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MUDANÇAS CLIMÁTICAS

El Niño ganha força e pode levar 2027 a recorde de temperatura; veja os impactos no Brasil

Fenômeno se intensifica no Pacífico e deve ter maior influência sobre a temperatura global no próximo ano; no Brasil, Norte e Nordeste estão entre as regiões mais expostas aos efeitos sobre chuva e seca

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El Niño ganha força e pode levar 2027 a recorde de temperatura; veja os impactos no Brasil
El Niño se fortalece e pode fazer de 2027 o ano mais quente já registrado. Foto: Reprodução/Pexels

O El Niño de 2026 está se fortalecendo rapidamente e pode ter seu maior impacto sobre a temperatura global em 2027. O fenômeno natural, marcado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, ocorre sobre um planeta que já registra temperaturas muito acima das médias históricas, aumentando a possibilidade de um novo recorde global de calor.

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A NOAA, agência meteorológica dos Estados Unidos, informou em agosto que o El Niño estava em processo de intensificação e apontou mais de 90% de probabilidade de que o evento chegasse à categoria de muito forte durante o outono e o inverno do Hemisfério Norte. Em julho, a temperatura da região Niño 3.4, uma das principais áreas utilizadas para monitorar o fenômeno, estava 1,4°C acima da média.

O cenário também chama atenção no Reino Unido. O Met Office classificou o evento em desenvolvimento como potencialmente o maior El Niño observado na memória meteorológica recente e afirmou que 2027 tem grande probabilidade de substituir 2024 como o ano mais quente já registrado.

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A razão para o alerta está na combinação entre dois fenômenos diferentes: o aquecimento provocado pelas emissões de gases de efeito estufa e a variação natural associada ao El Niño.

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Em outras palavras, o El Niño não causa sozinho a tendência de aquecimento do planeta. Ele funciona como um impulso temporário sobre uma temperatura global que já subiu por causa das mudanças climáticas.

Por que 2027 pode superar o recorde de 2024?

Um dos pontos mais importantes para entender o cenário é que o efeito do El Niño sobre a temperatura global não aparece necessariamente de forma imediata.

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O aquecimento do Pacífico libera uma quantidade maior de calor do oceano para a atmosfera. Esse processo influencia a temperatura média do planeta com uma defasagem de alguns meses.

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É por isso que grandes eventos anteriores ajudam a explicar o que pode acontecer agora. Os episódios de El Niño iniciados em 1997, 2015 e 2023 foram seguidos por anos que registraram recordes globais de temperatura em 1998, 2016 e 2024, respectivamente.

O atual fenômeno segue uma trajetória semelhante. O El Niño começou a ganhar forma em 2026, mas o período de maior influência sobre a temperatura global tende a ocorrer posteriormente.

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Uma análise publicada pelo Carbon Brief estima que 2027 possa alcançar aproximadamente 1,71°C acima do período pré-industrial, embora exista uma faixa considerável de incerteza nas projeções. O mesmo estudo aponta 92% de probabilidade de que 2027 estabeleça um novo recorde de temperatura global.

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O Met Office também considera muito provável que 2027 ultrapasse 2024 como o ano mais quente já registrado. Segundo a instituição, o pico do El Niño deve contribuir para elevar temporariamente a temperatura média global acima de 1,5°C em relação ao período pré-industrial.

Isso não significa, porém, que um único ano acima de 1,5°C represente automaticamente o descumprimento de uma meta climática de longo prazo. A comparação anual é diferente das métricas usadas para avaliar o aquecimento global sustentado ao longo de décadas.

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El Niño 2026 pode afetar o clima do Brasil

O fenômeno também tem consequências importantes para o Brasil.

O padrão mais conhecido associado ao El Niño é a tendência de chuvas acima da média no Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar maior risco de precipitações abaixo da média e agravamento de condições de seca.

O CEMADEN já apontou esse cenário para o segundo semestre de 2026. Segundo o órgão, a configuração do fenômeno aumenta o risco de chuvas intensas, deslizamentos e enchentes no Sul, enquanto Norte e Nordeste podem enfrentar agravamento da seca e maior risco de incêndios.

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Em boletim divulgado em julho, o órgão indicou que os modelos apontavam alta probabilidade de permanência do El Niño até pelo menos o início de 2027. Para o trimestre de agosto a outubro, a previsão geral era de chuva acima da média em áreas do Sul e abaixo da média no centro-norte do país.

Isso não significa que todas as cidades de uma mesma região terão exatamente o mesmo comportamento. O El Niño altera padrões de circulação atmosférica em escala continental, mas as condições locais dependem de outros fatores meteorológicos e oceânicos.

