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Exaustão emocional dos pais: saiba como prevenir

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13 de outubro de 2020
Jonas Viana
Exaustão emocional dos pais: saiba como prevenir

A quarentena continua sendo imprescindível para evitar a proliferação do coronavírus, mas tem afetado a saúde mental de muita gente. Dor de cabeça, insônia e dores no corpo podem ser sinais de exaustão emocional. Quem tem filhos enfrenta outros desafios e deve entender que é preciso, também, cuidar de si mesmo.

Afinal, quanto menos idade, maior a dedicação aos filhos. “Você acaba se sobrecarregando naturalmente, sem sentir que está se sobrecarregando, porque você tem aquilo dentro de você, de dar uma super proteção à criança. Sendo assim, suas atividades laborais, seus compromissos vão ficando cada vez mais de lado”, exemplifica o neuropsicólogo do Hapvida Carol Costa Júnior.

Viver única e exclusivamente para a criança não é bom para os pais nem para a criança, afinal, há risco de doenças psicológicas que também poderão prejudicar ambos, pais e filhos. “Quando você começa a ver suas coisas se acumulando e já não consegue mais dar conta, isso tem algumas reações psicossomáticas. A pessoa fica angustiada, ansiosa, apreensiva”, descreve o doutor Carol.

Além de dor e distúrbios de sono, falta de apetite, agressividade e irritabilidade também são sintomas. Caso essas questões não sejam tratadas, pode-se desenvolver quadros mais graves de depressão e transtorno de ansiedade. Dessas doenças, os problemas físicos começam a piorar: vertigem, tontura, falta de ar, taquicardia, formigamento nas extremidades e dormência.

Como evitar a exaustão emocional?

Em casa, os pais estão ainda desempenhando papel de professores, recreadores. A quantidade de tarefas é grande, mas é necessário criar uma rotina da melhor forma possível. Outra dica para evitar transtornos futuros é criar metas de pequeno, médio e longo prazo.

“Racionalize se existe a real necessidade de você se sobrecarregar, será que você não pode delegar certas situações? Dependendo, as crianças mais velhas podem fazer pequenas tarefas, isso até faz parte da criação do sujeito-moral, retirar prato da mesa, forrar a própria cama”, explica o doutor Carol.

O neuropsicólogo também destaca a importância das atividades prazerosas durante a rotina. Seja ler um bom livro, maratonar uma série, pintar ou cuidar de uma horta. “Se você é uma pessoa mais sensível, realmente evite certos sites, certas programações que só vão te angustiar. Lógico que não é ficar inerte para o mundo, você tem que buscar uma fonte de informação, mas algo que venha perturbar, tirar você do eixo, não é necessário neste momento.”

Quando procurar ajuda psicológica?

A tristeza profunda tem que ser monitorada, se mesmo dispondo de todos os recursos individuais você não obter êxito, será necessário buscar ajuda profissional. “O psicólogo tem as ferramentas necessárias para ajudar nesta hora. Se não pode sair, busque plataformas online, o importante é não deixar a coisa tomar uma proporção maior. Se ficar muito difícil, só sai realmente com auxílio do tratamento medicamentoso aliado à psicologia”, explica o neuropsicólogo Carol Costa.

Você sabia? Um sorriso ajuda!

Um exercício bem simples, que pode ajudar a “enganar” seu cérebro, é colocar uma cortiça ou caneta na boca, simulando o movimento do sorriso. “Você começa a atingir áreas neurais, áreas corticais relacionadas ao prazer, à satisfação. É um truque, ficar gerindo o tempo todo pensamentos negativos não vai te trazer nada de bom, vai encaminhar você para doenças psicossomáticas”, explica o doutor Carol.