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CRIME ORGANIZADO

Ceará sem água? Entenda como ameaças de facção afetaram a venda de garrafões no estado

Ameaças atribuídas ao Comando Vermelho provocaram fechamento de distribuidoras e dificuldades na compra de água mineral em Banabuiú; caso mobilizou forças de segurança.

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Ceará sem água? Entenda como ameaças de facção afetaram a venda de garrafões no estado
Entenda como ameaças de facção afetaram a venda de garrafões de água no Ceará. Foto: Ascom SSPDS.


As ameaças de uma facção criminosa contra comerciantes de água mineral no Ceará provocaram o fechamento de distribuidoras, filas de moradores e uma operação emergencial com escolta policial. A situação mais grave foi registrada em Banabuiú, no Sertão Central, onde suspeitos ligados ao Comando Vermelho (CV) passaram a exigir pagamentos para permitir a comercialização de garrafões. Relatos de intimidação a vendedores também surgiram em áreas de Fortaleza, ampliando a preocupação com a atuação de organizações criminosas sobre o comércio.

Leia também: Sobe para 10 o número de presos por extorsão contra comerciantes impedidos de vender água no Ceará

O episódio provocou dúvidas sobre uma possível falta de água no Ceará, especialmente diante das imagens de moradores enfrentando filas para comprar garrafões. O problema, entretanto, está relacionado à comercialização de água mineral e às ameaças contra distribuidoras, e não a uma interrupção generalizada do abastecimento público no estado.

Ceará sem água: o que aconteceu em Banabuiú?

A população de Banabuiú enfrentou dificuldades para comprar água mineral depois que comerciantes suspenderam as atividades por medo de ameaças atribuídas ao Comando Vermelho. Segundo as investigações, integrantes da facção tentaram impor regras próprias para controlar a venda de garrafões no município, condicionando o funcionamento dos estabelecimentos à autorização do grupo criminoso.

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As ameaças começaram a circular em outubro, quando comerciantes receberam mensagens com exigências para continuar trabalhando. Os suspeitos também teriam determinado restrições à comercialização de determinadas marcas de água mineral e ameaçado os vendedores que desobedecessem às ordens. Diante do risco de represálias, distribuidoras interromperam as vendas e as entregas domiciliares, afetando moradores que utilizam garrafões para beber e preparar alimentos.

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Para garantir o acesso da população ao produto, o Governo do Ceará organizou uma operação emergencial com participação da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e da Polícia Militar. Caminhões passaram a transportar garrafões de fornecedores de municípios vizinhos até Banabuiú, onde a comercialização ocorreu com reforço policial. A medida permitiu atender moradores enquanto as distribuidoras locais permaneciam fechadas.

Facção cobrava até R$ 750 por semana de comerciantes

De acordo com documentos da investigação, suspeitos ligados ao Comando Vermelho exigiam pagamentos semanais para permitir o funcionamento de distribuidoras de água mineral em Banabuiú. Os valores relatados variavam de R$ 200 a R$ 750, conforme as cobranças identificadas pelas autoridades. A organização criminosa tentava estabelecer uma espécie de autorização própria para a atividade comercial, impondo suas determinações por meio de ameaças.

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Os comunicados enviados aos comerciantes incluíam restrições à venda de determinadas marcas de água mineral e ameaças de fechamento dos estabelecimentos e apreensão de garrafões. A imposição dessas regras provocou medo entre os fornecedores, que interromperam as atividades mesmo diante da necessidade de abastecimento da população.

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A Polícia Civil investiga a participação dos suspeitos nas cobranças, a estrutura utilizada para transmitir as ordens e o envolvimento de lideranças que estariam fora do Ceará. O caso ganhou repercussão porque a tentativa de controle criminoso atingiu diretamente a comercialização de um produto utilizado diariamente por milhares de moradores.

Banabuiú ficou sem água encanada?

A crise provocada pelas ameaças não interrompeu o fornecimento de água encanada em Banabuiú, conforme informações da Cagece. A companhia esclareceu que o abastecimento realizado pela rede pública não foi afetado pelas ações criminosas. O problema ocorreu na comercialização de água mineral em garrafões, distribuída por empresas e comerciantes particulares.

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A água encanada chega aos imóveis por meio da rede pública de distribuição e passa por processos de tratamento e controle de qualidade. Já a água mineral em garrafões é comercializada por fornecedores e distribuidoras, com entrega direta aos consumidores ou venda nos estabelecimentos. Em Banabuiú, muitos moradores utilizam os garrafões para beber e cozinhar, o que explica as dificuldades enfrentadas mesmo com a rede pública funcionando.

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Portanto, as ameaças não provocaram uma interrupção generalizada do abastecimento de água no Ceará. A situação documentada em Banabuiú envolveu principalmente a dificuldade de comprar água mineral, após comerciantes suspenderem as vendas por medo de represálias.

Venda de água mineral também foi ameaçada em Fortaleza?

