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INVESTIGAÇÃO

Flávio Bolsonaro e pandemia: entenda a origem das acusações de esquema

Reportagem aponta influência do senador em hospitais federais do Rio durante a Covid-19; contratos, nomeações e fechamento de leitos motivaram denúncias

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Flávio Bolsonaro e pandemia: entenda a origem das acusações de esquema
Foto: Charles Vieira/Campanha de Flávio Bolsonaro.


O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) teve seu nome associado a suspeitas de irregularidades na administração de hospitais federais do Rio de Janeiro durante a pandemia de Covid-19. As acusações envolvem indicações políticas para cargos de direção, contratos de serviços terceirizados e o funcionamento de unidades de saúde que enfrentaram falta de profissionais e fechamento de leitos entre 2019 e 2022.

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O assunto voltou ao noticiário em outubro de 2026 após uma investigação jornalística reunir documentos, depoimentos de gestores e informações sobre a atuação política do senador na rede hospitalar. As denúncias também motivaram um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para examinar sua possível participação nas irregularidades identificadas.

Flávio Bolsonaro participou de um esquema durante a pandemia?

Flávio Bolsonaro foi acusado de exercer influência sobre nomeações e contratos nos hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro. Não há, porém, condenação judicial identificada que estabeleça sua participação em um esquema criminoso nessas unidades.

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As acusações foram apresentadas publicamente pelo deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). Ambos atribuíram ao senador influência sobre a escolha de dirigentes e a administração de contratos nos hospitais.

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Uma reportagem da Agência Pública, publicada em 1º de outubro de 2026, reuniu documentos e entrevistas com gestores, ex-gestores, parlamentares e servidores de órgãos de controle. A apuração identificou indicações políticas associadas ao grupo de Flávio e contratos questionados durante o período.

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) também encaminhou ao STF uma notícia de fato solicitando que a atuação do senador fosse examinada em uma investigação relacionada às conclusões da CPI da Covid.

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Qual era a ligação de Flávio Bolsonaro com os hospitais federais do Rio?

Flávio Bolsonaro exercia o mandato de senador pelo Rio de Janeiro e não ocupava cargo administrativo no Ministério da Saúde durante o governo de seu pai. Apesar disso, gestores e ex-gestores ouvidos pela Agência Pública atribuíram a ele influência sobre decisões relacionadas à rede federal de hospitais no estado.

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As unidades envolvidas eram os hospitais federais de Bonsucesso, Andaraí, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e Servidores do Estado. Juntos, os seis estabelecimentos receberam recursos bilionários para custeio e funcionamento entre 2019 e 2022.

A influência política apontada na reportagem envolvia a escolha de diretores e administradores responsáveis pela contratação de serviços e pela gestão das unidades.

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Uma das indicações relacionadas ao senador foi a do médico Marcelo Muniz Lamberti para o Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro. A nomeação ocorreu em 2019, período em que Flávio também participou de reuniões com integrantes da pasta.

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Uma dessas reuniões aconteceu em 28 de maio de 2019 e consta da agenda oficial do então ministro Luiz Henrique Mandetta. Além de Flávio e Lamberti, participou do encontro o secretário de Atenção Especializada à Saúde, Francisco de Assis Figueiredo.

O que Alexandre Padilha acusou Flávio Bolsonaro de fazer?

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que Flávio Bolsonaro exercia influência sobre a administração dos hospitais federais durante o governo de Jair Bolsonaro.

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Segundo Padilha, o senador participava das indicações para cargos de direção e das decisões relacionadas aos contratos. O ministro acusou o grupo político ligado a Flávio de utilizar a ocupação desses cargos para controlar estruturas administrativas.

Em entrevista à Agência Pública, Padilha mencionou contratos de terceirização nos quais o número de funcionários previsto seria superior ao de trabalhadores efetivamente presentes nas unidades.

Como exemplo, o ministro citou um contrato de limpeza que previa 200 postos de trabalho, embora, segundo seu relato, apenas 50 pessoas estivessem trabalhando.

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Padilha também afirmou que a ocupação política dos cargos contribuiu para a deterioração da rede hospitalar. As declarações integram as acusações feitas pelo ministro sobre a gestão das unidades durante o governo anterior.

Quanto dinheiro estava envolvido nos hospitais federais?

