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INVESTIGAÇÃO

Flávio Bolsonaro e hospitais federais do Rio: entenda as acusações e investigações

Acusações sobre indicações políticas e contratos durante a pandemia voltaram ao debate presidencial; auditorias identificaram sobrepreços e a CPI registrou leitos fechados

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Flávio Bolsonaro e pandemia: entenda a origem das acusações de esquema
Foto: Charles Vieira/Campanha de Flávio Bolsonaro.

O candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), voltou a ser questionado sobre sua suposta influência na administração dos hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. As acusações envolvem indicações para cargos de direção, contratos com empresas terceirizadas e problemas no atendimento à população durante a pandemia de Covid-19.

O assunto ganhou destaque no debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o adversário de ter exercido controle político sobre as seis unidades federais de saúde. A discussão retomou informações de uma investigação jornalística publicada no início de outubro, baseada em documentos oficiais, auditorias e depoimentos de pessoas que trabalharam na administração hospitalar.

Leia também: Assaltantes invadem salão em Fortaleza e roubam mega hair avaliado em R$ 40 mil

Qual é a ligação de Flávio Bolsonaro com os hospitais federais do Rio?

Flávio Bolsonaro é acusado de ter exercido influência política sobre a administração dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro. Embora não ocupasse cargo no Ministério da Saúde, o senador teria participado de articulações relacionadas à escolha de dirigentes das unidades.

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As informações foram reunidas em uma investigação da Agência Pública, publicada em 1º de outubro de 2026. A reportagem ouviu gestores, ex-gestores, parlamentares e servidores de órgãos de controle, além de analisar documentos sobre contratos e nomeações.

As unidades envolvidas são os hospitais federais de Bonsucesso, Andaraí, Cardoso Fontes, Ipanema, Lagoa e dos Servidores do Estado.

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Uma das indicações atribuídas ao grupo político do senador foi a do médico Marcelo Muniz Lamberti, que assumiu o Departamento de Gestão Hospitalar do Ministério da Saúde no Rio em fevereiro de 2019.

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Em maio daquele ano, Flávio participou de uma reunião com o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e outros integrantes da pasta, incluindo Lamberti. O encontro consta na agenda oficial do ministério.

Flávio Bolsonaro participou de um esquema durante a pandemia?

O senador foi acusado de liderar um esquema de influência política sobre a administração dos hospitais federais, incluindo a escolha de dirigentes e a contratação de serviços. Não há, nas informações disponíveis, comprovação judicial de que Flávio tenha participado de um esquema criminoso nessas unidades.

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Em março de 2026, o deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) afirmou que a estrutura de indicações políticas e a atuação de empresas interessadas em contratos estavam sob influência de um grupo liderado pelo senador.

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Em maio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), também atribuiu a Flávio o controle político dos hospitais durante o governo Bolsonaro.

Padilha afirmou que as indicações para cargos de direção passavam pelo senador e acusou a antiga administração de manter contratos terceirizados com trabalhadores que não exerciam as funções previstas.

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O ministro citou um contrato de limpeza que previa 200 postos de trabalho, mas no qual, segundo seu relato, apenas 50 pessoas estavam efetivamente trabalhando.

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As declarações são acusações feitas por autoridades políticas. A identificação de irregularidades administrativas não comprova, isoladamente, a participação pessoal do senador em crimes.

O que Lula disse sobre Flávio Bolsonaro e os hospitais federais?

Durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre os problemas enfrentados pelos seis hospitais federais do Rio de Janeiro.

O presidente acusou o adversário de ter exercido influência sobre a administração das unidades durante o governo de Jair Bolsonaro. Também mencionou leitos de UTI fechados, problemas estruturais e a cobrança de estacionamento de funcionários em uma área hospitalar.

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Flávio rejeitou as acusações e afirmou que Lula estava mentindo. O candidato do PL não apresentou, naquele momento, uma explicação detalhada sobre as indicações e os contratos mencionados pelo presidente.

A discussão levou novamente ao centro da campanha presidencial as denúncias sobre contratos, nomeações e funcionamento dos hospitais durante a pandemia.

As informações mencionadas por Lula têm relação com documentos e depoimentos publicados anteriormente pela Agência Pública, mas a responsabilidade pessoal atribuída ao senador permanece uma questão distinta das irregularidades registradas nas unidades.

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Quanto dinheiro foi movimentado nos hospitais federais?

