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Psicólogo explica como o abuso sexual pode causar traumas

O psicólogo Romanni Souza falou sobre como um abuso sexual pode gerar traumas em uma pessoa. 

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30 de junho de 2022
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Psicólogo explica como o abuso sexual pode causar traumas
Foto: Pexels

A atriz Klara Castanho, de 21 anos, publicou uma carta aberta no último sábado (25/06) falando sobre o estupro que sofreu e que resultou em uma gravidez. No pronunciamento, a atriz fez um relato forte dos traumas que o crime causou e sobre a decisão de colocar a criança para adoção após o nascimento. O psicólogo Romanni Souza falou sobre como um abuso sexual pode gerar traumas em uma pessoa.

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Inicialmente, o profissional de saúde falou sobre como o abuso sexual, no Brasil, é uma estatística longa.

“De acordo com IBGE, um, em cada sete adolescentes, já sofreu ou vai sofrer abuso sexual. A grande maioria dos casos acontecem dentro de casa. Geralmente, aqueles quem cometem o abuso são pessoas próximas, ou seja, o próprio pai ou padrasto, uma pessoa próxima, um vizinho, um tio, algum familiar é quase sempre é alguém próximo a vítima”, comenta.

Ainda segundo Romanni, ele já fez centenas de intervenções terapêuticas ajudando pessoas com casos como esse.

“Outro ponto em comum que eu percebo dentro desse tipo de tratamento para ajudar as pessoas que sofreram abuso é que elas se culpam. Apesar de serem vítimas, essas pessoas, infelizmente, ainda têm que lidar com o tom de serem taxadas como culpadas. Por causa disso, elas, por muito tempo, carregam essa culpa.”

Conforme o especialista, uma das coisas que elas mais precisam perdoar é elas mesmas. “Elas não têm culpa, mas é difícil assimilar isso. Quando isso acontece na infância, por exemplo, a criança se sente culpada por qualquer que seja o motivo, por não ter reagido, por não ter conseguido se expressar aos pais, porque a mãe não protegeu ou o pai não não protegeu como ela esperava… Mas, principalmente, culpa ela mesma pela situação ocorrida”, afirmou.

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Como superar um trauma?

Segundo Souza, superar um trauma como esse é também “sobre transformar esse tipo de dor em algo melhor. Porque até como dizia Jung: “até nos tornarmos conscientes, o inconsciente começa a controlar as nossas decisões e nós vamos chamar isso de destino.”

Para ajudar pessoas que, como a atriz, sofreram traumas gravíssimos como um estupro é necessário ter, entre outras coisas, empatia.

“Empatia não é olhar o mundo do outro com os meus olhos. Empatia é olhar o mundo do outro com os olhos do outro. E isso é muito importante pra desenvolver em um ambiente de crescimento para pessoas que sofreram tipo de situação de vulnerabilidade, abuso e assim por diante. O que eu espero é que ela possa procurar ajuda profissional, que ela possa passar por processos de autoconhecimento para trabalhar tudo isso.”

Além da dor, a exposição também causa traumas

Romanni também comentou o fato de Klara ter sido exposta por profissionais do hospital onde realizou o parto.

“Mesmo ela tendo passado por uma situação de estupro, abuso e estar se sentindo vulnerável e muito mal, ainda ter que ouvir do médico que atendeu ela, que ela teria obrigação de ter que cuidar da criança. Ela teve que passar por todas as situações legais que ela cita na postagem dela e ainda teve que lidar com os julgamentos”, disse.

Por fim, o psicólogo ainda falou sobre a questão da vida nas redes sociais. “Todo palco tem um bastidor, por isso, é tão importante sermos gentis, já que cada um de nós tem seus próprios desafios”, finalizou.

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