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A crise no Partido Conservador e a renúncia de Boris Johnson 

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1 de janeiro de 1970
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“Se você passar pelo inferno, não pare de andar”. Trata-se de uma das frases emblemáticas de Winston Churchill que foi primeiro-ministro britânico por duas vezes (1940-45) e (1951-55). Churchill acabou renunciando ao cargo de primeiro-ministro em 5 de abril de 1955. A sua liderança na Segunda Guerra Mundial o alçou a um lugar jamais conseguido por qualquer outra figura política britânica até os dias atuais.

 

Esse não é o caso de Boris Johnson que certamente está passando por um inferno na sua carreira política. O mais provável é que seu nome entre para a história como sinônimo de instabilidade política e de patrocinador de vários escândalos. Boris Johnson é o 9º primeiro-ministro do Partido Conservador a renunciar na história.

Uma renúncia esperada

Downing Street, a residência oficial do governo britânico, será desocupada nos próximos dias. Após a renúncia de mais de 50 membros do governo, o primeiro-ministro Boris Johnson decidiu renunciar ao cargo numa quinta-feira, 7 de Julho de 2022. A renúncia já era esperada entre os próprios membros do Partido Conservador do qual Boris Johnson faz parte.

O mandato de Boris Johnson foi marcado por escândalos como a realização de festas em Downing Street em pleno lockdown e durante uma das piores fases da pandemia na Inglaterra, um escândalo que ficou conhecido como “Partygate”.

Recentemente, denúncias de assédio sexual vieram a público, envolvendo membros do Partido Conversador, como Chris Pincher, ex-deputado chefe do gabinete de Boris Johnson. Segundo informações divulgadas pela mídia britânica, Boris Johnson teria acobertado as denúncias de assédio sexual contra Pincher.

Nas últimas eleições parlamentares realizadas em 2019, o Partido Conservador saiu como grande vencedor, garantindo 365 assentos no parlamento britânico, contra 203 assentos conquistados pelo Partido Trabalhista.

Porém, fatores como a crise do Brexit e a piora da economia como a queda de 9,9% do PIB em 2020 explicam o momento negativo dos conservadores. Segundo dados da instituição britânica Agência de Estatísticas Nacionais, a inflação chegou a 9,1% em maio de 2022, atingindo o maior índice nos últimos 40 anos.

Aumento de gastos públicos

A política externa de Boris Johnson foi marcada por uma grande revisão nas áreas de defesa e segurança nacional após a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). O foco do programa seria o desenvolvimento de recursos cibernéticos. Entretanto, esse programa sofreu críticas por conta da necessidade de aumento de gastos públicos em tempos de crise política e econômica.

O ex-primeiro-ministro britânico também buscou um maior protagonismo no âmbito da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ao longo de 2022, Boris Johnson buscou também uma maior aproximação com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e com os aliados de longa data do Reino Unido, os Estados Unidos da América (EUA).

O sucessor de Boris Johnson e os desafios

Diferentemente do Brasil, no Reino Unido o chefe de estado e o chefe de governo não estão concentrados na mesma figura política. A rainha Elizabeth II é a chefe de estado, porém não governa. O primeiro-ministro é quem detém os poderes governamentais. Ao longo de 70 anos de reinado, a rainha Elizabeth II terá o 15º primeiro ministro pela frente.

Segundo a tradição política inglesa, o líder do partido ganhador das eleições parlamentares é indicado ao cargo de primeiro-ministro. Portanto, o próximo líder do Partido Conservador deve ocupar o cargo governamental num futuro próximo. As principais apostas estão voltadas para os seguintes membros do Partido Conservador: a atual ministra das relações exteriores, Liz Truss; o ex-ministro das relações exteriores Jeremy Hunt; o atual ministro da defesa Ben Wallace e o ex-ministro das finanças, Rishi Sunak.

As dificuldades são enormes para o Partido Conservador. Recuperar a credibilidade política será um grande desafio para os conservadores, já que perderam 3 assentos nos Conselhos Municipais para o Partido Trabalhista nas últimas eleições regionais realizadas em maio de 2022. Segundo a imprensa britânica, Boris Johnson quer permanecer no governo com a missão de escolher o seu sucessor. É provável que o Partido Conservador esteja andando pelo inferno de Churchill e não tenha se dado conta.