Às vésperas do 1º turno da eleição municipal, pesquisas eleitorais Datafolha e Ibope estimam possíveis cenários de 2º turno em Fortaleza. O GC+ convidou Emanuel Freitas, pesquisador e professor de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (Uece), para comentar pontos da corrida eleitoral na cidade. Confira:
Disputa em Fortaleza e 2022
Você tem de fato três forças nacionais disputando na cidade, que é o bolsonarismo, o lulismo e o cidismo, sendo que dessas três forças, somente a Luizianne que tem utilizado desde o início da campanha a força do seu patrono, o Lula. Como um dos candidatos a presidente é o Ciro, do Ceará, era natural que a nacionalização tomasse de conta da disputa. Mas se a gente pensar, tirando a Luizianne trazendo o Lula e depois a Dilma, tanto o Sarto como o Capitão Wagner não fizeram uso das lideranças, você não viu o Ciro na campanha do Sarto e não viu o Bolsonaro na campanha do Wagner. Mesmo Bolsonaro tendo feito dois vídeos nomeando o Wagner como candidato, você não viu o Wagner exibir esses programas no horário eleitoral.
Eu diria que antes de ser um reflexo de 2022, acho que é ainda um enfrentamento regressivo de 2018, aqui em Fortaleza.
Crescimento de Sarto
Se deve a sua exposição como o candidato do prefeito [Roberto Cláudio]. O prefeito é muito bem avaliado pela população, e a medida que esta soube que ele era o candidato do prefeito, e sobretudo a partir do horário eleitoral gratuito, o candidato Sarto ascendeu nas pesquisas.
Declínio de Luizianne Lins
Se deve sobretudo aos ataques que ela sofreu pela campanha do Sarto, que recordou os números da gestão de Luizianne. Interessante que a própria Luizianne, só recentemente nas duas últimas semanas, que tem feito memória dos seus governos, mas no início da campanha ela se apresentava com uma candidata pra frente e não uma candidata para trás. Talvez porque a sua gestão já tinha sido avaliada na campanha de 2016, quando ficou na casa dos 15%. A medida que o Sarto trouxe de volta os números da gestão dela comparando com o Roberto Cláudio, isso então produziu uma enorme queda nas intenções de voto da Luizianne e também, penso eu, que a medida que o pleito se aproxima, o eleitor útil de esquerda, pode estar percebendo que o Sarto tem mais chances de ganhar do Capitão Wagner em um eventual segundo turno do que a Luizianne. Então já pode estar havendo a migração de votos no próprio eleitorado da esquerda.
Rejeição ao Capitão Wagner
Se deve dentre outros fatores, porque ele tem sido apresentado como um candidato de uma temática só, a temática da segurança. Por isso que no início da campanha ele se apresentou muito como professor para tentar tirar essa imagem de capitão, de policial. E também se deve à forte campanha, inclusive com participação do governador, de jogá-lo como líder do motim do começo do ano e também a sua identificação com o presidente Bolsonaro, que não tem uma avaliação muito boa em Fortaleza.
Confira o vídeo do Jornal da Cidade, da TV Cidade Fortaleza:
[embed]https://www.youtube.com/watch?v=sgKBugv8fdE[/embed]




