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FINANÇAS

Cearense no Paraguai relata dificuldades com crise do Ueno Bank: "acordei com o dinheiro bloqueado"

Estudante de Medicina Veterinária, Taís Magno mora em Assunção e afirma que não recebeu aviso antes de perder o acesso aos valores mantidos na instituição

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Cearense no Paraguai relata dificuldades com crise do Ueno Bank: "acordei com o dinheiro bloqueado"
Taís Magno conta que teve o dia a dia prejudicado diretamente pela crise do Ueno Bank.Foto: Reprodução/Instagram, Divulgação/Ueno Bank

A estudante cearense Taís Magno está entre os clientes afetados pela crise do Ueno Bank, instituição financeira digital do Paraguai que teve suas atividades interrompidas após uma decisão do Banco Central do país. Moradora de Assunção, a brasileira conta que acordou sem conseguir acessar o dinheiro que mantinha na conta e que não recebeu nenhum aviso prévio sobre o bloqueio. Entre os valores retidos, havia também recursos de doações que seriam destinados ao zoológico da capital paraguaia.

Taís mora no país vizinho há alguns anos com o marido, que é paraguaio, e cursa Medicina Veterinária. Ao falar com o Portal GCMAIS, ela relatou que a situação afetou sua rotina e provocou preocupação, principalmente porque não sabia quando poderia recuperar o acesso ao dinheiro. Até o momento do relato, os valores continuavam bloqueados.

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“Não teve nenhum tipo de aviso antes. Estava correndo tudo em normalidade, e tínhamos alguma suspeita porque o cashback era bem alto. Às vezes, recebia 50% de desconto. Imagina: se ia num mercado que tinha parceria com o banco e dava 300 reais, eles devolviam pra mim 150 reais. Era bom demais pra ser verdade, mas durou até bastante tempo. Algumas pessoas suspeitavam, mas a gente ficava tranquilo: tá tudo bem, tudo bem”, contou.

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A estudante disse que soube da situação na madrugada de terça-feira (3), quando o banco divulgou um comunicado. Ela só verificou a informação horas depois, ao se preparar para ir à faculdade, e encontrou o dinheiro indisponível.

“Até que, do nada, às 3 da madrugada, na terça-feira, emitiram nota, e eu fui ver só às 6 da manhã, quando estava me preparando pra ir na faculdade, e minha conta ficou com dinheiro bloqueado. Foi um susto muito grande. Passamos por um aperreio, mas tenho fé que vai ficar tudo bem”, relatou.

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Além dos recursos pessoais, Taís mantinha na instituição uma quantia que havia recebido de amigos para doações ao zoológico de Assunção. Ela explicou que o dinheiro não era dela e que deveria ser encaminhado ao local.

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“Inclusive, eu tinha dinheiro, era pouquinho, e era de algumas doações de alguns amigos. Tinha dinheiro do zoológico lá, no banco”, afirmou.

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Banco Central informou prazo para devolução de valores

Segundo Taís, o Banco Central do Paraguai tem divulgado atualizações diárias sobre os procedimentos para devolver o dinheiro aos clientes. Ela relatou ter recebido a informação de que os valores poderiam começar a ser restituídos até a segunda-feira seguinte ao anúncio, com limite de até 121 milhões de guaranis. A estudante também mencionou que, pela legislação, o prazo para a devolução pode chegar a 30 dias.

Apesar da preocupação com o dinheiro bloqueado, a cearense afirmou que continua gostando de morar no Paraguai e considera a crise bancária um problema pontual. Ela disse estar abalada com o ocorrido, mas mantém a expectativa de que a situação seja resolvida.

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“É um momento isolado no país, problema financeiro, que vai dar tudo certo. Acredito que vão poder resolver isso rapidamente, como também puderam capturar todas as pessoas envolvidas no desvio de dinheiro do banco. [...] E eu amo morar aqui, mas estou bem abalada com o que aconteceu”, declarou.

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Crise do Ueno Bank afetou cerca de 3 milhões de clientes

A crise do Ueno Bank atingiu aproximadamente três milhões de clientes, número próximo à metade da população do Paraguai, estimada em 6,5 milhões de habitantes. A instituição administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores de fundos previdenciários.

O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação da instituição na terça-feira (3), após identificar problemas de solvência. Com a decisão, as contas foram bloqueadas e os ativos e passivos do banco ficaram congelados, enquanto as autoridades iniciaram procedimentos para organizar a transferência das contas e a restituição dos recursos.

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A interrupção dos serviços provocou dificuldades para clientes que dependiam do dinheiro mantido no banco. Aplicativos apresentaram falhas, usuários ficaram sem acesso a cartões e operações financeiras e houve filas para saques. A situação também motivou manifestações em Assunção, com correntistas e trabalhadores cobrando esclarecimentos e a liberação dos valores.

O Ueno Bank havia crescido de uma fintech de nicho para uma instituição de médio porte. A crise também levantou questionamentos sobre a administração do banco e as operações financeiras realizadas pelo grupo controlador.

Crise bancária levou à renúncia anunciada de Santiago Peña

A repercussão do caso chegou ao governo paraguaio. O presidente Santiago Peña anunciou nesta quinta-feira (5) que pretende renunciar ao cargo, em meio à pressão política provocada pela crise financeira. A saída, no entanto, depende da formalização e do cumprimento dos procedimentos institucionais previstos no país.

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Em pronunciamento gravado, Peña afirmou que tomou a decisão considerando a estabilidade nacional, a paz social e a preservação das instituições democráticas. O anúncio ocorreu no mesmo dia em que parlamentares discutiam a abertura de um processo de impeachment contra o presidente.

Peña foi acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025. A relação com a instituição passou a ser questionada por opositores, que apontaram possível conflito de interesses na condução da crise.

Antes do anúncio presidencial, Peña havia solicitado a saída de Carlos Carvallo da presidência do Banco Central. Carvallo também havia comandado anteriormente a financeira que deu origem ao Ueno Bank e deixou o posto em meio à repercussão do caso.

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Pedido de impeachment cita conflito de interesses

Um grupo de 35 deputados apresentou um pedido de impeachment contra Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana. O documento aponta suspeitas de conflito de interesses, uso indevido de fundos de pensão e possível acobertamento institucional relacionado ao colapso do banco.

As acusações fazem parte do pedido apresentado pelos parlamentares e ainda dependem da tramitação prevista na Constituição paraguaia. A abertura de um processo exigiria a aprovação na Câmara dos Deputados. Em caso de avanço, o Senado seria responsável pelo julgamento.

A crise também motivou a atuação do Ministério Público paraguaio, que solicitou uma investigação criminal sobre os acontecimentos envolvendo o Ueno Bank. Oito pessoas ligadas à instituição foram detidas, enquanto 27 foram formalmente imputadas por suspeita de envolvimento em irregularidades financeiras. As investigações devem apurar a participação de cada um dos envolvidos.

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Vice-presidente está na linha de sucessão

Caso a renúncia de Santiago Peña seja formalizada, o vice-presidente Pedro Alliana é o nome previsto na linha de sucessão constitucional para assumir a Presidência do Paraguai. A mudança ainda depende da conclusão dos procedimentos legais.

Até a confirmação oficial da saída de Peña, a sucessão presidencial não pode ser considerada concluída.


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