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Direito à saúde: os leitos de UTI que salvam vidas

Desde que a pandemia de Covid-19 chegou, em março de 2020, a preocupação com esse direito ficou ainda maior.

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Direito à saúde: os leitos de UTI que salvam vidas
Foto: GCMais

“Saúde é direito de todos e dever do Estado”. O trecho do artigo 196 da Constituição Federal de 1988 é claro ao dizer que todas as pessoas têm direito a tratamentos adequados, fornecidos pelo poder público. Mas isso é um desafio que o Brasil enfrenta há décadas. E desde que a pandemia de Covid-19 chegou, em março de 2020, a preocupação com esse direito ficou ainda maior.

Imagens de hospitais lotados e famílias aguardando, desesperadas, por uma vaga em um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) escancararam a desigualdade no acesso à saúde. Mesmo com todo o esforço do Poder Público em expandir os atendimentos em hospitais, a capacidade de transmissão do novo coronavírus lotou as enfermarias e UTIs de todo o País. Soma-se a isso o fato de que as unidades de saúde, além de tratar pacientes com a Covid-19, precisaram acolher pacientes com outras enfermidades e urgências.

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Famílias podem recorrer à Justiça para conseguir um leito de UTI

Quando não é possível conseguir um leito, muitas vezes as famílias recorrem à Justiça. Foi o caso de Antônio José Nascimento. O auxiliar de cozinha foi surpreendido com uma situação envolvendo a sogra, de 90 anos. Ela precisou de um atendimento médico de urgência. Depois de estabilizada, houve a necessidade de transferir a paciente para uma UTI. Contudo, a solução só veio por meio da Defensoria Pública do Ceará.

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[caption id="attachment_87618" align="alignnone" width="380"]Imagem: GCC[/caption]

O caso envolvendo o auxiliar de cozinha e a sogra é apenas um entre as 21.173 atuações realizadas pelo Núcleo de Defesa da Saúde da Defensoria (Nudesa) no primeiro semestre deste ano. O número de atendimentos feitos pelo Núcleo, de janeiro a junho de 2021, teve um aumento de 64,39% na comparação com o mesmo período do ano passado.

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Apesar da elevação, a supervisora do Nudesa, defensora pública Yamara Lavor, revela que, neste ano, a vacinação contra a Covid-19 reduziu as demandas de pedidos de transferência hospitalar em razão da doença pandêmica.

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“Nós recebemos este ano uma demanda bem maior pelo nosso WhatsApp de atendimentos de demandas de fraldas, medicamentos, cirurgias e consultas. Faz já algum tempo que não recebemos demanda de pedidos de UTI para Covid-19”, ressalta a defensora.
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Como conseguir leitos de UTI?

Pessoas que, a princípio, são encaminhadas para as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e para outras unidades de saúde e não conseguem o atendimento específico podem buscar auxílio na Defensoria Pública. Há situações em que o caso tem um agravamento e o médico solicita uma vaga em hospital. Por conta da demora, as famílias acabam entrando na Justiça. A defensora pública Karine Matos explica o que é preciso para obter esses atendimentos. Ouça:

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Outro exemplo entre tantos é o da mãe do marceneiro Claudiano Gomes. Ela, que tem 72 anos de idade, precisou ser internada na UPA do bairro José Walter, em Fortaleza, e depois transferida, com urgência, para uma Unidade de Terapia Intensiva. O problema é que, de maneira administrativa, ela não conseguiu vaga e a saída foi recorrer à Defensoria Pública.

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"Consegui um encaminhamento que o médico deu para o leito de UTI. Minha mãe estava sofrendo bastante e na UPA não tinha recurso para ela ficar. Fiquei muito grato por ter resolvido esse problema", disse Claudiano.
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No geral, o processo é rápido. O familiar chega ao Núcleo e, em até 24 horas, o pedido é deferido por um juiz, como reforça a defensora Karine Matos. Ouça:

[audio mp3="https://gcmais.com.br/wp-content/uploads/2021/10/DEFENSORA-2.mp3"][/audio]

Justiça para além da saúde na pandemia

Durante a pandemia, a saúde esteve no centro do debate público. Porém, a crise econômica que atingiu o Brasil e diversos países do mundo também agravou outros problemas sociais, como a fome e a miséria. E, neste momento, o acesso à Justiça torna-se ainda mais essencial.

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“A Defensoria Pública é um instrumento fundamental para efetivar o direito ao acesso à justiça, pois propicia aos pobres, na forma da lei, seja individual ou coletivamente, em todas as áreas do direito judicial ou extrajudicialmente, a resolução dos seus conflitos”, destaca Alfredo Homsi, defensor público do Ceará e Diretor de Comunicação da Associação dos Defensores Públicos do Estado do Ceará (ADPEC).

A Pesquisa Nacional da Defensoria Pública 2021, uma parceria entre o Colégio Nacional de Defensores Públicos-Gerais (Condege), o Conselho Nacional dos Corregedores Gerais (CNCG) e a Defensoria Pública da União, revelou o quanto a Defensoria foi fundamental neste período de pandemia. O levantamento estima que, em 2020, houve um aumento de 43,6% na demanda de atendimento da instituição.

“Aqui no nosso Estado, a Defensoria registrou, só no ano passado, mais de 901 mil atuações, envolvendo diretamente a população em situação de vulnerabilidade que, em decorrência da pandemia, ficou mais exposta à fome, situação de rua, mendicância, desemprego e outras mazelas sociais. Daí porque a nossa luta constante por um maior aporte orçamentário do Estado de forma a garantir a presença da instituição em todos os municípios do Ceará”, reforça Alfredo Homsi.
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Atendimento do Nudesa

Para dar entrada nas ações judiciais relacionadas à saúde durante os dias da semana, a população pode acionar os canais digitais o Núcleo de Defesa da Saúde pelo contato (85) 98895-5436 ou pelo e-mail demandasnudesa@gmail.com.

Nos fins de semana e feriados, a Defensoria Pública disponibiliza o serviço de plantão exclusivo para casos urgentes, dentre eles os pedidos de UTI, de 12h às 18h, em Fortaleza. As orientações para atendimento durante os sábados e domingos podem ser buscadas no contato: (85) 98400-5997 (WhatsApp).

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