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Ceará é o estado do Nordeste com mais suspeitas de reações adversas a cloroquina e ivermectina
O GCMAIS analisou os dados do Painel de Notificações de Farmacovigilância da Anvisa, que registra as notificações de suspeitas de reações no uso de medicamentos no Brasil
IURY FIGUEIREDO
Postado em 8 de abril de 2021
Ceará é o estado do Nordeste com mais suspeitas de reações adversas a cloroquina e ivermectina
Foto: Pixabay

Segundo o Painel de Notificações de Farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde março de 2020, o Ceará é o estado com mais suspeitas de reações adversas ao uso de hidroxicloroquina, cloroquina e ivermectina entre os estados do Nordeste. Até a manhã desta quinta-feira (8), a Anvisa registrou 17 notificações de eventos adversos no Estado.

O número é bem maior do que o apresentado pelos demais locais do Nordeste. Neste ranking, o Maranhão vem em segundo lugar com seis notificações, seguido pelo Rio Grande do Norte, com quatro; Bahia, com dois; Pernambuco, Sergipe e Piauí, cada um com uma suspeita; e Paraíba e Alagoas sem nenhuma notificação.

Segundo a Anvisa, esses dados são enviados por farmacêuticos e profissionais da saúde. O Painel indica as suspeitas dos eventos adversos, mas não disponibiliza o resultado das análises técnicas que atribuem ou não as reações aos medicamentos.

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A plataforma indica que, nos 17 casos notificados no Ceará, 14 são de pacientes recuperados, mas quatro não tiveram o desfecho informado. Sobre a gravidade das reações, três foram notificadas como graves, sete aparecem como não sendo graves e quatro não foram informadas.

Nos dados de faixa etária, a maior parte das notificações são de pessoas entre os 18 e 44 anos, mas há uma suspeita de evento adverso no uso de ivermectina em uma criança com menos de um ano.

Desde o ano passado, com a chegada da pandemia de covid-19, cloroquina, hidroxicloroquina e ivermectina são motivo de debate entre profissionais da saúde, pesquisadores e até políticos. Estes medicamentos, comuns para o tratamento de outras doenças, são defendidos por alguns como tratamento para a covid-19 ou até como prevenção.

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Porém, diversas autoridades de saúde no Brasil e no mundo alertam para o fato de que esses remédios não possuem eficácia comprovada no combate ao coronavírus e, em alguns casos, podem até causar prejuízos ao paciente. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde alertou para o fato de que a cloroquina não funciona contra a covid pode gerar efeitos adversos aos pacientes.

Segundo o infectologista da Escola de Saúde Pública do Ceará, Keny Colares, toda medicação pode trazer efeitos colaterais, mas o uso se faz necessário nos casos em que os remédios também apresentam um benefício no combate a uma enfermidade.

“O fato é que quando a gente decide por tomar uma medicação, a gente tem que levar em consideração se o benefício que ela vai trazer é maior do que o malefício. A gente sabe que se for tratar pneumonia com antibiótico, a chance é muito maior da pessoa morrer da pneumonia do que de uma reação a um antibiótico”, explica o profissional da saúde.

Ele explica que medicamentos como a cloroquina e a ivermectina são seguros quando usados para outras finalidades, mas podem ser perigosos se usados contra a covid-19. O uso inadequado da ivermectina, por exemplo, pode causar problemas no fígado. Já a cloroquina pode afetar o coração, o que fica ainda mais grave quando se observa que parte das pessoas que apresentam quadros críticos da covid já possuem problemas neste órgão.

“Se são medicações que a literatura está mostrando que não tem benefícios, então só sobram os riscos. Se a medicação não funciona, então nem vale a pena correr o risco de ter efeitos colaterais”, avalia o Dr. Keny Colares. “Essas medicações já foram muito discutidas, muito estudadas, e, hoje em dia, praticamente todos os países já baniram elas como indicações para o tratamento da covid. Infelizmente, ainda existem algumas persistências em alguns países e o nosso é um deles”, lamenta o infectologista.

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O uso de medicação contra covid

A covid-19 é uma doença de alta transmissibilidade, mas que apresenta um número baixo de casos em que é necessário um tratamento. Segundo o Dr. Keny Colares, em 80% das pessoas a doença não se desenvolve o suficiente para ser necessário o uso de medicações e, por isso, os médicos recomendam o repouso, a hidratação e remédios para febre.

Na primeira fase da doença, quando ela ainda está mais leve, os profissionais da saúde fazem o monitoramento do paciente e verificam se há o risco deste indivíduo desenvolver a forma grave da covid.

“Lá pelo sétimo dia a gente identifica que alguns pacientes vão precisar de remédios e a gente vai usar aqueles medicamentos que têm comprovação de que são úteis”, afirma o médico. “Para esses indivíduos que vão ter uma doença mais grave, existem algumas medicações sim. Existem os corticoides e anti-inflamatórios, que não agem no vírus, mas agem no nosso sistema de defesa”.

Mas ele ressalta que essa recomendação de um tratamento com medicações deve ser feita por um médico, que, por sua vez, precisa ter a responsabilidade de indicar o uso de remédios que possuem benefícios comprovados. “O paciente tem dificuldade de aceitar isso, mas o papel do profissional de saúde é tranquilizar e dizer: ‘eu estou aqui do lado, vou te acompanhar. Hoje não tem um remédio para lhe tratar, mas se for o caso, dependendo da evolução, a gente vai ter alguns remédios para oferecer’”, explica Dr. Keny Colares.

Ele lembra que a covid não é a única enfermidade em que não há o uso de um medicamento específico para combater o vírus causador. “A dengue é uma doença que a gente sabe que não tem uma medicação direta para o vírus. A gente dá remédio para febre, a gente dá soro, a gente acompanha e identifica aqueles que vão ter a doença mais grave”, conclui o infectologista.

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