Os seis hospitais federais do Rio de Janeiro tiveram orçamento superior a R$ 3 bilhões entre 2019 e 2022, segundo os dados reunidos pela Agência Pública.

Os recursos eram destinados à manutenção das unidades, pagamento de serviços, contratação de pessoal e funcionamento da rede hospitalar. O valor representa o orçamento global do período, e não uma quantia apontada como desviada.

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Um diagnóstico do Ministério da Saúde, produzido em fevereiro de 2023, mostrou que 72% dos recursos mensais dos seis hospitais eram consumidos em despesas de custeio. Isso representava aproximadamente R$ 50,3 milhões por mês em contratos administrativos, incluindo limpeza, vigilância e outros serviços.

No Hospital Federal de Bonsucesso, a participação dessas despesas chegava a quase 80%. O documento apontou diferenças expressivas entre custos de contratos de apoio administrativo e valores praticados em contratações equivalentes do ministério.

A reportagem também reuniu 13 relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) e cinco da Controladoria-Geral da União (CGU) que identificaram sobrepreços em procedimentos de contratação.

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Em uma compra prevista de insumos para cirurgia vascular no Hospital dos Servidores, estimada em R$ 120,9 milhões, a auditoria identificou preços superdimensionados em aproximadamente R$ 69 milhões. Em outro procedimento, para aquisição de medicamentos oncológicos, foi apontado sobrepreço de R$ 18,1 milhões em uma contratação estimada em R$ 31,3 milhões.

As auditorias ocorreram antes da assinatura dos contratos questionados e permitiram identificar os valores excessivos. Esses montantes não devem ser tratados como pagamentos efetivamente realizados ou dinheiro desviado.

A investigação jornalística também identificou contratações sem licitação autorizadas por dirigentes hospitalares. Um administrador nomeado em 2020 aprovou, em dois dias, contratos que somavam R$ 28,8 milhões. Outro dirigente autorizou contratações superiores a R$ 14 milhões no Hospital Federal de Bonsucesso.

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O que aconteceu com os leitos durante a pandemia?

A situação dos hospitais federais do Rio de Janeiro foi examinada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, realizada pelo Senado em 2021.

O relatório final da comissão registrou que aproximadamente 30% dos leitos clínicos e de terapia intensiva dos hospitais e institutos federais da capital fluminense permaneceram fechados durante a pandemia, embora pudessem ter sido disponibilizados para atendimento.

Segundo a CPI, a falta de profissionais de saúde foi um dos principais motivos para a indisponibilidade dos leitos, mesmo em um período de forte pressão sobre o sistema hospitalar.

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No fim de dezembro de 2020, cerca de 3,5 mil contratos de profissionais foram encerrados nas unidades federais do Rio. Uma medida provisória editada posteriormente prorrogou apenas 1,4 mil desses vínculos por 60 dias.

A comissão concluiu que a redução do quadro de profissionais agravou a capacidade de atendimento durante o aumento dos casos de Covid-19.

Quais hospitais foram citados nas denúncias?

Entre os estabelecimentos mencionados na apuração está o Hospital Federal de Bonsucesso, uma das principais unidades da rede federal do Rio de Janeiro.

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Durante a pandemia, o hospital passou por mudanças administrativas e enfrentou dificuldades para manter serviços em funcionamento. O relatório da CPI da Covid apontou que, mesmo depois de ser anunciado como unidade de referência para pacientes com coronavírus, parte significativa de seus leitos permaneceu sem utilização.

A comissão registrou que 28 serviços especializados de média e alta complexidade foram fechados. Em determinado momento, dos 240 leitos existentes, apenas 18 estavam ocupados por pacientes com Covid-19 e outros 17 por pessoas atendidas na emergência.

O Hospital Federal do Andaraí também aparece nas denúncias sobre indicações políticas e administração da rede. A reportagem examinou a atuação de dirigentes e as consequências das mudanças na gestão das unidades.

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Em abril de 2023, uma fiscalização da Câmara dos Deputados encontrou 735 leitos inoperantes ou bloqueados na rede federal do Rio. A vistoria identificou ainda alas fechadas, obras paralisadas e equipamentos sem utilização.

Quem denunciou o suposto esquema?

O deputado federal Otoni de Paula afirmou, em março de 2026, que Flávio Bolsonaro teria liderado uma estrutura de influência política sobre os hospitais federais do Rio.