Ainda assim, a tendência é relevante para setores como agricultura, abastecimento de água, geração de energia e prevenção de incêndios.

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Nordeste pode enfrentar maior pressão sobre chuva e seca

Para o Nordeste, o alerta merece atenção especial.

A região já possui histórico de vulnerabilidade à irregularidade das chuvas. Um El Niño forte pode aumentar o risco de períodos mais secos em partes do Nordeste, embora a intensidade e a distribuição dos efeitos variem ao longo da estação e entre os estados.

No Ceará, por exemplo, o comportamento das chuvas depende de diversos sistemas atmosféricos, principalmente durante a quadra chuvosa. Por isso, não é possível afirmar neste momento que o El Niño determinará sozinho como será a próxima estação chuvosa no Estado.

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O fenômeno, entretanto, é um dos elementos que precisam ser acompanhados pelos órgãos de monitoramento climático.

A combinação de calor acima da média, menor disponibilidade de chuva e aumento da evaporação pode elevar a pressão sobre reservatórios e sobre atividades que dependem diretamente das condições meteorológicas.

O CEMADEN também chama atenção para o risco de incêndios florestais associado ao cenário de temperaturas elevadas e condições mais secas em determinadas áreas do país.

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Agricultura e energia também podem sentir os efeitos

As consequências não ficam restritas aos termômetros.

No campo, a distribuição irregular das chuvas pode interferir no calendário de plantio e colheita. No Sul, o excesso de precipitação pode dificultar atividades agrícolas, enquanto regiões com menor volume de chuva podem enfrentar problemas de disponibilidade hídrica.

Na geração de energia, o impacto depende do comportamento dos reservatórios e da distribuição das chuvas. Períodos mais secos podem reduzir a disponibilidade de água para hidrelétricas e aumentar a necessidade de outras fontes de geração.

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No caso do Nordeste, os reservatórios também têm importância direta para o abastecimento humano. A região historicamente convive com períodos prolongados de seca, o que torna o monitoramento dos níveis dos açudes especialmente relevante.

O cenário também pode favorecer condições para queimadas em áreas que apresentem calor e baixa umidade.

2026 já está entre os anos mais quentes da história

O novo El Niño surge em um período de temperaturas globais excepcionalmente elevadas.

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O primeiro semestre de 2026 foi o terceiro mais quente já registrado, segundo análise do Carbon Brief, atrás apenas dos primeiros semestres de 2024 e 2025. A publicação estima que o ano tenha 35% de chance de terminar como o mais quente da história, embora a projeção central aponte 2026 como o segundo ano mais quente.

Esse cenário ajuda a entender a ideia de uma “escada” de temperaturas.

O aquecimento global aumenta progressivamente a temperatura de fundo do planeta. Fenômenos naturais como El Niño e La Niña, por sua vez, fazem os registros anuais subirem ou recuarem temporariamente em torno dessa tendência.

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O problema é que cada novo evento de aquecimento ocorre sobre uma base que já está mais elevada.

O resultado é uma sequência de recordes que deixa de ser apenas uma questão estatística e passa a produzir consequências concretas sobre chuva, seca, calor extremo, agricultura, recursos hídricos e ocorrência de incêndios.

O que pode acontecer nos próximos meses?

A intensidade definitiva do El Niño ainda não está determinada. As previsões serão atualizadas à medida que novas medições do Pacífico forem incorporadas aos modelos meteorológicos.

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O que já está confirmado é que o fenômeno está estabelecido e se fortalecendo. A NOAA indicou, em agosto, mais de 90% de chance de um evento muito forte durante a temporada 2026-2027.

O impacto mais expressivo sobre a temperatura global deve aparecer em 2027, justamente porque existe um intervalo entre a evolução do aquecimento do Pacífico e sua resposta na temperatura média do planeta.

Por isso, os próximos meses serão importantes para acompanhar três pontos: a intensidade que o El Niño atingirá, a distribuição das chuvas no Brasil e a evolução das temperaturas globais.

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Para o Ceará e outros estados do Nordeste, o acompanhamento das previsões será especialmente importante durante a preparação para a próxima estação chuvosa. O fenômeno aumenta o risco de condições mais secas, mas não permite, sozinho, determinar o comportamento das chuvas de um Estado inteiro.

O cenário climático, portanto, não é de uma única ameaça, mas de uma combinação de fatores. Um El Niño potencialmente excepcional está surgindo em um planeta que já está muito mais quente do que no passado. E é justamente essa combinação que coloca 2027 no radar dos meteorologistas como um possível novo marco de temperatura global.


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