Na ilha vulcânica de Java, na Indonésia, entre cachoeiras, templos antigos e plantações de chá, esconde-se uma ave exótica: o Ayam Cemani.
Conhecido como a “Lamborghini das galinhas”, esse frango pode custar até US$ 6 mil por exemplar. Seus ovos chegam a US$ 16 cada, tornando-o um luxo raro no mundo avícola.

Aparência Mística e Preta Total
O que torna o Ayam Cemani único é sua pigmentação profunda e negra. Não só as penas, mas o bico, ossos, carne e órgãos exibem essa cor intensa. Historicamente, os locais o consideram místico, usando-o em cerimônias para atrair sorte e afastar espíritos malignos.
Essa negritude vai além da estética: é um traço genético chamado fibromelanose. A ave parece saída de um conto folclórico, com carne escura que divide opiniões – deliciosa para alguns, assustadora para outros.
A Ciência por Trás da Cor Exótica
A fibromelanose resulta de uma mutação genética no gene Endothelin 3 (EDN3), que regula a cor da pele. Essa alteração causa um rearranjo no DNA, multiplicando melanoblastos – células pigmentadas – até dez vezes mais que o normal.
Em galinhas comuns, essas células se limitam a penas e pele externa. No Ayam Cemani, elas invadem órgãos e ossos, criando o visual todo preto. Cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia, sequenciaram o DNA e confirmaram: a mutação ocorreu uma única vez, ancestral de todas as raças negras.
Outras aves compartilham o traço, como a Silkie (parecida com uma bola de algodão), os frangos H’Mong do Vietnã e o svarthöna da Suécia. A Silkie, inclusive, foi elogiada por Marco Polo no século XIII, que a descreveu como “preta por inteiro e deliciosa”.