Os seis hospitais federais do Rio de Janeiro tiveram orçamento superior a R$ 3 bilhões entre 2019 e 2022, período que inclui os anos mais críticos da pandemia de Covid-19.

Um diagnóstico elaborado pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2023 identificou que 72% dos recursos mensais das unidades, aproximadamente R$ 50,3 milhões, eram destinados a despesas de custeio, como limpeza, vigilância e serviços terceirizados.

No Hospital Federal de Bonsucesso, contratos de apoio administrativo apresentaram margens de lucro e custos indiretos muito superiores aos parâmetros utilizados pelo ministério.

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Segundo o documento, algumas margens de lucro chegaram a ser 561% maiores do que as acordadas em contratos equivalentes, enquanto determinados custos indiretos apresentaram diferenças de até 581%.

A investigação jornalística também examinou contratos de lavanderia e outros serviços prestados aos hospitais.

Os R$ 3 bilhões representam o orçamento das unidades durante quatro anos, e não um valor comprovadamente desviado.

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O que o TCU e a CGU descobriram sobre os contratos?

Auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram problemas na formação de preços de contratações previstas para os hospitais federais.

Em uma licitação de insumos para cirurgia vascular no Hospital dos Servidores, estimada em R$ 120,9 milhões, uma auditoria identificou preços superdimensionados em aproximadamente R$ 69 milhões, equivalentes a 57% do valor previsto.

Outra análise, referente à compra de medicamentos oncológicos no mesmo hospital, identificou sobrepreço estimado de R$ 18,1 milhões em uma contratação de R$ 31,3 milhões.

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As auditorias preventivas permitiram identificar os problemas antes da assinatura de determinados contratos. Portanto, os valores apontados não podem ser apresentados automaticamente como prejuízo efetivo aos cofres públicos.

A Agência Pública também identificou contratações sem licitação autorizadas por administradores das unidades. Um dirigente aprovou dois contratos que somavam R$ 28,8 milhões em um intervalo de dois dias, enquanto outro autorizou contratações superiores a R$ 14 milhões no Hospital de Bonsucesso.

Quantos leitos ficaram fechados durante a pandemia?

O relatório final da CPI da Covid, concluído em 2021, registrou que aproximadamente 30% dos leitos clínicos e de terapia intensiva dos hospitais e institutos federais do Rio de Janeiro permaneceram fechados durante a pandemia.

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Segundo a comissão, a falta de profissionais de saúde foi uma das principais causas da indisponibilidade dos leitos.

No fim de dezembro de 2020, cerca de 3,5 mil contratos de profissionais foram encerrados na rede federal do estado. Uma medida provisória editada posteriormente prorrogou apenas 1,4 mil vínculos por 60 dias.

A CPI concluiu que a redução do quadro de funcionários agravou a capacidade de atendimento à população durante o aumento dos casos de Covid-19.

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O Hospital Federal de Bonsucesso foi um dos exemplos examinados. A comissão registrou que a unidade chegou a ter 28 serviços especializados de média e alta complexidade fechados.

Mesmo após ser anunciada como referência para o atendimento de pacientes com coronavírus, a unidade manteve parte significativa de sua estrutura sem utilização.

Quais problemas foram encontrados nos hospitais federais?

Além dos leitos fechados durante a pandemia, inspeções posteriores identificaram dificuldades estruturais e administrativas nas unidades.

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Em abril de 2023, uma visita da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados encontrou 735 leitos inoperantes ou bloqueados na rede federal do Rio.

Os parlamentares também identificaram alas fechadas, obras paralisadas e equipamentos sem utilização.

No Hospital de Bonsucesso, 126 dos 411 leitos estavam indisponíveis. Serviços de diálise, cardiologia e pós-operatório enfrentavam interrupções.

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No Hospital do Andaraí, a falta de profissionais afetava o atendimento, enquanto uma cozinha inacabada obrigava a unidade a gastar aproximadamente R$ 1,6 milhão por mês com transporte de refeições.

No Hospital Cardoso Fontes, pacientes aguardavam atendimento em corredores e macas improvisadas.

Esses problemas foram registrados nas inspeções, mas a atribuição de responsabilidade individual por cada situação exige a identificação das decisões administrativas correspondentes.

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O que aconteceu no Hospital Federal de Bonsucesso?