Relatos de ameaças contra distribuidoras de água mineral também surgiram em áreas de Fortaleza. Informações divulgadas pela imprensa apontam mensagens atribuídas ao Comando Vermelho com determinações direcionadas a comerciantes de localidades como a comunidade da Rosalina, no Parque Dois Irmãos, além de referências a áreas da Bela Vista e do Pan-Americano.

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Esses comunicados são conhecidos como “salves”, mensagens utilizadas por organizações criminosas para transmitir ordens e ameaças. Os relatos indicam uma possível tentativa de ampliar o controle sobre a comercialização de água mineral, mas não permitem afirmar que todas as distribuidoras das localidades mencionadas tenham interrompido as atividades.

As ocorrências devem ser analisadas individualmente pelas autoridades. Não há confirmação de que toda Fortaleza esteja enfrentando falta de água mineral ou de que exista uma paralisação generalizada das distribuidoras na capital.

Quais outras cidades do Ceará foram afetadas?

Banabuiú é o município com os impactos mais claramente documentados sobre a venda de água mineral. Na cidade, houve fechamento de estabelecimentos, filas para compra de garrafões e necessidade de transporte do produto com escolta policial. Fortaleza também registra relatos de ameaças direcionadas a comerciantes do setor em localidades específicas.

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Em Groaíras, no Sertão de Sobral, autoridades investigam outras ações atribuídas ao Comando Vermelho contra atividades comerciais, incluindo ameaças a estabelecimentos e provedores de internet. Essas ocorrências integram um contexto mais amplo de extorsões, mas não comprovam uma paralisação da distribuição de água mineral no município.

Até esta quinta-feira (5), não há confirmação de uma suspensão generalizada da comercialização de garrafões em todo o Ceará. Os episódios conhecidos envolvem localidades específicas e precisam ser diferenciados de problemas relacionados ao abastecimento público de água.

Venda de garrafões foi normalizada em Banabuiú?

A Prefeitura de Banabuiú informou que a entrega de garrafões de água mineral começou a ser normalizada na quarta-feira, 4 de novembro. A operação emergencial, iniciada no fim de outubro, havia concentrado a comercialização na Praça da Matriz, no Centro da cidade, onde moradores enfrentaram filas para comprar o produto sob acompanhamento policial.

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Com o reforço da segurança, os caminhões passaram a deixar os garrafões diretamente nos estabelecimentos comerciais, permitindo que os fornecedores retomassem gradualmente as vendas e as entregas domiciliares. A Cagece continuou oferecendo apoio logístico para o transporte dos produtos, enquanto a Polícia Militar manteve o policiamento na região.

A retomada representa uma melhora em relação aos dias em que moradores precisavam se deslocar até a praça para comprar água. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) confirmou nesta quinta-feira (5) que o funcionamento dos estabelecimentos está sendo restabelecido gradualmente, enquanto as operações policiais continuam.

Quantos suspeitos foram presos pelas ameaças em Banabuiú?

O número de capturas de suspeitos de envolvimento nas ameaças e extorsões contra comerciantes de Banabuiú chegou a dez nesta quinta-feira, 5 de novembro. A atualização foi divulgada pela SSPDS após uma nova operação conjunta da Polícia Civil do Ceará (PCCE) e da Polícia Militar do Ceará (PMCE), que resultou no cumprimento de seis mandados de prisão.

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As primeiras três prisões ocorreram em outubro, durante uma ação baseada em informações do Departamento de Inteligência da Polícia Civil. Outro homem foi preso na terça-feira (3), suspeito de tráfico de drogas e também investigado por possível participação nas extorsões. Com os seis mandados cumpridos nesta quinta-feira, o total de capturas relacionadas à investigação chegou a dez.

A operação mobiliza equipes do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), do Departamento de Polícia do Interior Sul (DPI Sul) e da Polícia Militar, com apoio de um helicóptero da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer). A SSPDS também informou que os suspeitos apontados como autores diretos das extorsões foram identificados e estão foragidos no Rio de Janeiro, com mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça.

As forças de segurança continuam realizando diligências para localizar os investigados e identificar outros possíveis participantes do esquema. O policiamento ostensivo também permanece reforçado em Banabuiú, com atuação de unidades especializadas da Polícia Militar.

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Como denunciar ameaças contra comerciantes no Ceará?

Comerciantes que recebam ameaças, cobranças ilegais ou ordens atribuídas a organizações criminosas podem procurar os canais oficiais de segurança pública. O Disque-Denúncia 181 recebe informações sobre atividades criminosas e permite o encaminhamento de denúncias de forma sigilosa.

Também é possível enviar mensagens, fotografias, vídeos e áudios pelo WhatsApp (85) 3101-0181, disponibilizado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará. O serviço pode ser utilizado por moradores que tenham informações sobre ameaças e extorsões contra estabelecimentos comerciais.

Em situações de emergência ou ameaça imediata, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190. As investigações sobre o caso de Banabuiú continuam, enquanto as forças de segurança trabalham para garantir o funcionamento do comércio e impedir novas tentativas de extorsão.

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