O parlamentar atribuiu ao grupo ligado ao senador participação na escolha de dirigentes e influência sobre empresas interessadas em contratos públicos.

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Em maio, o ministro Alexandre Padilha também fez acusações públicas sobre a atuação de Flávio na rede hospitalar. Posteriormente, voltou a abordar o assunto em entrevista à Agência Pública.

As declarações foram acompanhadas pela divulgação de documentos e depoimentos sobre a administração das unidades durante o governo Bolsonaro.

O ex-governador Wilson Witzel também havia levantado suspeitas sobre a influência política nos hospitais durante depoimento à CPI da Covid, em junho de 2021. Na ocasião, afirmou que as unidades federais tinham um responsável político por trás de sua administração.

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Posteriormente, Witzel indicou a parlamentares que se referia a Flávio Bolsonaro, mas negou essa interpretação ao ser processado pelo senador.

O STF está investigando Flávio Bolsonaro pelo caso?

O deputado federal Lindbergh Farias encaminhou ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, uma notícia de fato solicitando a ampliação de uma investigação relacionada às conclusões da CPI da Covid.

O pedido busca esclarecer se Flávio Bolsonaro teve participação nas irregularidades apontadas na administração dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

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Lindbergh mencionou auditorias do TCU e da CGU que identificaram sobrepreços em contratos e procedimentos de compra. Também citou declarações de Wilson Witzel durante a CPI.

O encaminhamento da notícia de fato ao STF não significa que a responsabilidade criminal do senador tenha sido reconhecida. O pedido solicita a apuração de sua conduta e não equivale, por si só, à abertura de uma ação penal contra ele.

Flávio Bolsonaro foi investigado pela CPI da Covid?

A CPI da Covid, concluída em 2021, examinou a atuação de autoridades públicas e particulares durante a pandemia.

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O relatório final recomendou o indiciamento de Flávio Bolsonaro por incitação ao crime, em razão de episódios analisados pela comissão. Essa recomendação não corresponde a uma condenação judicial.

Em 2025, o ministro Flávio Dino determinou a abertura de um inquérito para examinar conclusões da CPI envolvendo Jair Bolsonaro e outras pessoas, entre elas Flávio.

Essa investigação mais ampla não deve ser confundida automaticamente com o pedido específico apresentado em 2026 sobre a administração dos hospitais federais do Rio.

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O que Flávio Bolsonaro disse sobre as acusações?

Flávio Bolsonaro não respondeu aos pedidos de entrevista encaminhados pela Agência Pública durante a elaboração da reportagem divulgada em outubro de 2026.

Marcelo Muniz Lamberti, que ocupou cargo de direção na estrutura federal de saúde do Rio, afirmou à publicação que os atos de sua gestão estão registrados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), incluindo procedimentos encaminhados aos órgãos de controle.

Lamberti também declarou que as nomeações e exonerações de servidores eram atribuições das instâncias superiores do Ministério da Saúde. Segundo ele, sua atuação teve caráter técnico.

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Em manifestação pública de 2019, Flávio Bolsonaro negou ter participado da nomeação de Paulo Cotrim para a direção do Hospital Federal de Bonsucesso e criticou a escolha do profissional.

Até esta atualização, não foi localizada uma resposta específica do senador que esclareça todos os pontos levantados na investigação jornalística de outubro de 2026.

O que está comprovado sobre Flávio Bolsonaro e a pandemia?

Os documentos e informações disponíveis permitem estabelecer que os hospitais federais do Rio enfrentaram problemas de funcionamento durante a pandemia, incluindo fechamento de leitos, dificuldades na contratação de profissionais e sobrepreços identificados em auditorias.

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Também estão documentadas nomeações, reuniões políticas, contratos questionados e declarações de autoridades que atribuíram influência administrativa a Flávio Bolsonaro.

A participação do senador em um esquema criminoso, porém, permanece no campo das acusações que motivaram pedidos de investigação. Não foi identificada uma condenação judicial que reconheça sua responsabilidade por desvio de recursos ou fraude em contratos desses hospitais.

A distinção é fundamental para compreender o caso: os problemas na rede hospitalar foram registrados oficialmente, enquanto a eventual responsabilidade pessoal de Flávio Bolsonaro pelas irregularidades depende da apuração de sua atuação concreta.

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