O Hospital Federal de Bonsucesso aparece entre as principais unidades examinadas na investigação sobre a administração da rede durante o governo Bolsonaro.

Em julho de 2019, Flávio Bolsonaro criticou publicamente a nomeação do médico Paulo Cotrim para a direção do hospital. O senador afirmou que não havia participado da escolha e que, se tivesse sido consultado, teria se manifestado contra a nomeação.

Cotrim foi exonerado menos de um mês depois.

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A direção passou posteriormente a Cristiane Jourdan, que também ocupou cargo na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Durante a pandemia, o hospital enfrentou fechamento de serviços e dificuldades para utilizar sua capacidade de atendimento.

Em 2020, um incêndio iniciado no almoxarifado da unidade provocou a morte de quatro pacientes internados com Covid-19.

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Os problemas do hospital passaram a integrar relatórios e investigações sobre a gestão da rede federal de saúde.

O STF investiga Flávio Bolsonaro pelos hospitais federais?

Em agosto de 2026, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal uma notícia de fato solicitando a apuração da possível participação de Flávio Bolsonaro nas irregularidades relacionadas aos hospitais federais.

O pedido foi dirigido ao ministro Flávio Dino e buscou ampliar uma investigação já existente, relacionada às conclusões da CPI da Covid.

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Lindbergh citou auditorias do TCU e da CGU, além de declarações do ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel.

Durante depoimento à CPI, em junho de 2021, Witzel afirmou que havia influência política sobre a administração dos hospitais federais. Posteriormente, indicou Flávio Bolsonaro como a pessoa a quem se referia, mas negou essa declaração depois de ser processado pelo senador.

A apresentação da notícia de fato não equivale à comprovação das acusações nem significa, por si só, que o STF tenha instaurado uma investigação criminal específica contra Flávio por esses fatos.

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O que Flávio Bolsonaro respondeu sobre as acusações?

Flávio Bolsonaro rejeitou as acusações feitas por Lula durante o debate presidencial da Band, em 18 de outubro.

Na investigação publicada pela Agência Pública, o senador foi procurado por meio de sua assessoria, mas não respondeu aos pedidos de entrevista.

Marcelo Muniz Lamberti, citado como uma das indicações relacionadas ao grupo político de Flávio, afirmou que os atos de sua gestão estão registrados no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), incluindo procedimentos encaminhados aos órgãos de controle.

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O médico também declarou que as nomeações e exonerações de servidores eram atribuições das instâncias superiores do Ministério da Saúde e que sua atuação tinha caráter técnico.

O que mudou nos hospitais federais depois da pandemia?

A partir de 2023, o Ministério da Saúde iniciou um processo de reestruturação da rede federal de hospitais do Rio de Janeiro, com mudanças na administração das unidades.

O Hospital Federal de Bonsucesso passou à gestão do Grupo Hospitalar Conceição em 2024. Os hospitais do Andaraí e Cardoso Fontes foram transferidos à Prefeitura do Rio, enquanto outras unidades passaram a ser administradas por instituições públicas federais.

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Segundo dados do Ministério da Saúde reunidos pela Agência Pública, o orçamento anual dos seis hospitais passou de aproximadamente R$ 800 milhões para R$ 2 bilhões.

A pasta informou aumento de 30% no número de cirurgias e de 28% nas internações em 2025, além da reabertura de 335 leitos e da reativação de 16 salas cirúrgicas.

Os resultados, porém, não foram uniformes. Algumas unidades continuaram enfrentando dificuldades, e a fila de pacientes à espera de cirurgia aumentou de 18 mil para 21 mil desde 2024, conforme os dados apresentados na investigação.

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O que está comprovado no caso dos hospitais federais do Rio?

As auditorias e relatórios oficiais documentaram problemas na administração dos hospitais federais, incluindo sobrepreços estimados em licitações, contratações questionadas, fechamento de leitos e falta de profissionais durante a pandemia.

Também estão documentadas reuniões de Flávio Bolsonaro com integrantes do Ministério da Saúde e declarações de autoridades e ex-gestores que atribuíram ao senador influência política sobre a administração das unidades.

A acusação de que Flávio liderou um esquema criminoso, entretanto, depende de comprovação específica de sua participação nas irregularidades.

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Até as informações disponíveis nesta apuração, não foi identificada condenação judicial do senador por corrupção ou desvio de recursos relacionados aos hospitais federais do Rio de Janeiro.


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