Fortaleza foi selecionada para participar da Global Zero Waste Districts (Distritos Lixo Zero), iniciativa internacional que busca reduzir a geração de resíduos, ampliar a reciclagem e incentivar o reaproveitamento de materiais. Na Capital cearense, a primeira etapa está prevista para o bairro Sapiranga, onde a prefeitura pretende desenvolver ações de coleta seletiva, compostagem e educação ambiental, com participação de moradores e comerciantes.
O programa estabelece como meta de referência reduzir em 70% até 2030 a quantidade de resíduos encaminhados aos aterros sanitários nos territórios participantes. Para 2040, o objetivo é alcançar uma redução de 100%. O cumprimento dessas metas depende da implantação das medidas previstas em cada localidade.
A participação de Fortaleza foi anunciada em setembro, durante a Climate Week NYC, semana de eventos sobre mudanças climáticas realizada em Nova York, nos Estados Unidos. Além da Capital cearense, o grupo reúne o Rio de Janeiro e localidades da Malásia, do Chile e do Quênia.
A iniciativa será conduzida pela Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP), com participação da Coordenadoria Especial de Limpeza Urbana (Colimp). A proposta prevê integrar estruturas e programas municipais já existentes para aumentar a recuperação de materiais e diminuir o volume de resíduos descartados.
Sapiranga terá projeto-piloto de coleta seletiva e compostagem
Com aproximadamente 29,2 mil habitantes, a Sapiranga foi escolhida como área prioritária para o desenvolvimento do projeto-piloto. O planejamento prevê organizar a separação dos resíduos, ampliar a coleta seletiva e estimular o tratamento de materiais orgânicos, além de promover atividades de educação ambiental.
A proposta também busca aproximar os moradores e comerciantes das ações de reaproveitamento. A participação da comunidade será importante para incentivar a separação dos materiais ainda nos locais onde são gerados, facilitando a coleta e o encaminhamento para a destinação adequada.
Uma das medidas em estudo é integrar o Ecoponto Sapiranga II à Horta Social Sapiranga. A estrutura poderá funcionar como um espaço articulado para receber e separar materiais, além de viabilizar o tratamento de resíduos orgânicos, como restos de alimentos.
A ideia é transformar parte desse material em composto para utilização no cultivo de alimentos na própria Horta Social. Dessa forma, os resíduos orgânicos poderão ser aproveitados como insumo para o plantio, em vez de seguirem diretamente para os aterros sanitários.
A implantação desse modelo ainda depende de planejamento técnico, avaliação da infraestrutura disponível e organização das parcerias necessárias. As próximas etapas deverão definir como os equipamentos serão integrados e quais condições serão necessárias para executar as atividades.
Programas municipais devem atuar de forma integrada
A estratégia apresentada por Fortaleza prevê aproveitar iniciativas que já fazem parte da política municipal de gestão de resíduos. Uma delas é o BIOFOR – Gestão Sustentável de Resíduos Orgânicos e Produção de Biometano, coordenado pela SCSP. O programa busca ampliar o aproveitamento dos resíduos orgânicos e reduzir a quantidade desse material enviada aos aterros.
Outro projeto previsto na integração é o Re-ciclo, que utiliza triciclos elétricos para recolher materiais recicláveis com a participação de catadores. A iniciativa deverá contribuir para ampliar o recolhimento desses itens e seu encaminhamento para reaproveitamento.
O Recicla Mais Fortaleza, voltado à coleta seletiva em condomínios, também está entre as ações que poderão compor a estratégia. A rede municipal de Ecopontos completa a estrutura prevista, oferecendo locais para o recebimento de materiais que podem ter destinação adequada em vez de serem descartados junto ao lixo comum.
A integração dessas iniciativas pretende ampliar a recuperação de materiais recicláveis e orgânicos e fortalecer oportunidades de geração de renda para catadores. A Prefeitura também planeja desenvolver ações de orientação para estimular a separação correta dos resíduos nas residências e nos estabelecimentos comerciais.
Em declaração sobre a seleção, o secretário municipal da Conservação e Serviços Públicos, Abreu Machado, afirmou que a proposta é ampliar o alcance das políticas ambientais existentes e utilizar a experiência na Sapiranga como referência para outros bairros.
“A participação de Fortaleza em uma iniciativa internacional como essa demonstra que estamos avançando na construção de soluções mais sustentáveis para a gestão dos resíduos. Queremos aproveitar estruturas e programas que já existem na cidade, ampliar a reciclagem, reduzir o volume de materiais enviados aos aterros e envolver cada vez mais a população nesse processo. A proposta é transformar a Sapiranga em uma referência que possa, no futuro, ser levada para outros bairros da Capital”, declarou o secretário.
Metas internacionais preveem redução de resíduos até 2040
A Global Zero Waste Districts é coordenada pela Zero Waste Foundation e mantém articulação internacional voltada à preparação para a COP31, conferência mundial sobre mudanças climáticas.
O programa tem como uma das referências a redução de 70% dos resíduos destinados a aterros sanitários até 2030 nos distritos participantes. Para 2040, a meta é reduzir esse volume em 100%.
O aproveitamento de materiais orgânicos faz parte das medidas previstas para diminuir a quantidade de resíduos descartados. Quando restos de alimentos e outros materiais orgânicos se decompõem em aterros sanitários, podem produzir metano, gás que contribui para o aquecimento global.
A compostagem permite transformar resíduos orgânicos em composto que pode ser utilizado no solo, enquanto a coleta seletiva favorece a recuperação de materiais recicláveis. A combinação dessas práticas pode diminuir o volume encaminhado aos aterros, desde que haja estrutura adequada para coleta, tratamento e destinação dos materiais.
As metas internacionais funcionam como parâmetros para o desenvolvimento das ações. Os resultados dependerão do planejamento e da execução das medidas em cada território, além da adesão da população e da capacidade de integrar os serviços de gestão de resíduos.
Próximas etapas do projeto na Capital
Após a seleção, Fortaleza deverá avançar na preparação técnica da iniciativa na Sapiranga. Entre as etapas previstas estão o levantamento dos tipos e volumes de resíduos produzidos no bairro, a análise da infraestrutura existente, a definição das parcerias e a identificação de possíveis fontes de financiamento.
Os dados deverão orientar o planejamento da coleta seletiva, da compostagem e das atividades de educação ambiental. Também será necessário definir como os equipamentos públicos e os programas municipais poderão atuar de forma coordenada.
A experiência-piloto poderá servir de referência para iniciativas futuras de economia circular em outras regiões da Capital. A ampliação dependerá da avaliação das ações desenvolvidas na Sapiranga e das condições necessárias para aplicar o modelo em outros bairros.




