O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou a operação nacional do Enem 2026 neste domingo (8), em Brasília, e destacou a mobilização de aproximadamente 600 mil profissionais para garantir a aplicação do exame em todo o país. A edição deste ano reúne mais de 5 milhões de candidatos, com provas distribuídas em 14.868 locais de aplicação, espalhados por 1.901 municípios brasileiros.
A visita ocorreu na sala de monitoramento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela organização do exame. Lula esteve acompanhado do ministro da Educação, Leonardo Barchini, e do presidente do instituto, Manuel Palacios.
No espaço, as autoridades acompanharam o trabalho das equipes técnicas responsáveis por supervisionar a distribuição das provas e os procedimentos relacionados à aplicação do exame. A estrutura permite acompanhar diferentes etapas da operação, que envolve profissionais de diversas áreas e precisa funcionar simultaneamente em milhares de locais.
Durante a visita, Lula agradeceu aos trabalhadores envolvidos na organização e ressaltou a importância de assegurar a segurança e a transparência do processo. O presidente também aproveitou a ocasião para incentivar os participantes a continuarem os estudos e buscarem uma vaga no ensino superior.
“Estamos fazendo uma guerra pela educação, uma guerra que significa paz, envolvendo 600 mil pessoas para garantir total lisura, para que as pessoas possam saber que estão participando de um exame 100% cuidado”, afirmou.
O presidente também contestou a ideia de que a formação universitária não representa uma oportunidade relevante para o futuro profissional dos jovens.
“Não é verdade que não vale a pena ter diploma universitário. Vale a pena! Vale a pena por você, vale a pena pelo seu futuro”, declarou Lula.
Enem 2026 mobiliza 600 mil profissionais em todo o Brasil
A operação do Enem envolve uma estrutura logística de grandes proporções. Segundo os números apresentados durante a visita ao Inep, aproximadamente 600 mil pessoas participam da realização do exame, entre coordenadores, fiscais, aplicadores e profissionais responsáveis pelo suporte.
As provas deste ano estão distribuídas em 14.868 locais, abrangendo 1.901 municípios. A organização precisa garantir que os materiais cheguem aos endereços determinados e que os procedimentos sejam realizados de maneira padronizada.
A dimensão da operação também está relacionada ao número de participantes. São mais de 5 milhões de inscrições confirmadas, o maior quantitativo desde 2021 e um crescimento de 5% em comparação com a edição de 2025.
O trabalho de monitoramento acompanhado por Lula busca supervisionar o funcionamento dessa estrutura durante a aplicação. A distribuição dos cadernos, a organização dos locais e o cumprimento dos procedimentos são etapas fundamentais para assegurar condições adequadas aos candidatos.
A segurança e a lisura do exame também foram destacadas pelo presidente como pontos centrais da operação. Como as provas acontecem simultaneamente em diferentes regiões, a coordenação nacional é necessária para acompanhar a execução das atividades.
Ministro destaca importância do Enem para estudantes de escolas públicas
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, ressaltou que o Enem representa uma oportunidade de ampliar o acesso à universidade, especialmente para estudantes que concluíram o ensino médio em escolas públicas.
Segundo os dados apresentados pelo ministro, atualmente quase 70% dos estudantes das universidades federais são oriundos da rede pública. Ele comparou esse percentual com a realidade de períodos anteriores, quando aproximadamente um terço dos universitários dessas instituições vinha de escolas públicas.
Para Barchini, a mudança demonstra a ampliação da participação de diferentes grupos sociais no ensino superior brasileiro.
“Essa prova mudou o país. Antigamente, somente um terço dos estudantes das universidades federais vinha de escola pública. Agora, quase 70% dos estudantes vêm da escola pública”, afirmou.
O ministro também destacou que o exame funciona como instrumento de acesso a diferentes oportunidades educacionais. A nota pode ser utilizada em processos seletivos de universidades e institutos federais, além de programas federais de ingresso e financiamento estudantil.
Entre as principais possibilidades estão o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), conforme os critérios estabelecidos para cada iniciativa.
Essa utilização amplia a importância do Enem na trajetória dos participantes. O resultado não representa apenas uma avaliação do desempenho escolar, mas também pode determinar oportunidades de ingresso em cursos de graduação e continuidade da formação acadêmica.
Ministro aponta diferença salarial entre trabalhadores com e sem ensino superior
Outro aspecto abordado por Leonardo Barchini durante a visita foi a relação entre escolaridade e remuneração no mercado de trabalho.
De acordo com os dados apresentados pelo ministro, trabalhadores brasileiros com formação superior recebem, em média, salários duas vezes e meia maiores do que aqueles que não possuem diploma universitário.
Barchini também mencionou a ampliação do número de brasileiros com ensino superior ao longo das últimas décadas. Segundo ele, o país passou de 5 milhões de pessoas com diploma no mercado de trabalho, no início do século XXI, para 25 milhões.
O ministro relacionou esse crescimento às políticas públicas de ampliação do acesso à educação superior implementadas ao longo do período.
Os números apresentados ajudam a contextualizar a mensagem direcionada aos candidatos que participam do exame: a formação universitária pode representar uma oportunidade de qualificação e ampliar as possibilidades de inserção profissional.
Entretanto, o ingresso na universidade depende de diferentes etapas, desde o desempenho no processo seletivo até a disponibilidade de vagas e as condições para permanência nos cursos.
Enem 2026 também será utilizado para avaliar a qualidade do ensino médio
Uma das novidades desta edição é a integração do Enem ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). A mudança amplia as finalidades do exame, que historicamente também é utilizado como instrumento de acesso ao ensino superior.
Criado em 1998, o Enem surgiu com o objetivo de avaliar o desempenho dos estudantes ao final da educação básica. Em 2009, passou por uma mudança importante e começou a ser utilizado também como mecanismo de seleção para instituições de ensino superior.
Com a integração ao Saeb em 2026, o exame passa a contribuir também para o diagnóstico da qualidade do ensino médio brasileiro.
Na prática, essa utilização acrescenta uma dimensão de avaliação educacional à prova. Além de produzir resultados individuais que podem ser aproveitados pelos participantes nos processos de seleção, o exame passa a integrar informações utilizadas para analisar o desempenho da educação básica.
A proposta amplia o papel do Enem nas políticas educacionais e na produção de indicadores sobre o ensino no país.
Quando será o segundo dia de provas do Enem 2026?
O Enem 2026 está dividido em dois domingos consecutivos. O primeiro dia de aplicação ocorre neste domingo (8), com questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação.
A segunda etapa será realizada no próximo domingo (15), quando os candidatos responderão às provas de Matemática e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias.
Cada área possui 45 questões, totalizando 90 perguntas no segundo dia.
Com mais de 5 milhões de inscritos, a edição deste ano mantém o Enem como um dos principais instrumentos de acesso à educação superior no Brasil. A visita de Lula ao centro de monitoramento do Inep também colocou em evidência a dimensão da estrutura necessária para realizar a prova simultaneamente em milhares de locais.
Além da participação dos candidatos, o funcionamento do exame depende do trabalho de centenas de milhares de profissionais envolvidos na organização, fiscalização e aplicação. A operação busca assegurar que os participantes tenham condições de realizar as provas e que os resultados possam ser utilizados nos diferentes processos educacionais previstos.




