula. A diferença foi superior à registrada no IPCA geral e no conjunto dos alimentos consumidos em casa.

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Os resultados de produtos específicos ajudam a mostrar como a inflação chega ao orçamento doméstico. Entretanto, a variação de um único alimento não representa toda a cesta de consumo das famílias.

Para uma comparação abrangente, o indicador Alimentação e bebidas reúne produtos consumidos em casa e refeições fora do domicílio. Já Alimentação no domicílio permite observar especificamente os preços das compras realizadas em supermercados, feiras e outros estabelecimentos.

Por que a inflação foi diferente nos governos Bolsonaro e Lula?

A inflação é influenciada por fatores nacionais e internacionais, incluindo taxa de câmbio, juros, preços de combustíveis, produção agrícola, condições climáticas e acontecimentos externos. As decisões de política econômica de cada governo também afetam a evolução dos preços.

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Durante o governo Bolsonaro, a pandemia provocou dificuldades de abastecimento e alterações na demanda mundial. A recuperação econômica posterior ocorreu em meio à alta internacional de commodities, energia e alimentos, agravada pela guerra entre Rússia e Ucrânia em 2022.

No terceiro mandato de Lula, a normalização de parte das cadeias produtivas e mudanças nos preços agrícolas contribuíram para reduzir pressões em determinados períodos. Fatores climáticos, câmbio e demanda interna continuaram influenciando os resultados.

As medidas econômicas de cada governo interferem nos preços por meio de tributos, subsídios, gastos públicos e políticas que afetam o consumo e a produção. A taxa básica de juros, definida pelo Banco Central, também influencia o crédito, a demanda e a inflação.

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Os indicadores apresentados medem o comportamento dos preços durante cada mandato. Isolar a contribuição de cada decisão governamental exigiria uma análise econômica específica, além da comparação dos índices.

Inflação menor significa que os alimentos ficaram mais baratos?

Não necessariamente. Quando a inflação diminui, os preços podem continuar subindo, mas em ritmo menor. Para que um produto fique efetivamente mais barato, ele precisa registrar uma variação negativa de preço.

Se uma cesta de produtos custa R$ 100 e sofre inflação de 10%, passa a custar R$ 110. Se no ano seguinte a inflação cai para 5%, a mesma cesta passa a custar R$ 115,50, e não retorna aos R$ 100.

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Esse efeito explica por que os consumidores podem continuar encontrando preços elevados mesmo em períodos de inflação mais baixa. O poder de compra também depende da evolução dos salários, do emprego e da renda das famílias.

Como foi feita a comparação entre a inflação de Lula e Bolsonaro?

A comparação utiliza um levantamento baseado nas séries do IPCA divulgadas pelo IBGE, considerando os primeiros 44 meses de cada governo. Para Jair Bolsonaro, o período vai de janeiro de 2019 a agosto de 2022. Para o terceiro mandato de Lula, o intervalo vai de janeiro de 2023 a agosto de 2026.

Foram analisados três indicadores: o IPCA geral, o grupo Alimentação e bebidas e o subgrupo Alimentação no domicílio. As variações acumuladas são calculadas pela multiplicação dos fatores mensais de inflação.

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Esse método considera que cada aumento mensal incide sobre o nível de preços já alterado nos meses anteriores. Por isso, a inflação acumulada de vários meses não corresponde necessariamente à soma das taxas divulgadas em cada período.

Os índices representam a evolução dos preços dos produtos e serviços acompanhados pelo IBGE. A experiência de cada família pode ser diferente, conforme os produtos consumidos, a região onde mora e a participação de cada despesa no orçamento.

No recorte de 44 meses apresentado, a inflação geral e a alta dos alimentos foram menores no terceiro mandato de Lula do que no período equivalente do governo Bolsonaro. A diferença foi especialmente expressiva na alimentação no domicílio, embora os preços tenham continuado subindo nos dois intervalos.

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