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Os candidatos a vice e o sofrimento por nada

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22 de novembro de 2020
Jonas Viana
Os candidatos a vice e o sofrimento por nada

Nascidas no folclore da política, algumas frases acabam virando verdades. E, vez ou outra, uma entra para a história como uma verdade absoluta. “Só existem dois tipos de vice: os que trazem votos e os que trazem dinheiro” é uma dessas frases. Seu único problema é que falta coragem para dizê-la em voz alta. Explico.

Legalmente, o vice candidato em uma eleição majoritária (prefeito, governador e presidente) tem uma única função: ser o substituto do candidato eleito de forma eventual (licenças médicas e viagens, por exemplo) ou de forma definitiva (falecimento, renúncia ou afastamento).

Na grande maioria das vezes, é só isso mesmo que lhe cabe, sobretudo em cidades pequenas, onde a composição das chapas não é um processo tão tranquilo quanto se espera ou imagina. Prefeito que não gosta de vice é o que mais tem. Escolhe-se o vice por uma necessidade partidária ou eleitoral, por tempo de TV, por capacidade de atrair recursos ou para limpar a barra da imagem do titular. O vice é escolhido para que a campanha flua mais facilmente. Sempre.

O grande problema é que parece que os vices não ficam sabendo da frase lá do primeiro parágrafo. Ou, pelo menos, a esquecem quando começa a eleição. Obviamente, reduzi-los a peças de decoração numa campanha é muito pobre. Há muitas funções importantes que um vice pode assumir num processo eleitoral, mesmo que nem sempre tão nobres, como aparecer no programa de TV.

Naturalmente, depois que a campanha começa, faltam destemidos para dizer a tal frase em voz alta, ainda mais na presença do vice. Mas que o candidato a vice podia, vez por outra, abrir um livro eleitoral do Monteiro Lobato, isso podia.

Pedro Senna
Analista Político, Marqueteiro e
Especialista em Comunicação Eleitoral

 

As opiniões não refletem o posicionamento do Grupo Cidade de Comunicação.