O avanço das ferramentas de inteligência artificial tornou mais sofisticadas as fraudes digitais e acendeu um alerta também para os processos de contratação. Segundo levantamento repercutido pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), o Brasil concentrou 39% dos casos de deepfake registrados na América Latina em 2025, cenário que amplia os desafios para empresas na validação da identidade e das informações apresentadas por candidatos.
Embora a falsificação de vídeos e imagens seja uma preocupação crescente, especialistas alertam que as tentativas de fraude em processos seletivos vão muito além das deepfakes. Dados da consultoria DNA Outplacement revelam que 75% dos profissionais brasileiros admitem já ter exagerado informações em seus currículos em algum momento da carreira. Esse fenômeno, que vai desde a declaração de um idioma em um nível superior ao real até a "maquiagem" de um cargo ou formação acadêmica, é um risco que, cada vez mais, pode terminar em um desligamento por justa causa. Somente neste ano, o descobrimento de fraudes curriculares foi o motivo por trás de 14% das demissões motivadas em cargos de confiança, segundo o Anuário de Compliance Trabalhista de 2026, produzido pela Deloitte.
"Muitos candidatos não percebem como essas informações são facilmente verificáveis hoje em dia e o impacto que esses ‘pequenas incrementadas’ podem ter na hora da contratação. O pequeno exagero significa, para a lei e para a ética empresarial, uma quebra de confiança, dependendo das circunstâncias e da avaliação da empresa”, explica Gustavo Sengès, Country Manager da HireRight no Brasil, líder global em verificação de antecedentes.
O background check, ou verificação de antecedentes, popularmente associado apenas aos antecedentes criminais, é um processo muito mais amplo e focado na apresentação de dados factuais para auxiliar na validação da verdade cadastral do profissional. Empresas que adotam essa abordagem podem fazer verificações como: confirmação de títulos e cargos em empregos anteriores, a autenticidade de diplomas e certificações, e a checagem de referências profissionais - todas com base em fontes públicas e permitidas por lei, sempre com o consentimento prévio do candidato e em estrita conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Segundo Sengès, "a verificação tem como principal objetivo fornecer informações factuais para que o empregador possa avaliar se o candidato realmente possui as competências e a experiência declaradas, auxiliando a empresa a identificar o fit cultura entre o funcionário e a organização, a fim de construir vínculos de longo prazo e bem-sucedidos”.
Mas afinal, quais são os riscos de se mentir no currículo?
No âmbito legal, a descoberta de uma mentira no currículo, mesmo anos depois, pode vir a ser interpretada pelo empregador como um motivo para a rescisão do contrato por justa causa, uma decisão que encontra amparo na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a depender da situação específica. A mentira, ao ser comprovada, pode ser avaliada como um ato de improbidade ou uma violação da boa-fé objetiva que deve nortear toda relação contratual. No entanto, a justa causa não é o fim da linha; ela pode ser o começo de uma série de potenciais efeitos colaterais severos. O trabalhador pode vir a perder o direito a verbas rescisórias importantes, como o aviso-prévio indenizado, o saque do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) com a multa de 40% e o seguro-desemprego, conforme a aplicação da lei ao caso.
Outro risco tangível, e pouco discutido, é a possibilidade de ações judiciais. Embora a Justiça seja a via menos comum e não represente um desfecho automático, a empresa pode, em casos extremos, mover uma ação por danos morais ou materiais contra o funcionário, especialmente se a mentira tiver causado prejuízos financeiros diretos à organização, como investimentos em treinamentos ou a perda de um negócio por falta de qualificação comprovada. O passado, que parecia enterrado, ressurge não apenas para encerrar um vínculo, mas para gerar um possível passivo jurídico que pode se arrastar por anos nos tribunais trabalhistas.
Para além do aspecto financeiro, o dano reputacional é o que mais assombra os profissionais. Em um cenário em que fraudes digitais, como as deepfakes, aumentam a preocupação das empresas com a autenticidade das informações apresentadas por candidatos, a notícia de uma demissão por justa causa por fraude curricular pode ser uma mancha que segue o profissional por anos.
“O mercado valoriza a integridade e a coerência, a verdade cadastral não é apenas um detalhe burocrático; ela é o pilar de sustentabilidade de uma carreira sólida e duradoura. A reputação, uma vez manchada, é um ativo muito difícil de ser recuperado", alerta o especialista.
Sobre a HireRight
Com mais de 30 anos de atuação, a HireRight é líder global em soluções de verificação de antecedentes e histórico pessoal, atendendo organizações de todos os portes e setores. Presente em mais de 200 países e territórios, a companhia norte-americana oferece serviços integrados que fortalecem segurança, conformidade e confiança nos processos de contratação, unindo tecnologia inovadora com rigorosos padrões de compliance e LGPD. Atualmente, a HireRight apoia aproximadamente 37 mil clientes no mundo todo com soluções inteligentes e focadas no usuário, que aceleram o tempo de contratação, aumentam a eficiência operacional e simplificam a experiência dos candidatos. Sua expertise em due diligence e gestão de riscos garante decisões mais ágeis e estratégicas, transformando a forma como as empresas contratam e crescem.





